Janeiro, 2010

Charcutaria Francesa

2010/01/20
Não foi difícil arranjar lugar – o meu carro ficou no topo da Rua da Imprensa Nacional, o que, considerando a área da cidade, até nem foi nada mau! Mas também poderia ter usufruido do sistema de estacionamento gratuito do restaurante – um serviço de “valet” (alguém sabe a expressão portuguesa?), em que largamos o carro à porta e um simpático senhor o vai estacionar por nós. Se pensarmos que estamos a dois passos da Assembleia da República, a 200 metros do Príncipe Real e algures entre Santos e o Bairro Alto, talvez essa até poderia ser a melhor opção. Mas não foi a minha – desci a rua, 200 metros, cortei para a esquerda e hop, já estava no restaurante. Um espaço pequeno, mas bem arranjado, acolhedor, simpático - prometia!
O buffet de entradinhas estava supimpa – pequenos petiscos, que se saboreavam na boca, degustativamente, como um shot de caldo verde frio, caldo verde seco com feijão, bruschetta, salmão crú, milho frito,… Bom! Para acompanhar escolhemos um dos vinhos que estava em saldos – e acreditem que o que bebemos, por €5 a garrafa é um achado ao nível de um preço de supermercado, portanto, bendita promoção… Carta fixa não há – mas há um menú competentemente recitado por um dos donos do restaurante. As opiniões claramente dividiram-se nesta altura, mas eu não fui capaz de resistir a um polvo com mel e pinhões com a promessa de um sabor forte e requintado – e eu adoro quando cumprem as promessas que fazem! Outras escolhas incidiram sobre o esparguete negro com gambas (elogiado . mas não demasiado), filetes de pampo envoltos em presunto com legumes (referido como “muito bom” – vou acreditar, porque realmente tinha um aspecto delicioso, digno de envaidecer qual Prof Pampo, mestre de cartomância e adivinhação), e uma lebre estufada com cogumelos (que, felizmente, saltou para o prato do deliciado conviva em questão).
Sobremesas – não resisti a um petit gateau com bola de gelado. Não há nada a fazer, a minha perdição é o chocolate e quem não o soubesse passa agora a sabê-lo (mas é um segredo mal guardado, portanto,…). Também houve quem optasse por uma pêra (em forma de fatia de bolo!!!!) com a supracitada bola de gelado - pessoalmente, acho que a minha escolha foi a melhor!
Um restaurante bem localizado, agradável, em que se come bem, com um serviço simpático. E com bons vinhos (a bons preços…). Por cerca de €26,5 por pessoa. Recomendo! A única coisa que também recomendaria era que mudassem o azeite de degustação das entradas – mas acho que isso também diz que gostei bastante do restaurante, não é?
P.S- A seguir ainda fomos beber um copo a Santos. Percebi que poderia ser pai de muitas das criaturas noturnas que por lá andavam…
Charcutaria Francesa
Tipo de cozinha: Portuguesa com ligeiros tiques experimentais - isto tem um nome específico?
Morada: Rua Manuel Bernardes, Nº5 a/b 1200-250 Lisboa
Horário: almoços – das 12h às 15h de segunda a sexta; jantares – das 20h às 00h00 de segunda a sábado
Telefone: 91 758 82 81
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Confraria

2010/01/10

Este post estava no congelador há muito tempo. É daquele tempo em que, para conservarmos qualquer coisa, tínhamos mesmo que a colocar no congelador para a proteger do calor de Agosto, e não apenas deixarmo-la ao ar frio de Janeiro. E o restaurante não merecia esta demora…

A confraria é um restaurante de sushi em Cascais – no edifício em que antes funcionava a casa de chá “Mise em scene”, bem ali ao lado do Parque da Gandarinha, do Museu do Mar e da novel Casa das Histórias dedicada a Paula Rego. Tem uma esplanada pequena e uma sala que também não é propriamente muito grande, decorada… como quase todos os outros restaurantes de sushi em Portugal. Mas está-se bem lá.

A sopa miso estava excelente – apesar de na altura não me parecer agradabilíssimo comer algo quente naquela noite, aposto que hoje saberia muito melhor… E o sushi é excelente! Se gostam de maradices (em termos gastronómicos) como eu, aconselho-vos um dos sushi quente, nomeadamente o “shake cherse hot” – delicioso, com a profusão de sabores diferentes a saltar no paladar! Mas não deixem de provar garyo e uramaki panko – confesso que não vos consigo dizer exactamente por quê, mas tenho a indicação nas notas do meu telefone a dizer que são imperdíveis! Confiem!

Foi um bom jantar! Num bom restaurante! Com excelente sushi! O preço é que é upa-upa – pagámos €50 por cabeça. Mas a qualidade foi inquestionável.

