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Tapadinha

2008/05/14

Lembro-me de me falarem do Tapadinha já há alguns anos e de ter ficado curioso. Não sei o que se passou entretanto para ser preciso, há uns dias, ouvir falar de novo no restaurante para marcar a primeira visita e revisitar a cozinha russa.

A decoração e o ambiente podiam remeter-nos para um cubículo obscuro e clandestino noutras paragens a leste. Aqui pode-se fumar, o que contribui ainda mais para reforçar a primeira impressão sobre a pequena sala (dado o número de fumadores, começo a pensar que se juntam em protesto nestes espaços e que aproveitam para se vingar da segregação a que são sujeitos no resto dos restaurantes). Iluminação fraquinha, muitas velas. Um moderno e luminoso balcão a contrastar com tudo isto. E o vermelho e negro que dominam as paredes decoradas com posters de inspiração soviética (what else?), entre os quais marcas dos primeiros aniversários da casa. Pelas contas, já lá vão 14.

São também 14, à data, as entradas na carta (a que se acrescentam as sugestões do dia – provámos uns cogumelos recheados com gambas e gratinados muito bons), aos quais se juntam outros tantos pratos principais – por sondagem, sugere-se o bife tártaro, o peito de frango rechado com vegetais e a vitela com natas, cogumelos e nozes. É essencial guardar espaço para as sobremesas (o bolo de chocolate amargo com natas doces deixou mossa) e entremear os pratos com uns tragos de vodka (das inúmeras e inomináveis variedades disponíveis).

Recomenda-se. Ruidoso q.b. e à pinha (a um dia de semana) como o encontrámos, obriga a reserva prévia. O serviço é simpático e eficaz. Ponto negativo será o excesso de fumo, mas compreendo que a questão não seja consensual. Na cave há uma sala para grupos maiores e aconselha-se o uso de transportes públicos, não pela inacessibilidade ou pela falta de lugares de estacionamento à porta, mas pela já referida questão do vodka. Ir à Tapadinha e não o beber é crime. Assim como bebê-lo e conduzir, com consequências mais sérias..

Tapadinha
Tipo de cozinha: russa
Horário: das 12:00 às 15:00 e das 20:00 às 02:00 – encerra aos domingos
Preço médio: 25€
Morada: Calçada da Tapada 41 A – Lisboa 1300-545 LISBOA
Web: http://www.tapadinha.com/
Email: tapadinha@tapadinha.com
Telefone: +351 213 640 482
Fax: +351 213 635 867
Pagamento: Numerário e cartões de débito (não se aceitam cartões de crédito)
Fumadores: Sim

Green Pepper

2008/03/11

O Sábado foi celebrado (numa ténue referência ao Dia Internacional da Mulher) com uma visita a um restaurante vegetariano (a segunda deste ano) ali na Av. José Malhoa. Green Pepper. Um ambiente muito agradável com uma decoração moderna e simples e uma musica ambiente a condizer eram complementados com simpatia. Explicado que estava o funcionamento da casa (buffet livre e pratos à la carte) é sugerido o sumo do dia (laranja e banana) e sirvam-se se faz favor. Sendo que sou avesso a coisas como tofus e sojas que não rebentos pensei por momentos ficar limitado a folhas de alface e rodelas de tomate mas rapidamente se esfumou a impressão (o termo talvez não seja o mais correcto mas enfim…) com o buffet apresentado. A sopa de alho francês estava deliciosa. Não investindo o paladar em coisas que me são mais estranhas como legumes estufados, arroz integral ou até mesmo pimentos recheados fiquei pelas saladas compostas com grão, feijão, pepinos e cebolas e fiquei muito bem mas garante a Susana (para quem deambulações pelo vegetarianismo são mais facilmente aceites do que por mim) que estava tudo o resto muito bom.

Sendo que ao almoço a escolha de buffet é tipo menu fixo, o preço foi igualmente uma agradável surpresa deixando-nos a caminho de casa com a sensação de que estávamos bem em todos os sentidos.

Green Pepper
Tipo de cozinha: Vegetariana
Horário: Das 12h00 às 15h00 e das 19h30-23h00. Encerra ao Domingo.
Preço médio: 15€
Morada: Avenida José Malhoa 14 Loja 2 – 1070-158 LISBOA
Web: http://www.greenpepper.com.pt/
Telefone: +351 217260001
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito

Sushill Out

2007/11/12

Recomendado pelo amigo de um dos sushimen, deixou uma pulguinha atrás da orelha – e lá fomos, com um folheto na mão com o mapa e a morada. O nome não era estranho – fomos à confiança e a pesquisa posterior confirmou que existe um Sushimoto “original” no Centro de Congressos do Estoril, com o qual partilhava a imagem. [A mudança de nome para Sushill Out foi posterior à visita.]

O espaço e o conceito misturam-se com o “Última Sé”. Não fugindo à regra dos edifícios da zona, domina a parede em tijoleira cru e os arcos ancestrais. Tons quentes, mobiliário parco, decoração simples. As reminiscências do bar continuam por lá, assim que chegaram dois grupos maiores, o espaço ganhou um aroma desnecessário de tabaco e a música deu lugar a um chiqueiro incivilizado (muito pouco zen).

Com uma comida daquelas, no entanto, estamos dispostos a esquecer o ambiente. Tivemos oportunidade de degustar um dos combinados de sushi com sashimi e alguns dos makis especiais e ficamos surpresos com os agradáveis (e diferentes) sabores com que fomos presenteados. Uma particularidade notável da ementa é a existência de variedades de sushi “do dia”, conforme a inspiração do sushiman: foi a premiére de sushi com morangos e queijo e deixou boa impressão. Novidade também: a carta de chás, para todos os gostos.

Os preços estão a um nível aceitável, o serviço é pronto, eficaz e simpático. Chegámos cedo, sem reserva (o “Viagem de Sabores” era alternativa mesmo ali ao lado), mas a casa encheu num instante, portanto talvez seja aconselhável ligar antes. Tem serviço de take-away. E menús especiais à hora de almoço.

Sushill Out
Tipo de cozinha: Japonesa
Horário: das 12h às 15h e das 20h às 01h – encerra à segunda feira
Preço médio: 20€
Morada: Travessa do Almargem, nº1 B-C, 1100-019 Sé – Lisboa (entre a Casa dos Bicos e a Sé de Lisboa)
Telefone: 218860053
Web: http://www.sushillout.com
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito

Os Tibetanos

2007/09/30

Com o Dalai Lama recentemente em Lisboa e a confusão na Birmânia, parece oportuno falar deles. MAs refiro-me ao restaurante.

Já não ia lá há muito tempo. É dos sítios a que nem todos querem ir, e há muito que não almoço sozinho, nem com tempo, nem naquela zona [e a bem dizer nem naquela cidade].

Os Tibetanos não me converteram ao budismo, mas fiquei certamente rendido à qualidade do restaurante no seu piso térreo e terraço da Rua do Salitre, em Lisboa.

Fui lá muitas vezes [várias vezes por semana até] entre 2oo4 e 2oo6. Dava-me jeito e a comida era ‘óptima apesar de apenas com vegetais’.

Isto porque embora mais ’saudável’, a comida vegetariana nem sempre é ultra-apetitosa. E muitas vezes enjoa, de tanto de comer as mesmas saladas ou o mesmo tofu.

O facto de não ser assim nos Tibetanos, deixou-me entusiasmado. E não só a mim, visto que está sempre, ou quase sempre, cheio.

A cozinha [coisa rara, mesmo que se pague muito por isso, nos restaurantes de hoje] é boa. Os produtos parecem bons [ou pelo menos não tão maus como a maioria dos restaurantes por aí, tirando carne e peixe] e a confecção é genial. Ninguém se lembra que está num vegetariano, e além de se olhar para o prato e se ver ‘comida normal’, tem óptimo aspecto e sabe maravilhosamente.

Esta santíssima trindade é completada pela simpatia do pessoal [que praticamente não mudou desde que comecei a ir lá] e pelo aconchego do espaço [apesar da recente obra, que detestei, de redução da sala de baixo, aumento da cozinha até ao pátio, e terríveis ruídos que daí vêm, a maçar quem quer sossego no pátio, mas felizmente sem as plantas que abrigavam pássaros nem sempre respeitadores dos comensais].

Gosto de praticamente tudo o que vem na ementa [coisa rara] embora os favoritos de sempre [e a sobremesa convém pedir logo ao chegar] sejam a salada terraço [enorme, incluindo frutas exóticas] e que desgraçadamente parece já não haver [talvez por levar uns 30 minutos a preparar] e a genial tarte de papaia com requeijão [de cair para o lado], que cheguei a pedir em dose dupla e a levar depois de um almoço, em pulgas pelo lanche. O segredo parece ser a base [quase parece feita de cereais mal moídos e não da habitual massa quebrada], a polpa de papaia, no ponto, e o requeijão, muito bem batido, cuja aparência, volume e consistência lembram o chantilly, mas o sabor não engana.

Não deixe de ir [e/ou voltar] aos Tibetanos, com a certeza de encontrar sempre algo de interessante na ementa, e de sair de lá em paz.

Pontos + : cortesia, qualidade da cozinha e apresentanção dos pratos e relação com o preço, ambiente simples, mas intimista.
Pontos a melhorar: WC, mobilidade [organização do espaço], meios de pagamento [não tem multibanco, embora admita que seja princípio da casa], velocidade do serviço, estacionamento, para quem tem a paciência de guiar, horário [fecha às 14h e às 21h, e não abre aos fins de semana].
Os Tibetanos
Tipo de cozinha: Vegetariana
Horário: aberto todos os dias das 12h às 14h e das 19.30 às 21.30
Preço médio: 15€
Morada: Rua do Salitre, 117, Lisboa
Telefone: 213842028
Web: http://www.tibetanos.com
Email: restaurante@tibetanos.com
Pagamento: numerário

O Clube de Jornalistas

2007/06/19

Tenho uma relação muito especial com o Clube de Jornalistas. É certo que não sou jornalista, e que critico – com muita frequência até – os jornalistas. Não porque os despreze. Muito pelo contrário: porque reconheço a sua importância na sociedade e por essa razão a sua responsabilidade. Aborrecem-me pois os erros no uso da língua portuguesa ou a tendência para opinar em vez de reportar. O Clube de Jornalistas é deliciosamente aberto ao público. Aos não jornalistas, como eu. E abre não só um fantástico restaurante, como toda uma casa cujas salas inspiram paz de alma e criatividade mental. E até algum romance (comecei lá aquilo a que hoje chamo namoro), entre o pequeno pátio das traseiras e os confortáveis sofás das salas do interior. Ou a reunião na sala dos azulejos. Cheguei até a ver notícias na sala do fundo, que além de bilhar tem TV. Tudo isto com conforto sem luxo, onde o luxo é poder estar só ou em pequena e boa companhia, sem pressas. A comida é genial. Sem grandes pretensões, apesar de não ser barato, o menu junta delícias sem nomes demasiado pomposos como hoje é comum, num novo riquismo que afecta (infecta?) os restaurantes portugueses, recheados de emergentes. No Clube de Jornalistas, recomendo os carpaccios (de atum dos Açores com vinaigrette de ananás e queijo da ilha, ou o carpaccio do lombo, a 10 euros), ou o chévre chaud com mel e maçã (7 euros). Para quem preferir (ou quiser adicionar) sopa, o gazpacho é bom (e não será ousado pedir para juntar mais pão tostado / crôutons), a 4 euros, embora a maravilha seja mesmo a sopa de lavagante (5 euros) à qual nunca resisto. Fora da carta (vi esta semana) estava o creme de ostras, suponho que novidade deste verão. Como peixes, porque não o salmão em crosta de sésamo (€11.50) ou o razoável risotto do mar com champagne (a 17 euros). De carne, além dos clássicos bife (€17.50) e da substancial posta mirandesa (€16), os supremos de frango recheados de farinheira (€12, mas para isso há que ir ao Mezzaluna, que os tem como especialidade) e o meu eleito, o borrego ao alecrim com ratatouille e couscous (€13), que é um dos meus pratos favoritos em casa, e que não dispenso no Clube de Jornalistas. A sobremesa é para mim, cada vez mais, um bom charuto, mas como cada vez é mais difícil fumar em restaurantes (embora no Clube não o seja, bastando fugir para uma das salas de estar), recomendo o ananás em ravioli com recheio de manga e sorvete de tangerina (5 euros) ou para quem nunca vai a Cascais ou ao Estoril, os gelados do Santinni, no Verão. Bendito seja este ‘Clube’ tão aberto, que junta uma bela e acolhedora casa a um serviço simpático e a uma cozinha excelente. E que portanto se recomenda e muito.

Clube dos Jornalistas

Tipo de cozinha: Mediterrânica
Horário: Das 12h às 2h! O restaurante fecha às quartas feiras
Preço médio: 30€
Morada: Rua das Trinas 129, Lisboa
Telefone: 21 397 71 38
Web: sem site específico para o restaurante. O do clube é http://www.clubedejornalistas.pt/
Email: -
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Found You

2007/04/15

Depois de andarmos trocados pelas ruas e travessas do Bairro Alto um bom bocado, “Found You”. O sorriso pelo trocadilho justifica-se e prolonga-se após a entrada e nos ter sido atribuída a mesa. Pequenino, bem decorado e agradável à vista. A especialidade da casa são os fondues (dos habituais – carnes, peixes, mariscos ou queijo, mas dando lugar também a alguns mais invulgares, como o fondue vegetariano, o fondue de tempura ou o fondue chinês – onde o óleo quente é substituído por um caldo de legumes). Para além dos molhos (seis), os acompanhamentos dependem do fondue escolhido, com a hipótese de pedido de extras.

Começar por descrever os fondues sem falar nas delicadas entradas ou nos mimos do couvert pode ser injusto, portanto aqui fica a menção. Os pães recheados e os patês são de chorar por mais e não fosse a premeditada sobremesa (já lá vamos), teria marchado de certeza uma daquelas saladinhas.

A prova que “Found You” é restaurante para refeições demoradas em alegre convívio é o facto de os seus pratos serem praticamente todos para duas pessoas e nas principais alternativas ao fondue serem as carnes (ou camarão tigre) na pedra e as três variantes de raclette.

A piece de resistance reserva-se para a hora de sobremesa. Fondue de chocolate preto com café (o chocolate de leite e o chocolate branco ficam para outra oportunidade) acompanhado de biscoitos e fruta fresca. E no fim ainda perguntam se queremos uma colher para acabar com o chocolate…

Deixa boa impressão (e um rombo considerável na carteira – totalmente justificado pelo pecado da gula). Nada a apontar ao serviço – sempre muito atencioso e prestável, até na hora de sugerir uma alternativa ao vinho que tínhamos escolhido. Aconselha-se a reserva prévia e tempo q.b. para usufruir da refeição com calma. Atenção aos horários ao fim de semana.

Found You
Tipo de cozinha: Fondue
Horário: aberto das 19h00 às 01h00. Encerra às terças-feiras
Preço médio: 35€
Morada: Travessa dos Inglesinhos 34-40 – Bairro Alto – Lisboa
Telefone: 213461137 / 916053581
Web: http://www.foundyou.com.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário