Charcutaria Francesa

Ricardo R Silva, 2010/01/20
Não foi difícil arranjar lugar – o meu carro ficou no topo da Rua da Imprensa Nacional, o que, considerando a área da cidade, até nem foi nada mau! Mas também poderia ter usufruido do sistema de estacionamento gratuito do restaurante – um serviço de “valet” (alguém sabe a expressão portuguesa?), em que largamos o carro à porta e um simpático senhor o vai estacionar por nós. Se pensarmos que estamos a dois passos da Assembleia da República, a 200 metros do Príncipe Real e algures entre Santos e o Bairro Alto, talvez essa até poderia ser a melhor opção. Mas não foi a minha – desci a rua, 200 metros, cortei para a esquerda e hop, já estava no restaurante. Um espaço pequeno, mas bem arranjado, acolhedor, simpático - prometia!
O buffet de entradinhas estava supimpa – pequenos petiscos, que se saboreavam na boca, degustativamente, como um shot de caldo verde frio, caldo verde seco com feijão, bruschetta, salmão crú, milho frito,… Bom! Para acompanhar escolhemos um dos vinhos que estava em saldos – e acreditem que o que bebemos, por €5 a garrafa é um achado ao nível de um preço de supermercado, portanto, bendita promoção… Carta fixa não há – mas há um menú competentemente recitado por um dos donos do restaurante. As opiniões claramente dividiram-se nesta altura, mas eu não fui capaz de resistir a um polvo com mel e pinhões com a promessa de um sabor forte e requintado – e eu adoro quando cumprem as promessas que fazem! Outras escolhas incidiram sobre o esparguete negro com gambas (elogiado . mas não demasiado), filetes de pampo envoltos em presunto com legumes (referido como “muito bom” – vou acreditar, porque realmente tinha um aspecto delicioso, digno de envaidecer qual Prof Pampo, mestre de cartomância e adivinhação), e uma lebre estufada com cogumelos (que, felizmente, saltou para o prato do deliciado conviva em questão).
Sobremesas – não resisti a um petit gateau com bola de gelado. Não há nada a fazer, a minha perdição é o chocolate e quem não o soubesse passa agora a sabê-lo (mas é um segredo mal guardado, portanto,…). Também houve quem optasse por uma pêra (em forma de fatia de bolo!!!!) com a supracitada bola de gelado - pessoalmente, acho que a minha escolha foi a melhor!
Um restaurante bem localizado, agradável, em que se come bem, com um serviço simpático. E com bons vinhos (a bons preços…). Por cerca de €26,5 por pessoa. Recomendo! A única coisa que também recomendaria era que mudassem o azeite de degustação das entradas – mas acho que isso também diz que gostei bastante do restaurante, não é?
P.S- A seguir ainda fomos beber um copo a Santos. Percebi que poderia ser pai de muitas das criaturas noturnas que por lá andavam…
Charcutaria Francesa
Tipo de cozinha: Portuguesa com ligeiros tiques experimentais - isto tem um nome específico?
Morada: Rua Manuel Bernardes, Nº5 a/b 1200-250 Lisboa
Horário: almoços – das 12h às 15h de segunda a sexta; jantares – das 20h às 00h00 de segunda a sábado
Telefone: 91 758 82 81
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário
GPS: N38° 42.898 W09° 9.140 (Google / MapQuest)

Confraria

Ricardo R Silva, 2010/01/10

Este post estava no congelador há muito tempo. É daquele tempo em que, para conservarmos qualquer coisa, tínhamos mesmo que a colocar no congelador para a proteger do calor de Agosto, e não apenas deixarmo-la ao ar frio de Janeiro. E o restaurante não merecia esta demora…

A confraria é um restaurante de sushi em Cascais – no edifício em que antes funcionava a casa de chá “Mise em scene”, bem ali ao lado do Parque da Gandarinha, do Museu do Mar e da novel Casa das Histórias dedicada a Paula Rego. Tem uma esplanada pequena e uma sala que também não é propriamente muito grande, decorada… como quase todos os outros restaurantes de sushi em Portugal. Mas está-se bem lá.

