Lisboa

Gemelli

2009/08/04

Como já vem sendo tradição, o mês de Agosto é reservado para os restaurantes que se coleccionam durante o ano e que a presença da pequena Patrícia não nos deixaria apreciar convenientemente. Não que ela nãos se porte bem e à altura de um qualquer restaurante de primeira mas, como qualquer criança de 5 anos, o tempo que se aguenta sossegada numa cadeira de restaurante é por demais limitado para que se possa usufruir dos prazeres de uma aprumada amesendação (desculpem lá os que não gostam do termo mas, estas coisas neo-românticas sempre me fascinaram).

Desta feita o primeiro da lista foi o Gemmeli. A revista Blue Wine faz questão de o colocar entre as suas escolhas de eleição. O nome do Chef é referenciado quando se fala de modernidade, qualidade e apresentação. Muito bem. Vamos então descobrir os encantos do restaurante italiano que não tem pizzas ali à rua de São Bento.

A porta fechada recebe-nos com um aviso. Toque à campainha somente uma vez. Efectivamente não foi preciso mais que isso. A porta abre e umas escadas indica-nos que a sala de jantar será lá em cima. A recepção é logo à entrada após confirmação na lista da reserva efectuada. Consta. Estranhei não ver um sorriso mas nem todos nascemos com ele e isso nem sempre é mau sinal.

Levados à mesa de bom grado nos deparamos com uma mesa à janela, panorâmica, espaçosa. A rua lá fora, São Bento um pouco abaixo. Primeira observação, para um jantar às 22h30m a sala está bem composta.

A decoração é simples mas moderna e agradável. Começando nos pequenos candeeiros que pendem junto às mesas acabando nas básicas cortinas que protegem meia janela. Mais floreado desviaria a atenção do essencial: o que estava para vir.

Dois Martini bianco, em dose certa ainda que talvez com um pouco, só um pouco, de gelo a mais. Tempo dado para a devida conversa e chega à mesa um pequeno amuse bouche” em forma de sopa de feijão branco. Muito bom. Ainda a abrir um falafel com recheio de queijo que estava igualmente saboroso.

Vem depois o pão (que não podia faltar). 4 variedades diferentes, quente a pedir ser comido. O azeite extra virgem vem à mesa e por lá fica para nosso deleite e onde se espera que acompanhe a travessa de queijo Grana Padano. Por mim, mais um fã.

A dança de pratos começa então com um “pequeno pudim de camarão sobre cama biológica” onde uma leve almofada individual com sabor a camarão é servida sobre umas folhas de rúcula e pequenas folhas de alface tendo por companhia pequenos toques de pimento vermelho.

O prato seguinte foi uma pasta Orecchiette com legumes cortados finos, requeijão e um pesto de manjericão. Muito saborosa, lá arranjaram forma de me pôr a comer courgettes.

Para fechar os pratos de porte, um magnifico risotto de azeitonas negras desidratadas com finas fatias de novilho em topo e molho de fois gras. A consistência que se quer, num grão que ainda que grado, parecia o indicado para o prato.

A refeição acima foi convenientemente acompanhada na sua primeira parte (até ao risotto entenda-se) por um suave PV Branco (infelizmente sem registo datado), um Douro com uma acidez discreta e muito fresco. Já a segunda parte da refeição se fez sentir com o peso de um tinto que das Beiras nos trouxe um paladar encorpado e notas de fruta vermelha. Ao primeiro contacto o Quinta do Cardo 2005 marcou a boca mas de imediato se fez notar como um acompanhamento de bom tom.

A sobremesa apresentou-se na forma de um ragu de frutos tropicais com gelado de 3 sabores a saber: Café, Baunilha e Manjericão. Também aqui levado a comer os frutos que per si não comeria, entre a calda fresca lá se comeram e quanto aos gelados, enquanto a baunilha sendo boa não deixa história (por ser comum não por que não o mereça) o de café marca bem a posição e vinca o sabor. O manjericão ganha pela originalidade e pelo paladar que facilmente limpa a boca.

O café e o garoto (claro. Leite quente e gota de café em temperatura correcta) fecharam a mesa.

Nota final ao serviço que prestável e atencioso pecava por vezes pela suavidade com os pratos nos eram enunciados sendo que entre a voz baixa e a pronuncia afincadamente estrangeira por vezes levavam ao pedido de repetição. Nada que manche a ideia da casa.

O Gemelli está claramente aprovado e incluído na lista de regresso. Não é casa de todo o dia que o preço a tal não deixa mas é claramente mais um daqueles sítios a que vale a pena voltar para um bom momento de mesa.

Gemelli
Tipo de cozinha: Italiana com um toque de autor (ou vice-versa)
Horário: Das 12:30 às 15:00 e das 20:00 às 24:00
Preço médio: 45€
Morada: Rua Nova da Piedade 99 – 1200-297 LISBOA
Telefone: +351 213 952 552
Pagamento: Numerário / cartões

Espaço Açores

2009/06/20

O motivo? Bom, a Cláudia e o Miguel iam casar-se e, por isso, íamos todos jantar fora – um último jantar com toda a gente sem ter ainda assinado papelada. E, no meio de “onde é que se vai jantar?”, alguém disse “eu conheço um sítio”. Era este.

O Espaço Açores fica na Ajuda, no mercado, com uma vista que promete ser simpática sobre o casario até ao rio (nós fomos jantar… daí o “promete”… estava escuro…). A sala alberga cerca de 50 pessoas, num ambiente descontraído e moderno (linhas direitos, ferro, preto, madeira, basalto,…).

“E então?” perguntam vocês, “E o que é que se come?” – “Tudo” respondo eu “Sobretudo se forem à quinta-feira!”. Quinta-feira é noite de buffet. Ou seja, estão uns senhores simpáticos com um grande avental azul, numa mesa no centro da sala, onde nós nos deslocamos e somos “empurrados” a provar supimpas iguarias (como alheira, torresmos, alcatra, polvo, atum,…) em quantidade e sabor a desafiar qualquer dieta… especialmente a minha! Parece que têm também (mas não provei, não sei se estará incluído no buffet normal) moreia (sabem aquele peixe estilo cobra que nos filmes do Cousteau saía sempre de buracos para ir morder o mergulhador? – é esse!), peixe-serra (que não me lembro de ter provado em Portugal, mas que achei delicioso onde provei – e vai ser uma razão para voltar a este restaurante), mero, cozido das furnas (mas, sem furnas por perto, deve perder parte do encanto…), arroz de lapas… Delicioso! E a prometer muito!

Sobremesas? Ainda têm “espaço”? Bom, há barriga de freira, há milhares de pudins de fruta, há queimada de ovos, há espera-maridos (outra boa razão para lá voltar!), tigelada de São Miguel,…

Se querem passar por uma experiência de gastronomia açoriana, sem ter que apanhar o avião ou o barco (sobretudo o barco, que balança muito e demora muito tempo), aconselho-vos a experimentar este restaurante. Não é necessariamente barato (sem ser escandaloso, nomeadamente para o que devorámos), mas é bom. A única questão é que… sejamos sinceros, não tem o sotaque açoriano…

Espaço Açores

Tipo de cozinha: Açoreana
Horário: De quarta a segunda, das 12h às 24h (encerra às terças)
Preço médio: 30€
Morada: Largo da Boa Hora Loja 19 Mercado da Ajuda – Lisboa
Web: http://www.espacoacores.com/
Mail: restaurante@ espacoacores.com
Telefone: +351 21 364 08 81 / +351 31 364 03 53
Pagamento: numerário, multibanco, cartões de crédito

Barra Ibérica

2009/06/12

Não podemos dizer que seja exactamente um restaurante grande. 7 ou 8 mesas, espalhadas pela sala, com um balcão como ponto de apoio lateral, uns quadros na parede a colmatarem um espaço que tem o castanho e o vermelho como cores dominantes. Para quem gosta de tapear e não se importa muito com o preço, este é um local a ir…

Esqueçam a ideia de pedir uma entrada e depois um prato! Aqui o objectivo é mandarem vir o polvo, os mexilhões, as favinhas, o queijo com mel e nozes, o presunto, as tortilhas, a farinheira e irem misturando tudo com os vossos amigos. A ideia é irem provando tudo de cada prato (mas atenção, porque as doses são as de tapas, ou seja, mínimas), saboreando cada garfada… E apreciando um bom vinho, que sempre ajuda a acrescentar mais sabor e vida a cada segundo (escolha pessoal – Marquês de Cáceres).

No final… deixem-se perder pelas sobremesas! A dieta já está perdida mesmo, portanto… Da última vez que lá fui, acabei por (gentilmente) devorar um petit gateaux, mas uma vez, há muito tempo, encontrei-me lá com uma tarte de chocolate com frutos silvestres capaz de acabar com a fidelidade de qualquer relação! (felizmente, a tarte em questão não estava disponível desta vez)

Talvez por ser uma quarta à noite, talvez pelo preço deste restaurante (um jantar vai facilmente para os €50 por pessoa…) o que é certo é que éramos praticamente só os dois no restaurante. Excelente! Porque se é um óptimo sítio para um jantar de amigos que de vez em quando gostem de se cuidar bem, também pode ser uma boa escolha para ir só com uma pessoa.

Barra Ibérica
Tipo de cozinha: tapas
Horário: Seg a sáb, das 19h à 01h00
Preço médio: 50€
Morada: Calçada da Ajuda, 250 – Lisboa
Telefone: +351 21 362 60 10
Pagamento: numerário, multibanco

Novo Altair

2008/12/28

Já tinha combinado comigo próprio que, da próxima vez que aqui viesse, tinha que escrever qualquer coisa para o “no prato”. Bom, a ocasião surgiu ontem, aquando do jantar do “emigrante retorna a casa por altura do Natal, para comer bacalhau e matar saudades da família”, ou seja, a noite em que, ao menos uma vez no ano, reunimos os nossos amigos que agora estão expatriados. O ano passado foi algures no Bairro, este ano foi ali para os lados do Dafundo, no mítico “Novo Altair”.

E perguntam vocês “O que é que o Novo Altair tem de especial?” E a resposta é, “Se não gostam de fondue, nada”. Agora, se gostam…

Pois é exactamente isso que o “Novo Altair” é – um restaurante com uma ementa recheada de fondues de todas as maneiras e feitios! Por isso, se não são apreciadores de cozinhar a vossa própria comida no meio de uma multidão e confusão de gente a trocar garfos, a pedir batatas e molhos e perguntas de “achas que já está? Gosto do meu mal passado”, não vão lá. Mas, se, por outro lado, gostarem do aspecto social da coisa, de estar sempre a trocar pedaços de carne ou de camarão ou de cherne com outras pedaços, de “já perdi o meu garfo!”, de inventarem sempre qualquer coisa com molhos trocados e de discussões de “já está!” / “não está nada!”, então, têm que ir lá.

A única parte da refeição em que não comemos fondue foi na entrada. Foram uns tabuleiros com entradas variadas que, muito sinceramente, não ficaram na minha cabeça. Já as fondues bourguignon especial (com carne de vaca e tiras de porco preto), a mítica mongol (basicamente, guisada, com camarão, peixes variados, ‘carpaccio’, legumes e em que, no final, se bebe o caldo) e a inevitável fondue de queijos com bacon (uma bomba de colesterol e lípidos que estava deliciosa!) estavam divinais! Acompanhadas por uma míriade de molhos de diversas tonalidades e sabores, batatas fritas, arroz, fruta (para cortar o sabor agressivo) e “Quinta do Cabriz”, ficaram deliciosas! (desta vez, não fomos para a raclette, mas, quem gostar, não perca…)

Para rematar (e antes do café),  nada como variar. Fondue de baunilha, que não provei, mas que devia estar muito boa, tal o sucesso entre os meus amigos, que me deixaram com a ‘ingrata’ tarefa de ‘arrumar’ com uma fondue de chocolate para 2 pessoas, com fruta, bolachinhas e topping de noz ou avelã moída… e ainda há quem diga que o Paraíso não existe…

Só mais dois apontamentos. As fondues são para 2 pessoas, mas isto tem mesmo piada é andar a misturar tudo com toda a gente – no fundo, um ‘swing’ de fondue… O segundo apontamento é que, se não quiserem, não precisam de ir para as fondues (já agora, alguém sabe se fondue é masculino ou feminino? Ainda não percebi!) – também há bifes (um dos indefectíveis atacou um bife pimenta com muito bom aspecto) e peixe grelhado (pelo qual eu não trocaria uma fondue, mas há gente para tudo…).

No final… €40! Mas, também, um excelente jantar! Caótico, com muita carne e peixe a boiarem, garfos a serem transportados de mão em mão, conversas animadas. Se gostarem de fondue, é garantido que têm que ir lá.

Novo Altair
Tipo de cozinha: fondue
Horário: Terça a Sábado das 19h30 às 02h00
Preço médio: 40€
Morada: Rua Sacadura Cabral, 54, Dafundo – Algés
Telefone: +351 21 419 62 51
Pagamento: numerário, multibanco

Restaurante João do Grão

2008/12/02

O Domingo é quase sempre (pelo menos sempre que possivel) dia de ficar por casa. Variando entre a cama e o sofá, lá se passa o dia entre receitas caseiras, chá ou café e bolinhos…

Mas quando há uma boa razão para sair não nos fazemos rogados e um almoço com bons amigos será senão a melhor, uma das melhores razões e como tal lá fomos nós. Ainda em casa lembrei-me da Susana já ter referido um restaurante ali pela Baixa de Lisboa onde se come bom bacalhau com grão. Ainda que tal referência não seja a típica frase para convencer quem procura um bom restaurante, os comensais são todos de boa barriga e melhor garfo e como tal bacalhau com grão lá no fundo sempre faz tocar o alarme.

10 minutos de automóvel (que o Metro implicava burocracias para as quais não tínhamos tempo) e já o carro estava estacionado no parque junto aos armazéns do Chiado. Meio passo sempre em frente atravessando a Augusta e já lá estamos na Rua dos Correeiros (antiga, mui antiga Travessa da Palha). Por aqui passo muitas vezes mas à hora de almoço sempre tenho quase sempre a impressão da comida para turista tal é a quantidade de solicitações porta-a-porta para que lá entre a provar as suas iguarias. Adiante. O caminho hoje está traçado: Restaurante João do Grão.

Porta entrada dá para entender à primeira vista que ali se come bem pelas fartas travessas nas mesas. Sala meio-cheia (Domingo na Baixa dá vontade de bater aos autarcas) e mesa para cinco. É logo ali e ainda mal sentados já lá está o pão e as costumeiras manteigas assim como o queijo fresco que é devorado entre a Patrícia e o padrinho.

A carta vem de seguida que aqui não se espera muito. Pratos do dia eram vários mas confesso não recordar. Sei de cor o que escolhemos. Foi pedido Cozido à Portuguesa, Açorda de Bacalhau e duas de Bacalhau Cozido com Grão ao fim e ao cabo foi essa a referência.

Quase sem darmos por ela estava já o serviço na mesa. O Cozido assustava só de ver tamanha travessa mas mais assustou com a referência de que era meia dose. Vieram de seguida as duas de Bacalhau que rivalizavam em tamanho com o Cozido. Por último chegou a Açorda que veio de marisco em vez de Bacalhau mas que prontamente se ofereceram a trocar. Não foi preciso, ficou.

O Bacalhau com grão é sobre o que melhor posso falar. Básico como se queria: Bacalhau, batata (pouca e ainda bem), grão, cebola picada e salsa qb. Boas postas, uma travessa mais fina e outra mais grossa com a sugestão de dividir. O grão grado e saboroso, cozido ao ponto e a cebola a dar o gosto. A dose satisfaz sobremaneira.

Sobre o Cozido à Portuguesa que mais haverá a dizer para além de estava bom? As carnes do costume e as verduras a condizer. Sobre a açorda que ainda provei, bem guarnecida de mariscos, sendo que os pedaços dos exemplares de maior porte foram postos no prato antes de tudo o mais e os mais pequenos vieram na mistura. Ainda sobrou.

O final foi de bolo de brigadeiro (confesso que já provei melhores que o chocolate é só por si uma ciência) para mim e mousse de chocolate (sem desapontar) para outro dos presentes. As senhoras à mesa dispensaram mais calorias.

Os cafés vieram e o garoto claro da praxe veio tal como foi pedido. Claro. Bastante claro.

Apreciação global: A voltar decerto e a experimentar mesmo a meio-dia de trabalho quando a tarde não o proibir.

Restaurante João do Grão
Tipo de cozinha: Tradicional Portuguesa
Preço médio: 15€
Morada:  Rua dos Correeiros 222-226, 1100-170 LISBOA
Telefone: +351 213424757
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito

Não encerra.

Kanji

2008/11/15

Aberto há pouco mais de dois meses (Setembro de 2008) no Amoreiras Plaza, o Kanji aposta numa oferta original de cozinha de fusão com inspiração japonesa. Modas. A sala é ampla e o ambiente descontraído. A ementa é mais extensa do que temos visto por aí e original quanto baste. Boa variedade de entradas e de diferentes apresentações de sushi e sashimi. Perante alguma indecisão, foram-nos apresentadas algumas sugestões – o que é sempre bom para quem não está familiarizado com esta cozinha – e que para uma primeira visita, deixaram boa impressão e convidam ao regresso com mais tempo e atenção a outros pormenores.

E fala-se de tempo porquê? O espaço comercial onde está envolvido o Kanji, entre outros restaurantes, encerra demasiado cedo (às 22h), factor que condiciona também o próprio horário de funcionamento do restaurante. Incompreensível. De resto, sabe bem comer assim, pagar um preço justo e ser bem atendido. E aqui, pela amostra, é o caso.

Kanji
Tipo de cozinha: japonesa / fusão
Preço médio: €25
Horário: Das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h. Encerra ao domingo.
Morada: Edifício Amoreiras Plaza, Rua Maria Ulrich nº1, loja 1 (piso -1) – 1070-374 Lisboa
Web: http://www.kanji.pt/
Telefone: +351 213 888 147
Pagamento: numerário/cartões