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Os Tibetanos

2007/09/30

Com o Dalai Lama recentemente em Lisboa e a confusão na Birmânia, parece oportuno falar deles. MAs refiro-me ao restaurante.

Já não ia lá há muito tempo. É dos sítios a que nem todos querem ir, e há muito que não almoço sozinho, nem com tempo, nem naquela zona [e a bem dizer nem naquela cidade].

Os Tibetanos não me converteram ao budismo, mas fiquei certamente rendido à qualidade do restaurante no seu piso térreo e terraço da Rua do Salitre, em Lisboa.

Fui lá muitas vezes [várias vezes por semana até] entre 2oo4 e 2oo6. Dava-me jeito e a comida era ‘óptima apesar de apenas com vegetais’.

Isto porque embora mais ’saudável’, a comida vegetariana nem sempre é ultra-apetitosa. E muitas vezes enjoa, de tanto de comer as mesmas saladas ou o mesmo tofu.

O facto de não ser assim nos Tibetanos, deixou-me entusiasmado. E não só a mim, visto que está sempre, ou quase sempre, cheio.

A cozinha [coisa rara, mesmo que se pague muito por isso, nos restaurantes de hoje] é boa. Os produtos parecem bons [ou pelo menos não tão maus como a maioria dos restaurantes por aí, tirando carne e peixe] e a confecção é genial. Ninguém se lembra que está num vegetariano, e além de se olhar para o prato e se ver ‘comida normal’, tem óptimo aspecto e sabe maravilhosamente.

Esta santíssima trindade é completada pela simpatia do pessoal [que praticamente não mudou desde que comecei a ir lá] e pelo aconchego do espaço [apesar da recente obra, que detestei, de redução da sala de baixo, aumento da cozinha até ao pátio, e terríveis ruídos que daí vêm, a maçar quem quer sossego no pátio, mas felizmente sem as plantas que abrigavam pássaros nem sempre respeitadores dos comensais].

Gosto de praticamente tudo o que vem na ementa [coisa rara] embora os favoritos de sempre [e a sobremesa convém pedir logo ao chegar] sejam a salada terraço [enorme, incluindo frutas exóticas] e que desgraçadamente parece já não haver [talvez por levar uns 30 minutos a preparar] e a genial tarte de papaia com requeijão [de cair para o lado], que cheguei a pedir em dose dupla e a levar depois de um almoço, em pulgas pelo lanche. O segredo parece ser a base [quase parece feita de cereais mal moídos e não da habitual massa quebrada], a polpa de papaia, no ponto, e o requeijão, muito bem batido, cuja aparência, volume e consistência lembram o chantilly, mas o sabor não engana.

Não deixe de ir [e/ou voltar] aos Tibetanos, com a certeza de encontrar sempre algo de interessante na ementa, e de sair de lá em paz.

Pontos + : cortesia, qualidade da cozinha e apresentanção dos pratos e relação com o preço, ambiente simples, mas intimista.
Pontos a melhorar: WC, mobilidade [organização do espaço], meios de pagamento [não tem multibanco, embora admita que seja princípio da casa], velocidade do serviço, estacionamento, para quem tem a paciência de guiar, horário [fecha às 14h e às 21h, e não abre aos fins de semana].
Os Tibetanos
Tipo de cozinha: Vegetariana
Horário: aberto todos os dias das 12h às 14h e das 19.30 às 21.30
Preço médio: 15€
Morada: Rua do Salitre, 117, Lisboa
Telefone: 213842028
Web: http://www.tibetanos.com
Email: restaurante@tibetanos.com
Pagamento: numerário

O Clube de Jornalistas

2007/06/19

Tenho uma relação muito especial com o Clube de Jornalistas. É certo que não sou jornalista, e que critico – com muita frequência até – os jornalistas. Não porque os despreze. Muito pelo contrário: porque reconheço a sua importância na sociedade e por essa razão a sua responsabilidade. Aborrecem-me pois os erros no uso da língua portuguesa ou a tendência para opinar em vez de reportar. O Clube de Jornalistas é deliciosamente aberto ao público. Aos não jornalistas, como eu. E abre não só um fantástico restaurante, como toda uma casa cujas salas inspiram paz de alma e criatividade mental. E até algum romance (comecei lá aquilo a que hoje chamo namoro), entre o pequeno pátio das traseiras e os confortáveis sofás das salas do interior. Ou a reunião na sala dos azulejos. Cheguei até a ver notícias na sala do fundo, que além de bilhar tem TV. Tudo isto com conforto sem luxo, onde o luxo é poder estar só ou em pequena e boa companhia, sem pressas. A comida é genial. Sem grandes pretensões, apesar de não ser barato, o menu junta delícias sem nomes demasiado pomposos como hoje é comum, num novo riquismo que afecta (infecta?) os restaurantes portugueses, recheados de emergentes. No Clube de Jornalistas, recomendo os carpaccios (de atum dos Açores com vinaigrette de ananás e queijo da ilha, ou o carpaccio do lombo, a 10 euros), ou o chévre chaud com mel e maçã (7 euros). Para quem preferir (ou quiser adicionar) sopa, o gazpacho é bom (e não será ousado pedir para juntar mais pão tostado / crôutons), a 4 euros, embora a maravilha seja mesmo a sopa de lavagante (5 euros) à qual nunca resisto. Fora da carta (vi esta semana) estava o creme de ostras, suponho que novidade deste verão. Como peixes, porque não o salmão em crosta de sésamo (€11.50) ou o razoável risotto do mar com champagne (a 17 euros). De carne, além dos clássicos bife (€17.50) e da substancial posta mirandesa (€16), os supremos de frango recheados de farinheira (€12, mas para isso há que ir ao Mezzaluna, que os tem como especialidade) e o meu eleito, o borrego ao alecrim com ratatouille e couscous (€13), que é um dos meus pratos favoritos em casa, e que não dispenso no Clube de Jornalistas. A sobremesa é para mim, cada vez mais, um bom charuto, mas como cada vez é mais difícil fumar em restaurantes (embora no Clube não o seja, bastando fugir para uma das salas de estar), recomendo o ananás em ravioli com recheio de manga e sorvete de tangerina (5 euros) ou para quem nunca vai a Cascais ou ao Estoril, os gelados do Santinni, no Verão. Bendito seja este ‘Clube’ tão aberto, que junta uma bela e acolhedora casa a um serviço simpático e a uma cozinha excelente. E que portanto se recomenda e muito.

Clube dos Jornalistas

Tipo de cozinha: Mediterrânica
Horário: Das 12h às 2h! O restaurante fecha às quartas feiras
Preço médio: 30€
Morada: Rua das Trinas 129, Lisboa
Telefone: 21 397 71 38
Web: sem site específico para o restaurante. O do clube é http://www.clubedejornalistas.pt/
Email: -
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Found You

2007/04/15

Depois de andarmos trocados pelas ruas e travessas do Bairro Alto um bom bocado, “Found You”. O sorriso pelo trocadilho justifica-se e prolonga-se após a entrada e nos ter sido atribuída a mesa. Pequenino, bem decorado e agradável à vista. A especialidade da casa são os fondues (dos habituais - carnes, peixes, mariscos ou queijo, mas dando lugar também a alguns mais invulgares, como o fondue vegetariano, o fondue de tempura ou o fondue chinês – onde o óleo quente é substituído por um caldo de legumes). Para além dos molhos (seis), os acompanhamentos dependem do fondue escolhido, com a hipótese de pedido de extras.

Começar por descrever os fondues sem falar nas delicadas entradas ou nos mimos do couvert pode ser injusto, portanto aqui fica a menção. Os pães recheados e os patês são de chorar por mais e não fosse a premeditada sobremesa (já lá vamos), teria marchado de certeza uma daquelas saladinhas.

A prova que “Found You” é restaurante para refeições demoradas em alegre convívio é o facto de os seus pratos serem praticamente todos para duas pessoas e nas principais alternativas ao fondue serem as carnes (ou camarão tigre) na pedra e as três variantes de raclette.

A piece de resistance reserva-se para a hora de sobremesa. Fondue de chocolate preto com café (o chocolate de leite e o chocolate branco ficam para outra oportunidade) acompanhado de biscoitos e fruta fresca. E no fim ainda perguntam se queremos uma colher para acabar com o chocolate…

Deixa boa impressão (e um rombo considerável na carteira – totalmente justificado pelo pecado da gula). Nada a apontar ao serviço - sempre muito atencioso e prestável, até na hora de sugerir uma alternativa ao vinho que tínhamos escolhido. Aconselha-se a reserva prévia e tempo q.b. para usufruir da refeição com calma. Atenção aos horários ao fim de semana.

Found You
Tipo de cozinha: Fondue
Horário: aberto das 19h00 às 01h00. Encerra às terças-feiras
Preço médio: 35€
Morada: Travessa dos Inglesinhos 34-40 – Bairro Alto – Lisboa
Telefone: 213461137 / 916053581
Web: http://www.foundyou.com.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Nood

2007/03/14

Abriu há dias no Chiado. Mesmo sendo fruto de um franchising, merece uma pequena menção - pelo menos enquanto o conceito se manter intocável e não cair no lugar comum. O Nood é, digamos, um restaurante de fast-food de inspiração asiática. Oferece pratos saudáveis e equilibrados, alguns na forma de adaptações ocidentalizadas de pratos da cozinha oriental: As esperadas massas (Ramen, servida em sopa ou em alternativa Udon e Soba feitas no Teppan) e os pratos de arroz, um par de saladas e algum sushi. Existem alternativas vegetarianas e é de destacar também a variedade de sumos de fruta disponível.

Na sala principal, o ambiente diz-se que replica os restaurantes tradicionais asiáticos: decoração minimalista, limpo e moderno, mesas largas e bancos corridos. Não pudemos deixar de reparar em alguns pormenores interessantes: O alargamento da mentalidade saudável à recomendação de evitar fumar na sala, a pequena explicação no topo da ementa para quem visita o restaurante (ou toma contacto com a comida asiática) pela primeira vez e finalmente a zona de lounge (onde se poderá dar asas ao espírito descontraído fazendo uma refeição e trocando uns dedos de conversa num dos confortáveis sofás disponíveis, aproveitando o alargado horário de funcionamento).

Se o Nood pretende oferecer uma boa experiência (e não a baptizamos de gastronómica propositadamente), a relação preço-qualidade é efectivamente boa. E para quem apregoa comida feita no momento, o sushi que provámos pareceu-nos feito há um bom par de horas. Quanto às entradas e às massas, nada contra. A repetir.
No Nood não se efectuam reservas. A configuração da sala principal poderá levar a que o ambiente se torne um bocado confuso e ruidoso. Mas o serviço é rápido e simpático. Para finalizar, o Nood tem também serviço de take-away.

Nood
Tipo de cozinha: Asiática
Horário: Aberto todos os dias das 12h00 às 24h00. Às sextas e sábados, o Lounge encerra às 02:00h.
Preço médio: 15€
Morada: Largo Rafael Bordalo Pinheiro, nº20, Chiado - Lisboa
Telefone: 213 474 141
Fax: 213 466 094
Web: http://www.nood.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Ken-Ichi

2006/12/07

Aconselhados por um dos especialistas em sushi frequentadores aqui do prato, prestámos uma breve visita ao Ken-Ichi um destes dias. Mesmo com reserva em cima da hora (o espaço ainda é grande) e arriscando chegar lá demasiado perto da hora de fecho, foi uma boa escolha. A hora de fecho da cozinha e do próprio restaurante revelou-se um pouco elástica e gozámos de uma farta refeição sem que tenhamos sentido alguma pressão a girar à nossa volta por causa das horas. Fomos atendidos de uma forma cordial e simpática, sempre disponível para explicar as dúvidas e questões existenciais à volta da ementa e dos pratos. Perfeito.

As dúvidas existenciais acerca dos ingredientes acabariam por levar a que nos fosse apresentada a loja que se estende na cave, onde os referidos ingredientes podem ser adquiridos (assim como utensílios de cozinha, artesanato, artigos de decoração e serviços de mesa). Visita obrigatória de segunda a sábado, das 10h às 20h.

A ementa é grande e oferece inúmeras alternativas ao sushi e sashimi. Combinados para refeições rápidas ou para os indecisos. Os clássicos - massas, arroz, sopas, vegetarianos. Para analisar melhor e com mais calma noutra oportunidade. E porque se pode fazer a refeição ao balcão, onde são preparadas as iguarias.

Com um ambiente, um serviço e com uma refeição sem nada a apontar, o preço pago foi justo para a qualidade apercebida nas iguarias provadas. Ao nível dos melhores, atrevem-se estes leigos a vaticinar. Merece certamente mais uma visita com um olhar mais atento à ementa.

Ken-Ichi
Tipo de cozinha: Japonesa
Horário: Almoços das 12h às 15h. Jantares das 20h às 23h (sexta e sábado das 20h às 24h). Encerra aos domingos e feriados.
Preço médio: 20€
Morada: Rua Sousa Martins, nº 15 - Picoas - 1050-217 Lisboa
Telefone: 213137715 / 213137710
Web: http://www.yasuragitrading.com/
Email:
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Estado Líquido Sushi Lounge

2006/11/25

Acabo de reparar que nunca escrevemos sobre o Estado Líquido Sushi Lounge, que em breve terá ao lado [e também seu] um restaurante ‘estilo degustação’, com menu fechado.
É claro: podíamos ser um ‘hub’ de restaurantes que ninguém conhece: o ponto de descoberta gastronómica deste belo país à beira mar plantado.

Também somos. Mas não somos só isso. E isso percebe-se facilmente: basta consultar a lista completa de restaurantes. Encontram-se os mais inimagináveis e os mais established.

O Estado Líquido é hoje mais do que established, apesar de alguns encontrões, como o do alegado ’sake com detergente’ que causou frisson neste ano que agora acaba.

O establishment Estado Líquido começou por ser um bar. Um bar com estilo, finalmente, numa cidade geograficamente grande que insiste em continuar urbanamente pequena.

O estilo foi trazido pelo ‘nome’ que se associa sempre ao espaço: João Matias, um account manager vindo da publicidade e que passou por São Paulo [o que certamente explica o fenómeno sushi, o fenómeno lounge, e em geral a imagem e conceito associados ao ‘E.L.’].

Sou cliente ‘regular’ [agora menos, por razões geográficas], mas não posso deixar que o Estado Líquido vive do seu conceito. É um conceito banal em grandes cidades. E em terra de cegos, quem tem olho é rei: a abertura do Sushi Lounge coincidiu com o boom do sushi em Portugal, a música chill / nujazz / soulful house / discosoundrevival também e a decoração minimal / zen idem. E o marketing tem sido exemplar.
Assim se não fosse bom ganharia por ser o único no seu estilo, em conteúdo e forma.

Hoje o conceito alargou-se: o Estado Líquido é bar, CD, sushi lounge, academia de sushi e afins, dá massagens, leva sushi e afins a casa e em breve terá restaurante com cartas fechadas / ‘degustação’.

Deixou de ser íntimo, mas continua relativamente intimista. Sobretudo o sushi lounge.

O nome é comercial: não é bem bem um lounge [e puff só há um, creio], e serve bem mais do que sushi, ainda que o ‘peixe crú’ seja o ponto forte.

Oferece várias variedades de sushi e sashimi e tem uma razoável lista de entradas [’otoshi’, they say, que inclui o típico caldo miso, mas uma panóplia de outras coisas menos comuns, ainda que também coisas mais prosaicas, e não necessariamente nipónicas, como ostras].

De sushi, Nigiri sushi [o clássico], Temaki [os ‘cones’], Hossomaki [enrolados finos], os meus favoritos Uramaki [enrolados com arroz por fora, em vez de nori/alga].

Para várias pessoas o ideal é um combinado, seja o sushi moriawase [só sushi], seja o sushi to sashimi [óbvio].

Há espetadas para os anti-peixe e algumas inovações para os medrosos do cru.

As bebidas oscilam entre o clássico chá verde [não em folha inteira e enrolada, mas quase em pó, é pena], chá gelado japonês [’Oolong tea’, they say] cerveja [a japonesa é chamada ‘Kirin’], sakê, vinhos portugueses [poucos], e um produto especialmente publicitado pelo EL, Moët & Chandon. Mas a especialidade são as caipirinhas ou sakeirinhas, de manga, maracujá, morango, etc..
As sobremesas são várias, mas a especialidade [que é inclusive o bolo de aniversário do EL] é a mousse de chocolate preto [’a melhor do mundo’, they dare to say], à qual se junta rum.

O ambiente é por vezes barulhento [e com o DJ de serviço, dependendo de quem seja nessa noite, nem sempre fácil] mas tem a suprema vantagem de trazer a ilusão de uma cidade sofisticada: de ‘havaianas’ ou smoking, ninguém se chateia, porque o desejo de sossego e diversão é comum.

Várias coisas têm mudado. Além das referidas, alguma cedência do conceito a algumas marcas [como a Moët, cujas garrafas estão exibidas junto da cozinha e o logo na ementa de home sushi] e algumas pessoas. Mantém-se firme a qualidade da cozinha [que até é importante num restaurante, embora hoje isso pareça esquecido por aí], do serviço, do espaço. E o rosto de sempre: Rita [ou Ritinha, ça depend], o maestro mais visível daquele que é um dos pontos de ‘urbanidade’ e relativamente despretenciosa em Lisboa. Respeita os meus três C: cool, cozy & clean. E até nem está muito infectado de wannabe stars ou stars maçadoras, como sucede frequentemente com os 3C.
As reservas são essenciais, podem ser feitas através o formulário online [a Rita ou someone liga a confirmar] e o estacionamento oferecido, se até 3h, com acordo com o parque subterrâneo lá do sítio. Para dois, sugiro a mesa com o puff, quase à frente do DJ [as janelas não valem, porque são acima do nível da cabeça] e para grupetas as mesas junto à parede que tem ‘almofadas redondas na parede’.

A visitar. Regularmente.

Estado Líquido Sushi Lounge
Tipo de cozinha: Fusão de base japonesa
Horário: óptimo - de domingo, terça e quarta, das 20:00 às 02:00. Quinta, das 20:00 às 03:00. Sexta e sábado, das 20:00 às 04:00.
Preço médio: €30
Morada: Largo de Santos, 5-A, Lisboa
Telefone: 213972022
Web: http://www.estadoliquido.com
Email: reservas@estadoliquido.com
Pagamento: Numerário / Multibanco