Espaço Açores

Ricardo R Silva, 2009/06/20

O motivo? Bom, a Cláudia e o Miguel iam casar-se e, por isso, íamos todos jantar fora – um último jantar com toda a gente sem ter ainda assinado papelada. E, no meio de “onde é que se vai jantar?”, alguém disse “eu conheço um sítio”. Era este.

O Espaço Açores fica na Ajuda, no mercado, com uma vista que promete ser simpática sobre o casario até ao rio (nós fomos jantar… daí o “promete”… estava escuro…). A sala alberga cerca de 50 pessoas, num ambiente descontraído e moderno (linhas direitos, ferro, preto, madeira, basalto,…).

“E então?” perguntam vocês, “E o que é que se come?” – “Tudo” respondo eu “Sobretudo se forem à quinta-feira!”. Quinta-feira é noite de buffet. Ou seja, estão uns senhores simpáticos com um grande avental azul, numa mesa no centro da sala, onde nós nos deslocamos e somos “empurrados” a provar supimpas iguarias (como alheira, torresmos, alcatra, polvo, atum,…) em quantidade e sabor a desafiar qualquer dieta… especialmente a minha! Parece que têm também (mas não provei, não sei se estará incluído no buffet normal) moreia (sabem aquele peixe estilo cobra que nos filmes do Cousteau saía sempre de buracos para ir morder o mergulhador? – é esse!), peixe-serra (que não me lembro de ter provado em Portugal, mas que achei delicioso onde provei – e vai ser uma razão para voltar a este restaurante), mero, cozido das furnas (mas, sem furnas por perto, deve perder parte do encanto…), arroz de lapas… Delicioso! E a prometer muito!

Sobremesas? Ainda têm “espaço”? Bom, há barriga de freira, há milhares de pudins de fruta, há queimada de ovos, há espera-maridos (outra boa razão para lá voltar!), tigelada de São Miguel,…

Se querem passar por uma experiência de gastronomia açoriana, sem ter que apanhar o avião ou o barco (sobretudo o barco, que balança muito e demora muito tempo), aconselho-vos a experimentar este restaurante. Não é necessariamente barato (sem ser escandaloso, nomeadamente para o que devorámos), mas é bom. A única questão é que… sejamos sinceros, não tem o sotaque açoriano…

Espaço Açores

Tipo de cozinha: Açoreana
Horário: De quarta a segunda, das 12h às 24h (encerra às terças)
Preço médio: 30€
Morada: Largo da Boa Hora Loja 19 Mercado da Ajuda – Lisboa
Web: http://www.espacoacores.com/
Mail: restaurante@ espacoacores.com
Telefone: +351 21 364 08 81 / +351 31 364 03 53
Pagamento: numerário, multibanco, cartões de crédito

GPS: N38° 42.229 W09° 11.820 (Google / MapQuest)

Barra Ibérica

Ricardo R Silva, 2009/06/12

Não podemos dizer que seja exactamente um restaurante grande. 7 ou 8 mesas, espalhadas pela sala, com um balcão como ponto de apoio lateral, uns quadros na parede a colmatarem um espaço que tem o castanho e o vermelho como cores dominantes. Para quem gosta de tapear e não se importa muito com o preço, este é um local a ir…

Esqueçam a ideia de pedir uma entrada e depois um prato! Aqui o objectivo é mandarem vir o polvo, os mexilhões, as favinhas, o queijo com mel e nozes, o presunto, as tortilhas, a farinheira e irem misturando tudo com os vossos amigos. A ideia é irem provando tudo de cada prato (mas atenção, porque as doses são as de tapas, ou seja, mínimas), saboreando cada garfada… E apreciando um bom vinho, que sempre ajuda a acrescentar mais sabor e vida a cada segundo (escolha pessoal – Marquês de Cáceres).

No final… deixem-se perder pelas sobremesas! A dieta já está perdida mesmo, portanto… Da última vez que lá fui, acabei por (gentilmente) devorar um petit gateaux, mas uma vez, há muito tempo, encontrei-me lá com uma tarte de chocolate com frutos silvestres capaz de acabar com a fidelidade de qualquer relação! (felizmente, a tarte em questão não estava disponível desta vez)

Talvez por ser uma quarta à noite, talvez pelo preço deste restaurante (um jantar vai facilmente para os €50 por pessoa…) o que é certo é que éramos praticamente só os dois no restaurante. Excelente! Porque se é um óptimo sítio para um jantar de amigos que de vez em quando gostem de se cuidar bem, também pode ser uma boa escolha para ir só com uma pessoa.

Barra Ibérica
Tipo de cozinha: tapas
Horário: Seg a sáb, das 19h à 01h00
Preço médio: 50€
Morada: Calçada da Ajuda, 250 – Lisboa
Telefone: +351 21 362 60 10
Pagamento: numerário, multibanco

GPS: N38° 42.184 W09° 11.969 (Google / MapQuest)

Cantinho do Cais

Bruno Tiago Rodrigues, 2009/05/16

Açores. A tradição diz que o povo português é hospitaleiro e que gosta de receber bem. Aqui não se encontra a excepção. À conversa com um natural de Ponta Delgada, e apresentando os planos de visitar a costa norte de S. Miguel, a conversa foi interrompida com um sonoro “Se vão lá, tem que ir a Porto Formoso, ao Jorge!”. E assim fomos. Porto Formoso é uma pequena aldeia ligada à pesca como tantas outras e não foi difícil uma mão cheia de restaurantes na rua principal. E o Jorge? Perguntámos a um local pelo Jorge. E o Jorge era ali mesmo ao lado, o “Cantinho do Cais”. Só que tinha mudado “para outra freguesia, São Brás, um pouco mais acima” (sic). O “Cantinho do Cais” deixara de o ser o restaurante escondido junto ao cais e ganhara novas instalações condignas e merecedoras da fama.

Fomos recebidos pelo dono da casa, que nos serviu e com o qual trocámos algumas impressões sobre o seu espaço, sobre a recomendação que nos tinham feito e sobre a sua cozinha. O peixe e o marisco aqui são reis e a refeição deixou saudades. A sopa de peixe (obrigatória) para a entrada, umas lapas grelhadas divinais e depois o “molho de peixe”. O “molho” é uma curiosa mistura de ensopado com caldeirada e a dose gigante servida em tacho de barro e que por aqui é prato obrigatório. No intervalo, uma piscadela de olho a uma abrótea frita. A menção a “peixe frito” revolta alguns aparelhos olfactivos e gustativos, mas aqui houve uma honrosa excepção e comprovou-se que era apetecível e saboroso. Perante tal barrigada, a hipótese de provar sobremesa desaparecia rapidamente do horizonte, mas as queijadas (outro ex libris da casa) cairam mesmo muito bem.

Ambiente familiar, preço muito acessível, atendimento atencioso e, sem dúvida, o peixe fresquíssimo. Só chateia mesmo estar a 1500Km de distância…

Cantinho do Cais
Tipo de cozinha: tradicional (peixe)
Horário: Aberto todos os dias das 08h às 24h
Preço médio: 20€
Morada: R. do Ramal de S. Brás 9625-502 São Brás – Ribeira Grande
Telefone: +351 296 442 631
Pagamento: numerário, multibanco

GPS: N37° 49.234 W25° 24.805 (Google / MapQuest)

Ideal

Alexandre Abreu, 2009/03/08

Tavira off-season. Não sou adepto do Algarve nos meses mais “in” e só por isso não tive que reservar mesa no “Ideal” em Cabanas de Tavira. Famoso (pelo menos para mim) pelos pastéis de polvo e polvo de tomatada, descobri agora uma nova iguaria. Segundo me explicaram, é difícil conseguir provar a Sopa do Mar no pão em alturas de enchente. Mesmo nesta altura só a descobri ao ver tanto pão alentejano a ser entregue nas mesas à minha volta. Quebrei a regra e repeti o mesmo restaurante numa estada de 4 dias em Tavira só para poder reservar a dita sopa que parecia tão famosa. Provei… e valeu a pena repetir a ida ao “Ideal”. Recomendo vivamente. No meu caso, éramos 2 e meio (o puto ainda não conta sequer para uma meia-dose) mas 2 sopas e uma dose de pastéis de polvo foi o suficiente para a mesa. O ambiente é muito simpático e bem longe da azáfama típica dos meses de Verão.

Ideal
Morada: Rua Infante Dom Henrique 15 – Cabanas – Tavira
Telefone: +351 281370232
Pagamento: numerário, multibanco

GPS: N37° 8.133 W07° 36.083 (Google / MapQuest)

Novo Altair

Ricardo R Silva, 2008/12/28

Já tinha combinado comigo próprio que, da próxima vez que aqui viesse, tinha que escrever qualquer coisa para o “no prato”. Bom, a ocasião surgiu ontem, aquando do jantar do “emigrante retorna a casa por altura do Natal, para comer bacalhau e matar saudades da família”, ou seja, a noite em que, ao menos uma vez no ano, reunimos os nossos amigos que agora estão expatriados. O ano passado foi algures no Bairro, este ano foi ali para os lados do Dafundo, no mítico “Novo Altair”.

E perguntam vocês “O que é que o Novo Altair tem de especial?” E a resposta é, “Se não gostam de fondue, nada”. Agora, se gostam…

Pois é exactamente isso que o “Novo Altair” é – um restaurante com uma ementa recheada de fondues de todas as maneiras e feitios! Por isso, se não são apreciadores de cozinhar a vossa própria comida no meio de uma multidão e confusão de gente a trocar garfos, a pedir batatas e molhos e perguntas de “achas que já está? Gosto do meu mal passado”, não vão lá. Mas, se, por outro lado, gostarem do aspecto social da coisa, de estar sempre a trocar pedaços de carne ou de camarão ou de cherne com outras pedaços, de “já perdi o meu garfo!”, de inventarem sempre qualquer coisa com molhos trocados e de discussões de “já está!” / “não está nada!”, então, têm que ir lá.

A única parte da refeição em que não comemos fondue foi na entrada. Foram uns tabuleiros com entradas variadas que, muito sinceramente, não ficaram na minha cabeça. Já as fondues bourguignon especial (com carne de vaca e tiras de porco preto), a mítica mongol (basicamente, guisada, com camarão, peixes variados, ‘carpaccio’, legumes e em que, no final, se bebe o caldo) e a inevitável fondue de queijos com bacon (uma bomba de colesterol e lípidos que estava deliciosa!) estavam divinais! Acompanhadas por uma míriade de molhos de diversas tonalidades e sabores, batatas fritas, arroz, fruta (para cortar o sabor agressivo) e “Quinta do Cabriz”, ficaram deliciosas! (desta vez, não fomos para a raclette, mas, quem gostar, não perca…)

Para rematar (e antes do café),  nada como variar. Fondue de baunilha, que não provei, mas que devia estar muito boa, tal o sucesso entre os meus amigos, que me deixaram com a ‘ingrata’ tarefa de ‘arrumar’ com uma fondue de chocolate para 2 pessoas, com fruta, bolachinhas e topping de noz ou avelã moída… e ainda há quem diga que o Paraíso não existe…

Só mais dois apontamentos. As fondues são para 2 pessoas, mas isto tem mesmo piada é andar a misturar tudo com toda a gente – no fundo, um ‘swing’ de fondue… O segundo apontamento é que, se não quiserem, não precisam de ir para as fondues (já agora, alguém sabe se fondue é masculino ou feminino? Ainda não percebi!) – também há bifes (um dos indefectíveis atacou um bife pimenta com muito bom aspecto) e peixe grelhado (pelo qual eu não trocaria uma fondue, mas há gente para tudo…).

No final… €40! Mas, também, um excelente jantar! Caótico, com muita carne e peixe a boiarem, garfos a serem transportados de mão em mão, conversas animadas. Se gostarem de fondue, é garantido que têm que ir lá.

Novo Altair
Tipo de cozinha: fondue
Horário: Terça a Sábado das 19h30 às 02h00
Preço médio: 40€
Morada: Rua Sacadura Cabral, 54, Dafundo – Algés
Telefone: +351 21 419 62 51
Pagamento: numerário, multibanco

GPS: N38° 42.063 W09° 14.969 (Google / MapQuest)

Três 15 Dias

Ricardo R Silva, 2008/12/03

Uma boa surpresa em Setúbal.

A Ângela por um lado parecia bem entusiasmada quando dizia que nos queria levar àquele restaurante naquela noite, mas ao mesmo tempo, misturava palavras de cautela (“eu nunca fui lá!”), como se precavendo de uma possível desilusão, de nos estar a conduzir a um flop. Mas a Ângela não podia estar mais certa na sua escolha!

O “Três 15 Dias” é um pequeno restaurante no meio de Setúbal, relativamente perto do centro formado pela Avenida Luisa Todi, numa casa antiga restaurada que se vai desdobrando em salas, quartos, corredores, garagem e pátio interior, todas elas pequenas divisões com não mais do que 2 ou 3 mesas, por entre objectos do quotidiano anos 30 ou 50, anúncios e dizeres antigos de 1900 e troca o passo, pinturas realistas com toques de surrealismo kitsch (isto está tudo muito bem… mas com uma pistola???) em paredes laranja pintadas em grandes pinceladas. Tudo isto enquadrado pela Mariza a cantar fados da Amália (o que, confesso, a partir da 3ª repetição, começou a ‘encher o ouvido’). Tudo, uma combinação que prometia, que fazia logo viver um ambiente de… boa onda, ideal para começar o fim-de-semana (ou perfeito para trazer a miúda certa).

“Qual é a especialidade?” (perguntei, aludindo ao sinal que indicava um consultório médico pespegado à frente da nossa mesa), “Petiscos” responderam-me. Ok, vamos a isso. Posso garantir-vos que recomendo vivamente! Especialmente a variedade de queijos panados (de comer e chorar por mais)! Mas os cogumelos gratinados (hum!), os peixinhos da horta, a salada de choco (claro! Estamos em Setúbal!) e os ovos de codorniz também são claramente recomendáveis!

Pratos principais? Bem, se ainda conseguirem ingerir mais alguma coisa, recomendo o arroz de pato – estava divinal! O bacalhau à Três 15 Dias, com puré de batata, também não estava mal, mas o arroz de pato… Hum… Entretanto, já não estava no plano, mas quando me põe um ‘petit gateaux’ (miau…) à frente… Bom! Teve que marchar! E garanto-vos que foi mesmo um remate com chave de oiro!

Em suma, pode ter sido da companhia (costumo ter muita sorte, mas desta vez, dificilmente poderia ser melhor), mas este é definitivamente um restaurante a repetir! Com um grande sorriso de boa onda no rosto!

Três 15 Dias
Tipo de cozinha: portuguesa (com um ou outro apontamento de fusão)
Horário: Segunda a Quinta das 8h30 (sim, dá para ir lá tomar o pequeno-almoço) às 24; Sexta e Sábado das 8h30 às 02h00
Preço médio: 20€
Morada: Av dos Combatentes. Nº40 2900-328 Setúbal
Telefone: +351 265 104 769
Pagamento: numerário, multibanco

GPS: N38° 31.498 W08° 53.832 (Google / MapQuest)