Sessenta Setenta

O Sessenta Setenta é um restaurante no Porto.

Fica ao lado de um antigo convento [de Monchique], na rua de nome sugestivo [rua sobre o Douro], tal como o próprio restaurante, e que não decepciona [ainda que nao seja MESMO MESMO ’sobre’ o Douro], à qual se chega pela Rua da Restauração. Bem fácil, embora não pareça.

O edifício é todo em pedra, belíssima, com pequenas janelas sobre o Douro, mirando Gaia e os infindáveis cartazes e luzes piscantes das caves de Porto.

Entra-se por um simpático portão — antecedido por uma prudente carta e preçário — que antes do restaurante propriamente dito — em edifício autónomo — tem uma esplanada lateral ao Douro e com bar próprio [que na altura, uma noite de quinta, não estava a funcionar] ao ar livre, que deu jeito a Lorenzetti para um Romeo y Julieta que percebeu que viria a incomodar uns quantos comensais que ainda iam a meio.

Pensa pois o leitor, sobretudo o que já conhece Lorenzetti, que ‘com charuto’ a refeição foi muito boa [para completar] ou muito má [para compensar].

Nem uma coisa nem outra. As expectativas eram muito altas, dada a origem da tip dada a Lorenzetti, por uma ‘gourmet’ local, que se apressou a dizer que o 60 70 ainda não tinha clientela fixa e que valia a pena passar lá antes que passasse de moda e ficasse mau ou fechasse. Meu dito meu feito. Lá se desmarcou o clássico Bull & Bear e se partiu para novas aventuras.

E foi uma aventura. Amuse-bouche, nicles. Couvert, uma bola de manteiga manhosa e um pão pouco apelativo. Uma lista de vinhos razoável, felizmente com indicação dos anos e separação dos varietais. Mas apenas dois vinhos a copo, que não primavam pela excelência, a seguir a regra habitual [embora em Portugal, só o facto de ter vinho a copo já é de aplaudir].

Avançou-se com uma sopa de peixe, que no caso era um caldo [a fazer lembrar um provado no Frade dos Mares, em Santos, para esquecer] ao qual se acrescentaram dois mexilhões e umas minúsculas tranches do que parecia ser solha cozida ou um linguado raquítico.

Por estranho que pareça [mas a carta obrigou-nos a isso, e o apetite também] continuámos com peixe: um rodovalho sobre espargos e cebolinho. Algum excesso de sal, de resto regular, nada de outstanding.

Em desespero de causa, pedimos de sobremesa o que nos recomendassem. Uma recomendação não podia sair mal. Saiu. E foi a especialidade da casa. Um soufflé de Grand Marnier que como qualquer soufflé demora tempo, mas que neste caso demorou ‘horas’. E como foram bem passadas, não afectaram a ‘degustação’. Que foi terrível. O soufflé era suficiente minúsculo para se confundir com uma sobremesa parte de um ‘menu de degustação’ [juntando-se à vontade a mais 3 ou 4], a clara afundava tudo, o creme era inexistente e o Grand Marnier parecia ter sucumbido ao forno.

Um flop.

E temos pena, porque como é óbvio, somos viciados em comida. E apesar dos restaurantes da moda nem sempre serem os melhores restaurantes [style over content…], esperávamos mais. Somos capazes de voltar. Mas não será pela comida. Modernices.

Quem quiser ver o sítio, que é giro, pode ficar com as referências abaixo [mas recomendamos que peça um steak au poivre, que tinha óptimo aspecto e não pode falhar].

Sessenta Setenta
Tipo de cozinha: Mediterrânica [ma non troppo]
Horário: Segunda a sábado das 12h30 às 14h30 e das 20h00 às 01h00 [fecha aos domingos e ao sábado não serve almoço]
Preço médio: 25€
Morada: R. Sobre o Douro, 1 - A, Porto
Telefone/Fax: 223406093
Web: -
Email: -
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

GPS: N41° 8.708 W08° 37.443 (Google / MapQuest)


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4 comentários em “Sessenta Setenta”

  1. Silvia :

    Pois é, também eu fiquei completamente decepcionada com o restaurante sessenta setenta. Pedi o pombo com chila e era só isso mesmo, dois peitos de pombo, minúsculos claro está, crús, com um caldo de sangue por baixo, e três fios de chila; uma decepção. Quanto ao preço, sem vinho e sem sobremesa paguei 65.00 euros (apenas um sumo, entrada, carne e café). Estive porém, no dia anterior, no restaurante D’Oliva em Matosinhos e gostei muito.

  2. fvaz :

    Peitos de pombo crus? Que horror. A Silvia gosta do magret de canard bem passado, certamente. O rosbife idem.

    Se lá voltarem peçam o foie gras com uvas de entrada, o bacalhau dourado e a mão de vaca.

  3. Nuno :

    Ora a cara Sílvia deve ter tido o azar de apanhar o chef num dia mau. Eu sou frequentador esporádico do restaurante Sessenta Setenta e nunca provei uma iguaria que me desagradasse ou sequer rondasse a mediocridade. Até agora adorei todos os pratos que tive a oportunidade de provar no menu do Sessenta Setenta. As quantidades não são, realmente, muito generosas como acontece geralmente neste tipo de cozinha requintada. Para quem está habituado a ir a “tascos” e prefere a quantidade à qualidade, pode ser uma desilusão… O preço que a Silvia indica também está um pouco exagerado: embora não se trate de um restaurante barato, não é caso para uma refeição para uma pessoa sem vinho custar 65 euros. Já a comparação com o pretencioso e comercial D’Oliva demonstra que a carissima Silvia não é própriamente o exemplo de uma pessoa com capacidade para distinguir um bom restaurante de um restaurante mediano onde se vai apenas porque se tornou moda, talvez por se encontrar localizado em Matosinhos Sul, onde nos últimos anos se instalou uma classe média geralmente constituida por “novos-ricos” (ou “novos-remediados” aspirantes a ricos) guiada muito pelas modas e pelo que os seus pares fazem e pelos sitios que frequentam.

  4. Lorenzetti :

    Todas as contribuicoes sao bem vindas, mas dada a filosofia do website e da minha propria contribuicao, acho importante fazer comparacoes objectivas entre restaurantes e tentar evitar favoritismos nao fundamentados, que podem ate ser confundidos com comentarios feitos por pessoas ligadas aos proprios restaurantes.

    O No Prato Com e a minha propria contribuicao sao completamente independentes, e embora nao se exija isso de que comenta, exige-se porem que seja transparente (desde logo, alguem ligado a um restaurante sobre o qual comenta devera obviamente dizer que tem essa ligacao). Caso essa ligacao nao exista — e mesmo que existisse — importa ser muito objectivo nas comparacoes entre restaurantes.

    E claro, tentar evitar as referencias pessoais a quem fez comentarios sobre o mesmo restaurante.

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