A sopa miso estava excelente – apesar de na altura não me parecer agradabilíssimo comer algo quente naquela noite, aposto que hoje saberia muito melhor… E o sushi é excelente! Se gostam de maradices (em termos gastronómicos) como eu, aconselho-vos um dos sushi quente, nomeadamente o “shake cherse hot” – delicioso, com a profusão de sabores diferentes a saltar no paladar! Mas não deixem de provar garyo e uramaki panko – confesso que não vos consigo dizer exactamente por quê, mas tenho a indicação nas notas do meu telefone a dizer que são imperdíveis! Confiem!

Foi um bom jantar! Num bom restaurante! Com excelente sushi! O preço é que é upa-upa – pagámos €50 por cabeça. Mas a qualidade foi inquestionável.

Confraria
Tipo de cozinha: Sushi
Horário: domingo a quinta, das 12h00 às 24h00; sextas e sábados, das 12h00 às 02h00; encerra às segundas.
Preço médio: 50€
Morada: Rua Luis Xavier Palmeirim, 14 – Cascais
Telefone: 21 483 46 14
Web: http://www.confrariasushi.com/
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

GPS: N38° 41.704 W09° 25.231 (Google / MapQuest)

Tasca da Esquina

Ricardo R Silva, 2010/01/09

Na esquina… com amigos…

Quinta-feira à noite, com dois objectivos em agenda: despedirmo-nos condignamente da Zara (que, mais uma vez, finda a altura do ano de “voltar a casa para ver a família e saborear bacalhau e filhós”, voltava para a sua terra adoptiva) e conhecermos a Tasca da Esquina, o novo projecto do Vítor Sobral, ali, numa esquina ao fundo da Ferreira Borges – uma visita que, dados os comentários e a expectativa, se impunha. Antes de mais, uma nota – a minha expectativa elevada é capaz de ter influenciado a minha percepção… Dito isto, vamos a isso – e aceitam-se de bom grado comentários (sobretudo discordantes)!

A loja de esquina que está na base do restaurante não é propriamente gigantesca e isso nota-se no aproveitamento do espaço, que está longe de ser desafogado nas duas salas que o compõem. E acreditem que ter que esperar (apesar de termos mesa reservada) no corredor acanhado, junto à porta de saída e em cima de uma mesa ocupada, tendo-nos que desviar sempre que alguém queria entrar ou sair, ou ir buscar um vinho à garrafeira a que estávamos encostados, não é propriamente agradável. A decoração também está longe de ser o ponto forte do espaço – dois ou três pormenores interessantes, mas, muito sinceramente, e numa nota pessoal, o comentário mais adequado será “Vassoureiro” (uma loja de mobiliário em pinho, tipicamente muito desarrumada, ali para os lados do Autódromo do Estoril). E, um último comentário – a insonorização das salas é claramente deficiente. Em lugar de absorver as conversas, parece que o amplia, o que, num espaço necessariamente pequeno, mas com bastantes mesas, resulta num ruído de fundo constante que obriga cada um a falar cada vez mais alto.

Bom, mas vamos ao que realmente interessa – a comida! E deixem-me dizer-vos que, o pão e o queijo do couvert são divinais – o nosso apetite também não era pequeno. Fomos muito pouco originais, e acabámos todos por pedir menús de degustação de 5 pratos. O primeiro era um creme de grão magnífico, uma óptima entrada para o jantar, acompanhada de um paté de aves com muito bom aspecto (que dizem que era bastante razoável – a minha aversão pessoal a patés fez-me perder este prato). Ainda atacámos pelo meio lascas de bacalhau com batata-palha fritas e um ovo estrelado, um prato um bocadinho diferente – mas que soube bem. Próximo prato – ameijôas e berbigão, o que tem sempre a desvantagem de ter que concorrer com a memória de qualquer pequena tasca autêntica no Algarve, no Verão… E depois, depois veio uma excelsa garoupa (não, esta não era de Ipanema) acompanhado de batata-doce, deliciosa. Por último, no menú degustação dessa noite, um cubo de entremeada com puré. Tudo isto regado por uma excelente selecção de vinhos (e surpreendentemente em conta), mas, aí, estávamos a fazer batota – levávamos o nosso próprio enólogo…

Sobremesas! Um conselho – se gostam de farófias, esse deve ser o último prato da refeição (foi a opinião unânime da mesa!). Desaconselho vivamente o bolo de chocolate (uma desilusão, muito seco, acimentado, e sem a riqueza de sabor que estava à espera) e a sopa de frutas (que, se sabíamos que era de frutas vermelhas, não estávamos à espera que fosse uma porção de compota – parecia claramente “Casa de Mateus” – com creme de natas). As sobremesas acabaram por ser uma clara desilusão (excepto as farófias).

Uma última nota para o serviço – muito bom, prestável, atenciosa, simpático e sorridente. A desilusão não veio desse lado – nem do preço, a rondar os €35.

Confesso que estava à espera de mais. Pelo nome, por se estar na presença de um espaço da moda em Lisboa, pela fama do dono. Se houve pratos muito bons (a garoupa e a sopa estavam deliciosas), se o serviço foi impecável, admito que acho que o espaço está sofrível, e a qualidade dos pratos variou muito. Mas… nem isso perturbou a despedida da Zara!

Tasca da Esquina
Tipo de cozinha: Petiscos (com um ou outro laivo de modernidade)
Horário: das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23h30 – Encerra ao domingo e encerra ao almoço de segunda-feira
Preço médio: 35€
Morada: Rua Domingos Sequeira 41C, Lisboa – 1350-403 Lisboa
Telefone: 21 099 39 39
Web: http://www.tascadaesquina.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

GPS: N38° 42.918 W09° 9.821 (Google / MapQuest)

Sofisticato

Pedro Rebelo, 2009/08/24

Já há pela web uma série de reviews ao restaurante Sofisticato mas mais uma não faz mal e além do mais todas as que por ai aparecem referem as pizzas. Fica a nota: Não há pizzas na actual ementa do Sofisticato. Não há nem fazem falta. Mas isso mais adiante.

Sofisticato. Em Santos. E sim, é sofisticado. Basta passar à porta para perceber mas assim que se passa “pela” porta acabam-se as dúvidas caso existam. Recebidos à chegada pela encantadora Sara e pelo não menos simpático Samuel, é-nos indicada a nossa mesa. Foi reservada a de canto ao fundo da sala. Boa escolha para uma noite descontraída e disponível.

Restaurante SofisticatoA sala só por si é um luxo. Um ambiente cosy, moderno, linhas direitas com toques de dourado a darem a pitada de classy que a casa inspira. As vigas de ferro à mostra são colmatadas com meia pintura a roxo mostrando uma robustez com gosto. As mesas são cuidadosamente apresentadas, o padrão da toalha batendo com o padrão do guardanapo e que prazer é fugir ao guardanapo branco. Nada contra é certo mas, uma cor, um padrão, é sempre bom para variar. Aqui foi.

A ementa é-nos apresentada numa moldura dourada. Os luxos não devem ser modestos. E a sofisticação com classe é um luxo a merecer nada menos que uma moldura dourada. Outra moldura vem à mesa com a carta de vinhos. Uma nota para esta onde maioritariamente se apresentam vinhos italianos sendo de contar com dois ou três portugueses e duas escolhas a copo (uma de tinto e uma de branco) que não constam da carta. Não será porém preocupante pois em caso de desconhecimento a explicação e conselho de qual o melhor vinho para acompanhar determinado prato é prontamente dada.

Para a mesa o azeite balsâmico e o pão para entreter mas mesmo sem ele ficaríamos contentes. Guloso por demais, valeu o rápido serviço ou mais teria sido comido o que roubava espaço ao prazer das iguarias por vir.

De entrada um Carpaccio dello Chef, finas fatias de novilho cru, com pequenas lascas de cogumelos frescos, queijo parmesão, cortes de aipo e molho de mostarda em grão. Acreditem, entendidos ou não, deixem lá a rúcula para os coelhos. Entre o aipo e a mostarda venha o diabo e escolha. Uma combinação de outro mundo.

Para a mesa vieram também as Polpette di Parmigiano e antes que as apresentem digo-vos já que só por si, estas bolinhas davam uma excelente refeição. São umas almôndegas, de bom tamanho, panadas, de queijo fumado, queijo parmesão e fiambre. Em dose grande para entrada, estas densas iguarias são de um ligeiro picante (dever-se-à ao queijo fumado) que vai tomando conta do paladar aos poucos. Tal como referi atrás, só por si, uma refeição.

A cada prato entrado a apresentação devida e o cruzar de conversas é constante. Quer a Sara quer o Samuel são bons conversadores e com noção dos timings. A casa é evidenciada mas acima de tudo fala-se da experiência da mesa, do comer, do beber e do estar.

Eis os pratos principais. Risotto Verde. De grão graúdo com espargos silvestres e espinafres, alho francês em boa dose e um toque de manjericão. Verde sem qualquer dúvida. Consistência ideal, o prato mais não mostra porque risotto é risotto. Muito bom e fica a dica: Um só toque de decoração. Não distrai do conteúdo e ajuda aos olhos que como sabemos, também comem.

No SofisticatoE é chegada a vez do Spaghetti Neri Alla Astice que é como quem diz, um prato de esparguete negro, meio lavagante aberto e com casca, algumas gambas (estas descascadas como pede o bom senso), boa dosagem de ameijoas frescas e limpas e muito tomate cherry, flambeado em brandy e vinho branco. A experiência do marisco com a massa é, infelizmente, pouco usual por terras lusas mas, tal como nos disse o Chef, Alessio Carrer, não é fácil cozinhar esta mistura, tem “segreto“. E uma coisa é certa, funciona. E de que maneira.

Infelizmente era o único a beber (entenda-se beber como beber e não provar que foi o que fez a Susana) e seria quase sacrilégio pedir uma garrafa de um qualquer dos italianos da carta e deixar por meio (o quente da noite não chamava a grande aventuras etílicas) e assim sendo optei pelas sugestões do copo sendo que provei um Fiuza 3 Castas para o branco e um Quinta da Alorna para o tinto. Acompanharam devidamente sem um qualquer encanto especial mas seria esperado. A refeição pedia algo mais no liquido e garantidamente a próxima visita ao Sofisticato vai proporcionar tal momento.

Para sobremesa, porque apesar de satisfeito uma refeição deste calibre não podia fechar sem uma sobremesa, a escolha recaiu sobre a Panna Cotta com molho de frutos vermelhos. De entre as opções a mais leve ainda que havia por lá uns pêssegos que ficaram a tilintar mas que da próxima não escapam. A Panna Cotta estava especialmente boa, com uma textura e densidade que há muito não provava em tal doce e completamente em sintonia com a espessura do molho.

A refeição terminou como de costume com um café e um garoto que, não vindo tão claro como o requerido, pela excelência do serviço, simpatia e qualidade da comida, não mereceu novo pedido. A acompanhar dois cálices de Limoncello, oferta da casa, para complementar o gostinho a Itália.

Resumindo, a experiência no Sofisticato foi verdadeiramente boa. A disponibilidade da casa serviu para criar relação o que é particularmente interessante neste tipo de restaurantes em que, com alguma familiaridade se descobrem facilmente pérolas escondidas da carta. A sugerir e voltar garantidamente.

Restaurante Sofisticato
Tipo de cozinha: Italiana / Toque de autor
Horário: De terça a quinta e Domingo, das 18:30 às 23:00 – Sexta e Sábado, das 18:30 às 24:00
Preço médio: 35€
Morada: Rua São João da Mata 27, 1200-846 LISBOA
Telefone: +351 213 965 377
Pagamento: Numerário / Cartões

GPS: N38° 42.443 W09° 9.507 (Google / MapQuest)

A Taberna Ideal

Pedro Rebelo, 2009/08/11

Fim de tarde de Domingo. A ideia de ir conhecer A Taberna Ideal já cá morava e esta parecia ser uma boa oportunidade. Uma taberna, uma verdadeira taberna era o melhor que poderia acontecer aos comensais que acabavam de ter uma muito má experiência num exemplo de sucesso na restauração Lisboeta mas sobre esse assunto falará quando entender o meu amigo Ricardo. Hoje aqui, é A Taberna Ideal a estrela. Bem, não à Estrela mas em Santos (desculpem o trocadilho mas estava mesmo aqui à mão).

A nossa mesaChegados à Rua da Esperança 112 vimos de imediato que a casa estava já quase cheia. Desde logo bom indicador. Domingo de Agosto em Lisboa e restaurante cheio ou só de fama ou a comida tem mesmo que ser boa.

Fomos recebidos à porta pela Tânia a quem explicamos o infortúnio de não termos reserva (ficamos assim: se telefonarem para lá e vos atender o voice mail, não desistam, liguem novamente) e que de imediato se prontificou a ver se ainda por lá havia um cantinho para nós. Um chega daqui aperta dali, por nós sem problema, ficamos na mesa do canto. Era para dois mas com boa vontade, bom petisco e bom vinho cabem quatro à vontadinha.

A Taberna Ideal não é bem uma taberna no que toca ao seu ambiente e até mesmo estilo visual.

Imaginem-na mais (enquanto lá não vão) como a sala de estar da avó que quando esta vai à missa, o avô transforma em tasca p’rós amigos. Ai está. A Taberna Ideal. Entre mesas e cadeiras sem par, mármores e madeiras bem usadas e faianças entre a flor e o cavalinho eis que nos é apresentada a casa. Na sala temos a Tânia, o Rafael e a Cláudia. Na cozinha, de mão cheia, a Susana. A ementa, bem meus amigos (sim, que ali facilmente nos sentimos em casa de amigos), está frente aos vossos olhos, escrita pelas paredes à vossa volta.

Diz-nos a Tânia que por ali se prega o espírito da partilha e que para quatro à mesa nos aconselha uma tiborna, dois petiscos e dois pratos. Que assim seja então e para entrada venha assim uma tiborna de queijo de cabra com alecrim e mel.Tiborna de queijo de cabra com alecrim e mel Este tão esquecido appetizer (gostaram?) adorado em tempos pelas gentes do Sul do pais apresentou-se aos olhos com a mesma cara que ao paladar: Lindo.

Para a mesa veio ao mesmo tempo, servidos em dose abundante, os ovos mexidos com alheira da casa sobre farta fatia de pão. Saborosos os primeiros e não menos a segunda. Tudo no ponto (e nem sempre é fácil quando se misturam enchidos ao ovo). A mesa ainda sem espaço e já esperavam por nós as migas de camarão. Ainda que não as imagine ao balcão de uma qualquer tasca a acompanhar um copito de 3, aqui ficaram muito, muito bem. Eles estavam mesmo por lá…

Depois chegaram então os pratos principais. O rei da noite dava pelo nome de Cachaço de porco preto com migas de batata. A acompanhar vinha ainda uma salada de alface envinagrada q.b. (que o porco preto tem o seu quê…). Cachaço de porco com migas de batataTudo delicioso. As migas com a textura correcta e a peça de carne a desfazer-se na boca. Dizia-se por ali que o mais provável era pedir segunda dose de tão bom que estava.

O segundo prato foi uma adaptação livre e como tal um pouco mais demorada do pedido original. Ao ver que não havia mais massa fresca foi-nos questionado se estaríamos interessados noutro prato ou na mesma massa com camarões mas deixando a parte da fresca para outro dia. Venha de lá esse esparguete que fica a fresca para a próxima. Ora o esparguete normal tem um tempo de cozedura um pouco (simpático não?) maior do que a massa fresca. Valeu a espera. Cozido al dente, com os camarões descascados, bem salteada e com muita salsa. Uma vez mais, bastante satisfeitos.

Tudo isto foi regado a Quinta de Cabriz Tinto Reserva de 2005. Havia muito por onde escolher no campo vinícola e boa surpresa, muito vinho servido a copo. Venham mais casas Lisboetas a adoptar esta medida que todos nós agradecemos.

As sobremesas

Bolo de Cacau, Crumble de Maçã e Salame de Frutos SecosEstranhávamos não ver por ali qualquer referência às sobremesas. Bem procurávamos e, aparentemente, podíamos continuar a procurar… Uma vez mais a Tânia deu a dica: Crumble de Maçã, Bolo de Cacau ou Salame de Frutos Secos coberto com chocolate derretido (receita da avó, abençoada avó). Qualquer um dos propostos nos fazia pensar que a soma das partes seria algo de quase divinal. Assim foi. Foi-nos proposto uma combinação dos três que de imediato aceitamos e bem-dita a hora. O crocante do Crumble, o suave do cacau e o diferente, muito diferente salame… Fantástico.

A prova dos nove, aquela que já aterroriza algumas casas menos dadas a coisas simples, o garoto muito, muito clarinho, só leite quente com uma gota de café. Eis que chega perfeito à mesa. E não há cá pacotinhos de açúcar que na casa da minha falecida avó também não havia dessas modernices. Uma bonboneira de vidro com açúcar amarelo que também adoça e não faz tanto mal.

Finalizando, A Taberna Ideal fez nessa noite de Domingo novos amigos, daqueles que prometem voltar. E de preferência em breve que ainda lá há muito a experimentar.

Restaurante A Taberna Ideal
Tipo de cozinha: Portuguesa / Petiscos tradicionais com um toque urbano
Horário: De terça a sexta, das 19:00 às 02:00 – Sábado e domingo, das 13:30 às 02:00
Preço médio: 20€
Morada: Rua da Esperança 112-114, 1200-658 LISBOA
Telefone: +351 213 962 744
Pagamento: Numerário / ???

GPS: N38° 42.488 W09° 9.299 (Google / MapQuest)

Gemelli

Pedro Rebelo, 2009/08/04

Como já vem sendo tradição, o mês de Agosto é reservado para os restaurantes que se coleccionam durante o ano e que a presença da pequena Patrícia não nos deixaria apreciar convenientemente. Não que ela nãos se porte bem e à altura de um qualquer restaurante de primeira mas, como qualquer criança de 5 anos, o tempo que se aguenta sossegada numa cadeira de restaurante é por demais limitado para que se possa usufruir dos prazeres de uma aprumada amesendação (desculpem lá os que não gostam do termo mas, estas coisas neo-românticas sempre me fascinaram).

Desta feita o primeiro da lista foi o Gemmeli. A revista Blue Wine faz questão de o colocar entre as suas escolhas de eleição. O nome do Chef é referenciado quando se fala de modernidade, qualidade e apresentação. Muito bem. Vamos então descobrir os encantos do restaurante italiano que não tem pizzas ali à rua de São Bento.

A porta fechada recebe-nos com um aviso. Toque à campainha somente uma vez. Efectivamente não foi preciso mais que isso. A porta abre e umas escadas indica-nos que a sala de jantar será lá em cima. A recepção é logo à entrada após confirmação na lista da reserva efectuada. Consta. Estranhei não ver um sorriso mas nem todos nascemos com ele e isso nem sempre é mau sinal.

Levados à mesa de bom grado nos deparamos com uma mesa à janela, panorâmica, espaçosa. A rua lá fora, São Bento um pouco abaixo. Primeira observação, para um jantar às 22h30m a sala está bem composta.

A decoração é simples mas moderna e agradável. Começando nos pequenos candeeiros que pendem junto às mesas acabando nas básicas cortinas que protegem meia janela. Mais floreado desviaria a atenção do essencial: o que estava para vir.

Dois Martini bianco, em dose certa ainda que talvez com um pouco, só um pouco, de gelo a mais. Tempo dado para a devida conversa e chega à mesa um pequeno amuse bouche” em forma de sopa de feijão branco. Muito bom. Ainda a abrir um falafel com recheio de queijo que estava igualmente saboroso.

Vem depois o pão (que não podia faltar). 4 variedades diferentes, quente a pedir ser comido. O azeite extra virgem vem à mesa e por lá fica para nosso deleite e onde se espera que acompanhe a travessa de queijo Grana Padano. Por mim, mais um fã.

A dança de pratos começa então com um “pequeno pudim de camarão sobre cama biológica” onde uma leve almofada individual com sabor a camarão é servida sobre umas folhas de rúcula e pequenas folhas de alface tendo por companhia pequenos toques de pimento vermelho.

O prato seguinte foi uma pasta Orecchiette com legumes cortados finos, requeijão e um pesto de manjericão. Muito saborosa, lá arranjaram forma de me pôr a comer courgettes.

Para fechar os pratos de porte, um magnifico risotto de azeitonas negras desidratadas com finas fatias de novilho em topo e molho de fois gras. A consistência que se quer, num grão que ainda que grado, parecia o indicado para o prato.

A refeição acima foi convenientemente acompanhada na sua primeira parte (até ao risotto entenda-se) por um suave PV Branco (infelizmente sem registo datado), um Douro com uma acidez discreta e muito fresco. Já a segunda parte da refeição se fez sentir com o peso de um tinto que das Beiras nos trouxe um paladar encorpado e notas de fruta vermelha. Ao primeiro contacto o Quinta do Cardo 2005 marcou a boca mas de imediato se fez notar como um acompanhamento de bom tom.

A sobremesa apresentou-se na forma de um ragu de frutos tropicais com gelado de 3 sabores a saber: Café, Baunilha e Manjericão. Também aqui levado a comer os frutos que per si não comeria, entre a calda fresca lá se comeram e quanto aos gelados, enquanto a baunilha sendo boa não deixa história (por ser comum não por que não o mereça) o de café marca bem a posição e vinca o sabor. O manjericão ganha pela originalidade e pelo paladar que facilmente limpa a boca.

O café e o garoto (claro. Leite quente e gota de café em temperatura correcta) fecharam a mesa.

Nota final ao serviço que prestável e atencioso pecava por vezes pela suavidade com os pratos nos eram enunciados sendo que entre a voz baixa e a pronuncia afincadamente estrangeira por vezes levavam ao pedido de repetição. Nada que manche a ideia da casa.

O Gemelli está claramente aprovado e incluído na lista de regresso. Não é casa de todo o dia que o preço a tal não deixa mas é claramente mais um daqueles sítios a que vale a pena voltar para um bom momento de mesa.

Gemelli
Tipo de cozinha: Italiana com um toque de autor (ou vice-versa)
Horário: Das 12:30 às 15:00 e das 20:00 às 24:00
Preço médio: 45€
Morada: Rua Nova da Piedade 99 – 1200-297 LISBOA
Telefone: +351 213 952 552
Pagamento: Numerário / cartões

GPS: N38° 42.865 W09° 9.151 (Google / MapQuest)