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A Azenha do Mar

2008/10/06

Que o sudoeste alentejano é um caso à parte no que respeita ao turismo, já se sabia. No que toca à gastronomia, não há unanimidade. Se por um lado temos toda a tradição alentejana ali à mão (há quem diga que derivou do “desenrascanço” e dos tempos em que realmente havia crise e se passava fome), a proximidade da costa e do peixe e marisco frescos apresentam-se como alternativas de peso (e qualidade). Hoje esquecemos por momentos a sumptuosidade e simplicidade da primeira para nos focarmos nos méritos dos frutos do mar.

Sim, a ementa do restaurante tem mais que duas páginas. Sim, nas restantes páginas são dadas algumas abébias à comida tradicional (e ao bitoque, vá lá). Mas não teceremos considerações sobre estes. Aqui o marisco é rei e senhor. Fresco, apanhado ali ao lado.

Algumas considerações a fazer: é extremamente concorrido durante a época alta, especialmente aos fins de semana. Não aceitam reservas pelo telefone. Convém estar lá cedo para colocar o nome na lista e marcar mesa. A fila de espera pode atingir proporções incalculáveis e não é raro chegar lá às 19h e já não aceitarem a reserva porque há muito que a capacidade (cerca de 50 lugares) foi esgotada – aconteceu-nos por duas vezes este verão. Salva-se a esplanada onde se pode ir degustando um petisco leve e umas cervejas enquanto se aguarda a vez. Tudo o resto seria extremamente negativo se a qualidade do marisco não fosse irrepreensível e os preços bastante abaixo do habitual e praticado noutros pontos – uma lauta refeição de marisco bem regada ficará entre os 15 e os 20 euros por pessoa – e daí a popularidade do sítio. Vale o sacrifício.

A Azenha do Mar
Tipo de cozinha: Marisco
Preço médio: €20
Horário: Encerra às quartas feiras
Morada: Azenha do Mar – Brejão – 7630 Odemira
Telefone: +351 282 947 297
Pagamento: Não aceita cartões

Restaurante A Escola

2008/03/11

[Depois de um namoro prolongado, o prato recruta um colaborador novo, Pedro Rebelo. O post original que deu origem a este contributo está aqui.]

Nota do autor: Antes de mais, o obrigado pelo convite e aqui fica o compromisso de tentar ser regular… Boas mesas para todos.

Combinámos com um grupo de amigos um almoço em grande. Levar os miúdos e fazer uma daquelas refeições prolongadas. O sitio escolhido foi o restaurante “A Escola” em Cachopos perto de Alcácer do Sal.

O edifício só por si inspira certa graça. ainda que de entre os presentes ninguém tivesse estudado em tais escolas, todos nós reconhecíamos as instituições Estado Novo em que estudaram os nossos pais. A letras ainda lá estão a anunciar a “Escola Primária”. Entra não entra espera não espera está lá servido e pronto a beber o moscatel da região (Setúbal) para ajudar a passar o tempo. Junta a este a ardósia de outros tempos e uma ou duas carteiras das antigas estrategicamente mantidas para dar um toque de encanto a todo o restaurante. A reserva feita com algumas semanas de antecedência revelou-se uma grande mais valia. Não só não havia mesa vaga (a não ser as nossas que aguardavam) como quem atendia o telefone à entrada repetia insistentemente que não tinha como sentar mais ninguém sem reserva).

As entradas chegaram à mesa em forma de cenoura aberta, linguiça frita, pimentos desfiados, salada de atum envinagrada enfim, uma série de pequenas delicias. Pouco depois (dando ainda assim tempo a que se repetissem algumas das iniciais iguarias) chegavam os peixes. Arroz de choco com camarão do rio. Um choco delicioso, suave sem ser mole acompanhava um arroz solto e caldoso que a toda a gente agradou. Seguiu-se um ensopado de cherne. Houve logo ideia por alguns de que pão molhado não era comida de bom gosto mas provado que foi o ensopado com o tal do pão torrado lá dentro e o cherne no ponto, a ideia se desfez e poucos foram os que não repetiram.

Em ritmo correcto vieram depois as carnes começando por um magnifico entrecosto com batata de rebolão. Foi comer até fartar (que havia sem duvida comida à farta). Como nestes almoços parte essencial da festa é a conversa, ainda alguns de nós mal tínhamos provado a tal batata e já estava outra pérola da casa em cima da mesa. Empada de coelho bravo. Com um aspecto fenomenal e um sabor que em nada lhe fica atrás, este foi para muitos dos presentes a estrela da tarde. Pela minha parte tudo o que veio à mesa fez brilhar a constelação d’A Escola. Mas sim, esta empada era algo de outro mundo.

Vieram por fim os doces em forma do já tradicional pijama ou seja, as travessas com um pouco de tudo o que é tradicional pelos campos do Alentejo (um pão de rala memorável até para quem não gosta de gila) e mais um pouco (um bolo de brigadeiro de chorar por mais). Para fechar em beleza foi servido um licor de bolota que faz qualquer um lá voltar por mais… 4 horas à mesa do melhor que se tem provado.

Antes da partida ainda deu tempo para que os mais novos brincassem um pouco (não fosse aquilo uma escola) entre escorregas, baloiços e cavalinhos de madeira…

A sensação já sobre a ponte Vasco da Gama era de que não haveria jantar para ninguém.

Restaurante A Escola
Tipo de cozinha: Regional
Horário: 11:30 às 15:30 / 19:30 às 0:00. Encerra à segunda feira
Preço médio: 25€
Morada: Estrada Nacional 253 – Cachopos – 7580-308 ALCÁCER DO SAL
(Siga Estrada Nacional 253. Entre Álcacer do Sal e Tróia está a localidade de Cachopos, onde se encontra o restaurante.)
Telefone: +351 265612816
Pagamento: Numerário / cartões

Arte & Sal

2006/08/30

Arte e Sal

Quem vem de Sines em direcção a Porto Côvo, passando pela praia de S. Torpes, perde decerto a conta ao número de restaurantes à beira da estrada. Este não pretende (pelo menos ainda) ser o princípio de uma análise cuidada ao como se come por ali. O restaurante já nos tinha sido recomendado. E naquele dia o critério de escolha foi “o que é que está aberto à segunda feira?”.

O Arte & Sal é uma sucursal do “Migas” (em Sines). Desconhece-se (ainda) os galões da casa original mas, tal como os restantes restaurantes atrás mencionados, a grande tendência do Arte & Sal (“Casa de Peixe” de cognome) é o peixe grelhado no carvão. Para além da variedade de escolha neste campo, há sempre a hipótese de embarcar pelo marisco ou num ou outro prato a lembrar que estamos no Alentejo (que bela açorda de ovas! que curiosas migas!). O prato mais popular parece ser no entanto… a picanha. Bem servida, com farto acompanhamento. A 100 metros do mar, ninguém nos tira a ideia que é sacrilégio.

Fomos muito bem atendidos. O ambiente é calmo e descontraído e o espaço amplo e iluminado. Convida a grandes jantaradas com os amigos depois de um dia de praia.

Arte & Sal
Tipo de cozinha: Peixes e mariscos
Horário: A cozinha encerra às 22.30. O restaurante fecha às quartas feiras
Preço médio: 20€
Morada: Praia de Morgavel – S. Torpes – 7520 Sines
Telefone/Fax: 269869125
Web: http://artesal.pt.vu/
Email: arte.sal@netvisao.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Galito

2005/12/15

Reza a história que na época de sessenta havia uma família que construiu do nada um grande restaurante na Serra d’Ossa. O Galito tornava-se objecto de culto, a sua fama estendia-se ao resto do país e organizavam-se excursões para lá ir provar o melhor da cozinha alentejana. Durante anos assim foi, até que as circunstâncias da vida levaram a que Miguel Galito e a D. Gertrudes se juntassem ao filho, Henrique, na capital. Depois de algumas incursões por alguns restaurantes, tendo sempre como trave mestra a culinária do alentejo, é já viúva que D. Gertrudes e Henrique se dedicam de corpo e alma a este restaurante – relembrando os velhos anos de glória e representando da maneira mais nobre possível e tradição e o sabores alentejanos.

Esta é a história contada pelos inúmeros recortes que preenchem as paredes do restaurante Galito, confirmada por estas duas personagens que, ora à mesa (cumprimentando efusivamente os clientes habituais como se fossem família) ora na cozinha nos fornecem um conjunto requintado de saberes e sabores e a experiência gastronómica de quase meio século.

Pequeno, a reserva é mais que obrigatória. É frequentado por uma população mais velha e madura, apreciadora da boa cozinha. E a experiência memorável começa com a lista de cerca de 20 entradas (queijos, enchidos, saladas). Os pratos principais assentam obviamente na cozinha alentejana (migas e açordas dominantes) mas é possível, por encomenda, degustar algumas especialidades de caça (perdiz, lebre, coelho, entre outros). As sobremesas conventuais são corolários obrigatórios para uma refeição assim perfeita e os apreciadores de bons vinhos decerto não ficarão indiferentes à larga – larguíssima – quantidade de vinhos alentejanos disponíveis.

Indispensável para os bons apreciadores de cozinha típica alentejana.

Galito
Tipo de cozinha: típica alentejana
Horário: Fechado aos domingos e feriados
Preço médio: 25€
Morada: Rua da Fonte, 18A – Carnide (Junto ao Largo da Luz) – Lisboa
Telefone: 21 711 1088
Pagamento: VISA, Multibanco, numerário

Rolo

2005/01/28

Demos com uma representação do Rolo na FIL/BTL e a experiência foi excelente. Dá vontade de ir a Portalegre e visitar o recinto principal.

O cartão de visita replica a casa ao pormenor, segundo nos foi dito. Uma ampla variedade de petiscos regionais, aquecidos em fogareiros típicos. Uma espantosa variedade de carnes grelhadas no carvão, temperadas com mestria e os segredos das ervas aromáticas. E para culminar, outro número indeterminado de sobremesas conventuais e típicas. Espantoso. Os petiscos e as sobremesas podem (e devem) ser servidas na modalidade buffet, para que se possa tomar contacto com a totalidade (ou quase) da multiplicidade de sabores oferecidos.

Rolo
Tipo de cozinha: típica alentejana
Preço médio: 30 €
Horário: das 12.30 às 22.30 (não tem descanso semanal)
Morada: Av. Pio XII – Lote 7 R/C Dto – Portalegre
Telefone: +351 245 205 646
Fax: +351 245 203 485
Web: http://www.restauranterolo.com
Email: restaurante.rolo@clix.pt
Pagamento: Aceita multibanco, cartões de crédito, numerário

Tasca do Celso

2004/09/22

Mesmo escondida no meio do casario de Vila Nova de Milfontes, a Tasca do Celso é ponto de passagem obrigatório. De tasca, só deve guardar o menú escrito a giz em dois enormes lousas na parede e a decoração rústica. É um sítio algo pequeno e simpático. Foge à imagem de restaurante de solarenga estância balnear para prestar culto da melhor forma possível à tradição culinária do Alentejo. Os melhores peixes fritos com saboroso arroz, as migas alentejanas e as indispensáveis açordas estão aqui bem presentes e representadas. Para gostos mais simples, o bife a la plancha, servido na tábua e ligeiramente mal passado, é uma boa escolha. Convém não esquecer que a sangria de vinho tinto é divinal (os vinhos alentejanos que me perdoem) e que as sobremesas típicas alentejanas estão lá todas.

É quase impossível reservar com menos de 24 horas de antecedência (grupos grandes então é melhor pensar uns dias valentes antes…), assim como é impossível não resistir a levar no bolso um dos cinzeiros de louça de barro com “Roubado na Tasca do Celso” gravado.

Tasca do Celso
Tipo de cozinha: tradicional
Preço médio: 25€ por pessoa
Horário:
Morada: Rua dos Aviadores – Vila Nova de Milfontes
Telefone: +351 283996753
Fax:
Web: http://www.milfontes.org/pages/restaurante/tascacelso.htm
Email:
Pagamento: Multibanco/numerário