Confraria
Tipo de cozinha: Sushi
Horário: domingo a quinta, das 12h00 às 24h00; sextas e sábados, das 12h00 às 02h00; encerra às segundas.
Preço médio: 50€
Morada: Rua Luis Xavier Palmeirim, 14 – Cascais
Telefone: 21 483 46 14
Web: http://www.confrariasushi.com/
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Tasca da Esquina

2010/01/09

Na esquina… com amigos…

Quinta-feira à noite, com dois objectivos em agenda: despedirmo-nos condignamente da Zara (que, mais uma vez, finda a altura do ano de “voltar a casa para ver a família e saborear bacalhau e filhós”, voltava para a sua terra adoptiva) e conhecermos a Tasca da Esquina, o novo projecto do Vítor Sobral, ali, numa esquina ao fundo da Ferreira Borges – uma visita que, dados os comentários e a expectativa, se impunha. Antes de mais, uma nota – a minha expectativa elevada é capaz de ter influenciado a minha percepção… Dito isto, vamos a isso – e aceitam-se de bom grado comentários (sobretudo discordantes)!

A loja de esquina que está na base do restaurante não é propriamente gigantesca e isso nota-se no aproveitamento do espaço, que está longe de ser desafogado nas duas salas que o compõem. E acreditem que ter que esperar (apesar de termos mesa reservada) no corredor acanhado, junto à porta de saída e em cima de uma mesa ocupada, tendo-nos que desviar sempre que alguém queria entrar ou sair, ou ir buscar um vinho à garrafeira a que estávamos encostados, não é propriamente agradável. A decoração também está longe de ser o ponto forte do espaço – dois ou três pormenores interessantes, mas, muito sinceramente, e numa nota pessoal, o comentário mais adequado será “Vassoureiro” (uma loja de mobiliário em pinho, tipicamente muito desarrumada, ali para os lados do Autódromo do Estoril). E, um último comentário – a insonorização das salas é claramente deficiente. Em lugar de absorver as conversas, parece que o amplia, o que, num espaço necessariamente pequeno, mas com bastantes mesas, resulta num ruído de fundo constante que obriga cada um a falar cada vez mais alto.

Bom, mas vamos ao que realmente interessa – a comida! E deixem-me dizer-vos que, o pão e o queijo do couvert são divinais – o nosso apetite também não era pequeno. Fomos muito pouco originais, e acabámos todos por pedir menús de degustação de 5 pratos. O primeiro era um creme de grão magnífico, uma óptima entrada para o jantar, acompanhada de um paté de aves com muito bom aspecto (que dizem que era bastante razoável – a minha aversão pessoal a patés fez-me perder este prato). Ainda atacámos pelo meio lascas de bacalhau com batata-palha fritas e um ovo estrelado, um prato um bocadinho diferente – mas que soube bem. Próximo prato – ameijôas e berbigão, o que tem sempre a desvantagem de ter que concorrer com a memória de qualquer pequena tasca autêntica no Algarve, no Verão… E depois, depois veio uma excelsa garoupa (não, esta não era de Ipanema) acompanhado de batata-doce, deliciosa. Por último, no menú degustação dessa noite, um cubo de entremeada com puré. Tudo isto regado por uma excelente selecção de vinhos (e surpreendentemente em conta), mas, aí, estávamos a fazer batota – levávamos o nosso próprio enólogo…

Sobremesas! Um conselho – se gostam de farófias, esse deve ser o último prato da refeição (foi a opinião unânime da mesa!). Desaconselho vivamente o bolo de chocolate (uma desilusão, muito seco, acimentado, e sem a riqueza de sabor que estava à espera) e a sopa de frutas (que, se sabíamos que era de frutas vermelhas, não estávamos à espera que fosse uma porção de compota – parecia claramente “Casa de Mateus” – com creme de natas). As sobremesas acabaram por ser uma clara desilusão (excepto as farófias).

Uma última nota para o serviço – muito bom, prestável, atenciosa, simpático e sorridente. A desilusão não veio desse lado – nem do preço, a rondar os €35.

Confesso que estava à espera de mais. Pelo nome, por se estar na presença de um espaço da moda em Lisboa, pela fama do dono. Se houve pratos muito bons (a garoupa e a sopa estavam deliciosas), se o serviço foi impecável, admito que acho que o espaço está sofrível, e a qualidade dos pratos variou muito. Mas… nem isso perturbou a despedida da Zara!

Tasca da Esquina
Tipo de cozinha: Petiscos (com um ou outro laivo de modernidade)
Horário: das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23h30 – Encerra ao domingo e encerra ao almoço de segunda-feira
Preço médio: 35€
Morada: Rua Domingos Sequeira 41C, Lisboa – 1350-403 Lisboa
Telefone: 21 099 39 39
Web: http://www.tascadaesquina.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário