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O Albertino

2008/07/01

Foi ao final de tarde de um dia chuvoso, lá para as bandas da Serra da Estrela. Passámos várias placas a dizerem que “O Albertino” era já ali (a população da terra deve ter pouca imaginação para nomes de restaurantes, ou o original já fundou um pequeno império serrano) e, chegando ao empedrado da vila, estacionámos, apeámo-nos e ficámos sob o lusco-fusco, durante 2 segundos, a pensar o que nos esperava dentro daquela casa de 3 andares, de granito, de onde podíamos já adivinhar o cheiro das iguarias que íamos provar

Todo o santo dia estivemos a entrar e a sair de carros, sob a ameaça mais ou menos constante de chuva, que, de vez em quando, decidia que “agora é que é!” e descarregava no pessoal cá em baixo, que, enfim, só estávamos ali para encontrar uns tupperwares (quem não perceber esta, não se preocupe, salte à frente ou vá a “www.geocaching.com”). Numa dessas ocasiões, em que estávamos abrigados por baixo de uma grande árvore ao pé de um convento, começou a discutir-se a ‘janta’! “Onde é que vamos jantar”, “É aqui!”, “Podíamos ir antes ali, que eu conheço e…” e, de repente, um nome começou a tornar-se unânime – “Temos que ir a ‘O Albertino’, a Folgosinho, porque lá é que se come bem”! Bem, a mim, parecia-me um sítio tão bom como outro qualquer e, como tal (e também porque, confesso, estava de boleia e não me dava muito jeito fazer 50 quilómetros a pé pela serra até ao parque de campismo), embarquei no jantar. Mal sabia eu o que me esperava…

Subimos as escadas, para o andar da sala onde estávamos instalados, repartimo-nos pelas 2 mesas corridas paralelas e… primeira notícia… “Aqui não escolhem nada! Comem da ementa única que há!”. Segunda notícia – “São 5 pratos seguidos e comem à vontade!” Ui! Uma mistura de menu de degustação com “all you can eat” em versão serrana… isto prometia!!! (nota: na realidade, também é possível escolher os pratos ‘individualmente’, sem ser neste menu fixo mas… para quê??)

Bem, deixem-me dizer-vos que, depois de nos termos atirado ao pão e ‘entradinhas’ (hmmm! Chouriço, morcela, queijo…) como se não houvesse amanhã, é que o “campeonato” começou a contar. A partir daqui eu tenho alguma dificuldade em diferenciar as notas que tirei nessa noite. Não por nenhuma questão… “etílica”, mas porque os adjectivos que encontro mais profusivamente nas notas são “saboroso”, “fabuloso” e “se eu não soubesse que ainda faltavam 3 pratos repetia este 5 vezes”. Mas, enfim, deixem-me dizer-vos que o arroz de cabidela de coelho estava bem saboroso (mesmo para quem não adora propriamente cabidela, como é o meu caso), a feijoada de javali (o Obélix andou a apanhá-los na noite anterior) estava excelente (devo dizer que eu gosto de javali…), a vitela estufada estava muitíssimo boa, o cabrito no forno (hmmmm! Cabrito!) estava divinal (mas parece que me queixei do sal…) e o leitão assado (que, como toda a gente sabe, deve ser comido com laranja) estava fabuloso, de bater no vizinho da frente e tentar arrancar-lhe o nariz! E, para rematar… leite creme (mas daqueles bons!), queimado com ferro! O adjectivo a empregar é “delicioso”! Também havia arroz doce (regular… acontece) e requeijão com doce de abóbora (que, tal era o meu estado de ‘gravidez’, já nem consegui tocar).

Ah! Estou a esquecer-me de um pormenor importante. Depois de termos comido (cada um de nós) 5 pratos com um nível calórico semelhante ao de uma refeição de qualquer adolescente norte-americano no McDonald’s (à volta das 20000 calorias), pagámos…  €12,5 (cada)…

Bem, concluindo! Se estão de dieta, e querem transformar-se num qualquer ícone da moda anoréctico, não vão a “O Albertino” em Folgosinho. Em qualquer outra situação (ou seja, se forem um comum mortal, especialmente à procura de um qualquer prazer hedonístico gastronómico serrão), estão compulsivamente obrigados a ir procurá-lo! Ah! E aproveitem e dêem uma volta a pé por Folgosinho – a aldeia merece (é bem bonita), está num local espectacular, e vocês vão ter que abater o jantar, se querem caber entre o volante e o banco do condutor…

O Albertino - Folgosinho
Tipo de cozinha: portuguesa / serrana
Horário: Terça a domingo das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 21h00(aos Domingos só servem almoços) (nota: encerrado nas três primeiras semanas de Setembro)
Preço médio: 12,5€
Morada: Largo do Adro de Viriato N.º 8 / 6290-081 Folgosinho
Web: http://www.oalbertino-folgosinho.com
Telefone: +351 238 745 266
Fax: +351 238 748 037
Pagamento: numerário, multibanco

Garbo’s

2008/04/14

[O no-prato.com dá as boas vindas a um novo colaborador, Ricardo Silva, que segundo as suas palavras, gostava de ser “um daqueles tipos que vão comer a restaurantes e depois mandam uns bitaites. “]

Chamam-lhe “As Suecas”. “As Suecas” é um pequeno restaurante (cujo nome verdadeiro andará algures entre “Garbo’s”, “Garbo’s Bistrot” e “Garbo’s Gazebo”, dependendo se nos guiamos pela placa à entrada, o nome do restaurante no ‘guia’ da Casa da Guia ou uma simplificação do nome), que na realidade mais parece um quiosque grande (sim, sim, daqueles que vendem jornais) em pleno parque da Casa da Guia. Fica mesmo ao lado do “SushiGuia“. E sim, para quem conhece a área, tem uma esplanada bem sobre a falésia, daquelas onde apetece ficar horas numa noite quente de Verão, prolongando o jantar com umas bebidas frescas e boa companhia, a observar o recorte da costa da Boca do Inferno ou os barcos dos pescadores lá em baixo (ou, após umas pedaladas na ciclovia do Guincho num Domingo de manhã, a almoçar com vista directa para o azul do Atlântico). O restaurante (’bistro’? Não sei, confesso a minha ignorância no que respeita a estas nomenclaturas, pior ainda se for “Gazebo”) deve o seu nome informal (ninguém lhe chama “Garbo’s”, toda a gente o designa como “As suecas”) às cidadãs de origem nórdica que servem à mesa e que, para além de se distinguirem pela melena dourada, de vez em quando resolvem conversar numa língua pouco mais que gutural e absolutamente incompreensível para o comum dos mortais (salvo se falar sueco…).

Bem, e o que é que se come? Começando pelo início, deixem-me falar daquela pasta para barrar no pão que é absolutamente divinal e que costuma anteceder seja que género for de pedido. Eu não sei o que é aquilo (não se encaixa nas minhas definições típicas de manteiga, margarina, pasta de atum ou de sardinha), mas sabe bem! Depois podem sempre pedir-se umas entradas, que podem ir desde salada de rúcula até estranhas entradas com salmão (’salmão marinado com molho hovmäster’) ou ‘tostas skagen’ – um conselho, votem no exótico, salada de rúcula há em todo o lado!

O menu apresenta uma variedade de pratos, uns mais suecos que outros (acho que a ‘picanha completa’, a ‘bolognesa da casa’ ou a ‘moqueca de peixe’ não são invenções nórdicas), mas, normalmente, há duas ‘famílias’ de pratos que valem definitivamente a pena. As saladas costumam ser excelentes, quer sejam de ‘mozzarela com óleo de pesto’, de ‘bluecheese’ ou ‘grega’ (ou então essa salada de saladas que é a ‘da casa’, uma mistura de todas as outras). A outra grande opção costumam ser as pizzas! É natural que neste momento se estejam a perguntar “Mas este tipo vai comer pizzas para um restaurante com nome sueco?”. A resposta é “Sim! Porque são boas!” Na realidade, costumam ser deliciosas, bem simples, finas e estaladiças – normalmente, de comer e chorar por mais! Têm um outro pormenor: todas as pizzas têm nomes imediatamente associados à Suécia, seja personagens de histórias infantis, governantes históricos, jogadores de futebol, lojas de mobiliário, modelos,… (na realidade, tornou-se uma piada fácil dos meus amigos anunciarem que num determinado dia comeram ‘x’ – normalmente, uma pizza Helen Svedin…).

Para acabar, sobremesas! Aconselho a ‘Applecrumble com molho de baunilha’ ou os ‘kanelbullar’ (bolinhos de canela). Ou, se forem viciados em chocolate como eu, o ‘fudge de chocolate’.

Bom apetite!

Garbo’s
Tipo de cozinha: sueca (mas com umas valentes adaptações ao gosto nacional)
Horário: das 12h às 24h
Preço médio: 15€
Morada: Casa da Guia - EN 247 -Guia - 2750-374 Cascais
Telefone: +351 916744430 / +351 965357030
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito