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Sofisticato

2009/08/24

Já há pela web uma série de reviews ao restaurante Sofisticato mas mais uma não faz mal e além do mais todas as que por ai aparecem referem as pizzas. Fica a nota: Não há pizzas na actual ementa do Sofisticato. Não há nem fazem falta. Mas isso mais adiante.

Sofisticato. Em Santos. E sim, é sofisticado. Basta passar à porta para perceber mas assim que se passa “pela” porta acabam-se as dúvidas caso existam. Recebidos à chegada pela encantadora Sara e pelo não menos simpático Samuel, é-nos indicada a nossa mesa. Foi reservada a de canto ao fundo da sala. Boa escolha para uma noite descontraída e disponível.

Restaurante SofisticatoA sala só por si é um luxo. Um ambiente cosy, moderno, linhas direitas com toques de dourado a darem a pitada de classy que a casa inspira. As vigas de ferro à mostra são colmatadas com meia pintura a roxo mostrando uma robustez com gosto. As mesas são cuidadosamente apresentadas, o padrão da toalha batendo com o padrão do guardanapo e que prazer é fugir ao guardanapo branco. Nada contra é certo mas, uma cor, um padrão, é sempre bom para variar. Aqui foi.

A ementa é-nos apresentada numa moldura dourada. Os luxos não devem ser modestos. E a sofisticação com classe é um luxo a merecer nada menos que uma moldura dourada. Outra moldura vem à mesa com a carta de vinhos. Uma nota para esta onde maioritariamente se apresentam vinhos italianos sendo de contar com dois ou três portugueses e duas escolhas a copo (uma de tinto e uma de branco) que não constam da carta. Não será porém preocupante pois em caso de desconhecimento a explicação e conselho de qual o melhor vinho para acompanhar determinado prato é prontamente dada.

Para a mesa o azeite balsâmico e o pão para entreter mas mesmo sem ele ficaríamos contentes. Guloso por demais, valeu o rápido serviço ou mais teria sido comido o que roubava espaço ao prazer das iguarias por vir.

De entrada um Carpaccio dello Chef, finas fatias de novilho cru, com pequenas lascas de cogumelos frescos, queijo parmesão, cortes de aipo e molho de mostarda em grão. Acreditem, entendidos ou não, deixem lá a rúcula para os coelhos. Entre o aipo e a mostarda venha o diabo e escolha. Uma combinação de outro mundo.

Para a mesa vieram também as Polpette di Parmigiano e antes que as apresentem digo-vos já que só por si, estas bolinhas davam uma excelente refeição. São umas almôndegas, de bom tamanho, panadas, de queijo fumado, queijo parmesão e fiambre. Em dose grande para entrada, estas densas iguarias são de um ligeiro picante (dever-se-à ao queijo fumado) que vai tomando conta do paladar aos poucos. Tal como referi atrás, só por si, uma refeição.

A cada prato entrado a apresentação devida e o cruzar de conversas é constante. Quer a Sara quer o Samuel são bons conversadores e com noção dos timings. A casa é evidenciada mas acima de tudo fala-se da experiência da mesa, do comer, do beber e do estar.

Eis os pratos principais. Risotto Verde. De grão graúdo com espargos silvestres e espinafres, alho francês em boa dose e um toque de manjericão. Verde sem qualquer dúvida. Consistência ideal, o prato mais não mostra porque risotto é risotto. Muito bom e fica a dica: Um só toque de decoração. Não distrai do conteúdo e ajuda aos olhos que como sabemos, também comem.

No SofisticatoE é chegada a vez do Spaghetti Neri Alla Astice que é como quem diz, um prato de esparguete negro, meio lavagante aberto e com casca, algumas gambas (estas descascadas como pede o bom senso), boa dosagem de ameijoas frescas e limpas e muito tomate cherry, flambeado em brandy e vinho branco. A experiência do marisco com a massa é, infelizmente, pouco usual por terras lusas mas, tal como nos disse o Chef, Alessio Carrer, não é fácil cozinhar esta mistura, tem “segreto“. E uma coisa é certa, funciona. E de que maneira.

Infelizmente era o único a beber (entenda-se beber como beber e não provar que foi o que fez a Susana) e seria quase sacrilégio pedir uma garrafa de um qualquer dos italianos da carta e deixar por meio (o quente da noite não chamava a grande aventuras etílicas) e assim sendo optei pelas sugestões do copo sendo que provei um Fiuza 3 Castas para o branco e um Quinta da Alorna para o tinto. Acompanharam devidamente sem um qualquer encanto especial mas seria esperado. A refeição pedia algo mais no liquido e garantidamente a próxima visita ao Sofisticato vai proporcionar tal momento.

Para sobremesa, porque apesar de satisfeito uma refeição deste calibre não podia fechar sem uma sobremesa, a escolha recaiu sobre a Panna Cotta com molho de frutos vermelhos. De entre as opções a mais leve ainda que havia por lá uns pêssegos que ficaram a tilintar mas que da próxima não escapam. A Panna Cotta estava especialmente boa, com uma textura e densidade que há muito não provava em tal doce e completamente em sintonia com a espessura do molho.

A refeição terminou como de costume com um café e um garoto que, não vindo tão claro como o requerido, pela excelência do serviço, simpatia e qualidade da comida, não mereceu novo pedido. A acompanhar dois cálices de Limoncello, oferta da casa, para complementar o gostinho a Itália.

Resumindo, a experiência no Sofisticato foi verdadeiramente boa. A disponibilidade da casa serviu para criar relação o que é particularmente interessante neste tipo de restaurantes em que, com alguma familiaridade se descobrem facilmente pérolas escondidas da carta. A sugerir e voltar garantidamente.

Restaurante Sofisticato
Tipo de cozinha: Italiana / Toque de autor
Horário: De terça a quinta e Domingo, das 18:30 às 23:00 – Sexta e Sábado, das 18:30 às 24:00
Preço médio: 35€
Morada: Rua São João da Mata 27, 1200-846 LISBOA
Telefone: +351 213 965 377
Pagamento: Numerário / Cartões

Gemelli

2009/08/04

Como já vem sendo tradição, o mês de Agosto é reservado para os restaurantes que se coleccionam durante o ano e que a presença da pequena Patrícia não nos deixaria apreciar convenientemente. Não que ela nãos se porte bem e à altura de um qualquer restaurante de primeira mas, como qualquer criança de 5 anos, o tempo que se aguenta sossegada numa cadeira de restaurante é por demais limitado para que se possa usufruir dos prazeres de uma aprumada amesendação (desculpem lá os que não gostam do termo mas, estas coisas neo-românticas sempre me fascinaram).

Desta feita o primeiro da lista foi o Gemmeli. A revista Blue Wine faz questão de o colocar entre as suas escolhas de eleição. O nome do Chef é referenciado quando se fala de modernidade, qualidade e apresentação. Muito bem. Vamos então descobrir os encantos do restaurante italiano que não tem pizzas ali à rua de São Bento.

A porta fechada recebe-nos com um aviso. Toque à campainha somente uma vez. Efectivamente não foi preciso mais que isso. A porta abre e umas escadas indica-nos que a sala de jantar será lá em cima. A recepção é logo à entrada após confirmação na lista da reserva efectuada. Consta. Estranhei não ver um sorriso mas nem todos nascemos com ele e isso nem sempre é mau sinal.

Levados à mesa de bom grado nos deparamos com uma mesa à janela, panorâmica, espaçosa. A rua lá fora, São Bento um pouco abaixo. Primeira observação, para um jantar às 22h30m a sala está bem composta.

A decoração é simples mas moderna e agradável. Começando nos pequenos candeeiros que pendem junto às mesas acabando nas básicas cortinas que protegem meia janela. Mais floreado desviaria a atenção do essencial: o que estava para vir.

Dois Martini bianco, em dose certa ainda que talvez com um pouco, só um pouco, de gelo a mais. Tempo dado para a devida conversa e chega à mesa um pequeno amuse bouche” em forma de sopa de feijão branco. Muito bom. Ainda a abrir um falafel com recheio de queijo que estava igualmente saboroso.

Vem depois o pão (que não podia faltar). 4 variedades diferentes, quente a pedir ser comido. O azeite extra virgem vem à mesa e por lá fica para nosso deleite e onde se espera que acompanhe a travessa de queijo Grana Padano. Por mim, mais um fã.

A dança de pratos começa então com um “pequeno pudim de camarão sobre cama biológica” onde uma leve almofada individual com sabor a camarão é servida sobre umas folhas de rúcula e pequenas folhas de alface tendo por companhia pequenos toques de pimento vermelho.

O prato seguinte foi uma pasta Orecchiette com legumes cortados finos, requeijão e um pesto de manjericão. Muito saborosa, lá arranjaram forma de me pôr a comer courgettes.

Para fechar os pratos de porte, um magnifico risotto de azeitonas negras desidratadas com finas fatias de novilho em topo e molho de fois gras. A consistência que se quer, num grão que ainda que grado, parecia o indicado para o prato.

A refeição acima foi convenientemente acompanhada na sua primeira parte (até ao risotto entenda-se) por um suave PV Branco (infelizmente sem registo datado), um Douro com uma acidez discreta e muito fresco. Já a segunda parte da refeição se fez sentir com o peso de um tinto que das Beiras nos trouxe um paladar encorpado e notas de fruta vermelha. Ao primeiro contacto o Quinta do Cardo 2005 marcou a boca mas de imediato se fez notar como um acompanhamento de bom tom.

A sobremesa apresentou-se na forma de um ragu de frutos tropicais com gelado de 3 sabores a saber: Café, Baunilha e Manjericão. Também aqui levado a comer os frutos que per si não comeria, entre a calda fresca lá se comeram e quanto aos gelados, enquanto a baunilha sendo boa não deixa história (por ser comum não por que não o mereça) o de café marca bem a posição e vinca o sabor. O manjericão ganha pela originalidade e pelo paladar que facilmente limpa a boca.

O café e o garoto (claro. Leite quente e gota de café em temperatura correcta) fecharam a mesa.

Nota final ao serviço que prestável e atencioso pecava por vezes pela suavidade com os pratos nos eram enunciados sendo que entre a voz baixa e a pronuncia afincadamente estrangeira por vezes levavam ao pedido de repetição. Nada que manche a ideia da casa.

O Gemelli está claramente aprovado e incluído na lista de regresso. Não é casa de todo o dia que o preço a tal não deixa mas é claramente mais um daqueles sítios a que vale a pena voltar para um bom momento de mesa.

Gemelli
Tipo de cozinha: Italiana com um toque de autor (ou vice-versa)
Horário: Das 12:30 às 15:00 e das 20:00 às 24:00
Preço médio: 45€
Morada: Rua Nova da Piedade 99 – 1200-297 LISBOA
Telefone: +351 213 952 552
Pagamento: Numerário / cartões

D’Oliva Al Forno

2006/07/04

Este é provavelmente o melhor restaurante de Matosinhos! Quem vai ao Porto tem obrigatoriamente que passar por aqui…

O espaço é um antigo armazém recuperado com muito bom gosto, decorado num ambiente cosmopolita onde saliento uma enorme parede de xisto, a iluminação suave, as enormes mesas, as cadeiras elegantes forradas em veludo que dão um toque de classe e a distinta garrafeira. Está subtilmente dividido em duas áreas, sala e balcão, este último para clientes onde o tempo é sinónimo de pressa.

A cozinha italiana é dominada por massas frescas e secas, onde o peixe não é rei. Pode no entanto optar por um suculento bife da vazia ou do lombo, com molho de Vinho do Porto, ou molho de Pimenta, acompanhados por batata assada a murro ou frita às rodelas, uma verdadeira iguaria.

Não deixe de fora as entradas, onde destaco o carpaccio de salmão. Aconselho vivamente as sangrias, de branco ou tinto, mas a minha escolha é sem duvida a de champanhe.

Ao som de chill out, que varia de intensidade de acordo com a hora, poderá saborear a uma refeição de intensos paladares.

O sucesso do Oliva? A cozinha requintada, os alimentos de qualidade, as pessoas bonitas que frequentam este espaço, a música selectivamente escolhida. Todos estes factores fazem desta casa o melhor sítio para reunir amigos.

Já fui diversas vezes e sempre bem recebida. O único ponto negativo? Fica a mais de 300Km de minha casa!

Se for ao fim de semana, reserve mesa, está sempre cheio.

D’Oliva Al Forno
Tipo de cozinha: Italiana
Preço médio: 30€
Horário: Encerrado à segunda feira ao almoço
Morada:Rua Brito Cunha, 354
4450 – 083 Matosinhos
Telefone: 229351005
Fax: 229350078
Web: http://www.doliva.net
Pagamento: Cartões de débito, crédito, numerário

Mezzaluna

2006/06/15

O Mezzaluna é um ristorante nascido em 1998, obra de um napolitano criado em Nova Iorque e estabelecido em Lisboa. Detinha a intenção de se tornar o melhor restaurante italiano em Portugal. Ora bem, estabelecer absolutos pode-se tornar manifestamente difícil, mas o propósito de mostrar trabalho feito e mostrar que há cozinha italiana para além das pizzas e lasanhas mantém-se. Com rigor e muita classe. Há que dar o devido mérito.

É um restaurante italiano atípico. O menú em italiano, umas entradas, umas massas e aqui e ali criações onde despontam ingredientes como o porco preto, a farinheira e o vinho do Porto. Verdadeiramente singular e inteiramente merecedor do selo de boa escolha.

Tem uma decoração clássica e sóbria onde pontificam agora os espelhos e que o fazem parecer muito maior do que na realidade é. Os pilares ostentam a escolha de vinhos. E este requinte que existe mas que não se consegue descrever não vem só. Há qualquer coisa no Mezzaluna que tem o condão de afastar grupos barulhentos de adolescentes. Que é muito bom sinal…

Mezzaluna
Tipo de cozinha: Italiana
Preço médio: 25€
Horário: Das 12 às 23h. Encerra aos sábados
Morada: Rua Artilharia Um, 16
1250-039 Lisboa
Telefone: 213879944
Fax: 213851661
Web: http://www.mezzalunalisboa.com
Pagamento: Cartões de débito, crédito, numerário

Di Casa

2005/12/09

Há dois restaurantes “Di Casa” em Lisboa – um na Avenida Infante Santo, e o outro no Centro Comercial Vasco da Gama. Ambos são muito bons (a comida é igual), mas o do Vasco da Gama tem muita luz natural e uma esplanada sobre o Parque das Nações, com o Tejo ao fundo.

Além do agradável ambiente e decoração, a verdadeira razão para ir ao Di Casa é mesmo a comida. Ao contrário das estereotipadas “pizzas” que se tornaram fast food, as pizzas do Di Casa primam pela simplicidade. Come-se uma pizza inteira sem se ficar cheio, pois a massa é fina (sem ser seca), o queijo e o tomate são em doses racionais, e os ingredientes frescos. Nada de cogumelos enlatados nem de invenções de fusão. Outro atractivo são os bifes – o filete Montalcinno (com carpaccio e rúcula) é de não perder. As massas também são boas, reduzindo-se também ao essencial. Nas sobremesas, não deixem de experimentar a mousse de chocolate branco.

Para quem não gosta de centros comerciais, não precisa de deixar de experimentar este restaurante – basta estacionar junto ao elevador mais junto à saída norte do parque de estacionamento, e chamar o elevador com o botão de cima de todos – este irá só chamar o elevador do lado direito, que os levará directamente ao terceiro andar (mesmo à entrada do restaurante) sem terem que passar por dentro do centro comercial.

Di Casa – Expo
Tipo de cozinha: italiana
Preço médio: 12€
Morada: Centro Comercial Vasco da Gama, 3º andar
Telefone: 21 892 22 90
Pagamento: VISA, Multibanco, numerário

Mercearia Vencedora – Jardim do Tabaco

2005/09/20

O grupo Mercearia Vencedora tem vindo, nos últimos anos, a criar espaços distintos pela área da grande Lisboa, partilhando a imagem de marca mas com cada um a diferenciar-se dos restantes em pequenos pormenores que, como quem não quer a coisa, fazem toda a diferença.

Depois da Lapa, das Fontaínhas e da Marina de Cascais, este é o espaço mais recente. O denominador comum é a jovialidade do espaço, as picanhas, os bifes, as pastas e as saladas. O factor de diferenciação é a vista desafogada que entra quase pelo Tejo dentro. Ao almoço, num dia de sol, é impossível não resistir aos encantos do rio. Passam cargueiros, cacilheiros, pequenos barcos à vela. Passa o rio cheio de histórias para contar que puxam outras histórias (e o tempo é sempre tão pouco e apetece ficar ali a tarde toda). O serviço de mesa é rápido, simpático e extremamente prestável.

E o que é que se come aqui? As pastas são recomendáveis, saborosas, artisticamente confeccionadas. Os bifes clássicos podem (e devem) ser acompanhados de massa fresca. As saladas são enormes (e consideravelmente baratas) e a picanha é servida cortada fininha, com quantidades abissais de acompanhamento – e com a vantagem de se poder sempre pedir mais umas fatias se a fome continuar a apertar.

À noite, a auto-denominação de restaurante italiano/brasileiro ganha outra justificação, pois a animação constante já se está a tornar imagem de marca e tradição. Não era de esperar outra coisa, com a relativa abundante oferta de bares e discotecas bem ali ao lado. Com um bocado de sorte e ginástica (e a reserva obrigatória), ainda se deve conseguir jantar em (relativa) paz e sossego.

Mercearia Vencedora – Jardim do Tabaco
Tipo de cozinha: italiana/brasileira
Preço médio: 20€
Horário : Almoços das 12.30 às 15.00. Jantares das 19.30 às 24.30. Aos domingos, abre das 13.00 às 16.00.
Morada: Avenida Infante Dom Henrique Doca do Jardim do Tabaco, Pav. A/B – Espaço R5 – 1100-282 Lisboa
Telefone: 218821595
Email: geral@merceariavencedora.com / reservas@merceariavencedora.com
Web: www.merceariavencedora.com
Pagamento: Aceita Multibanco, Visa, American Express