Posts marcados com a tag ‘peixe’

Cantinho do Cais

2009/05/16

Açores. A tradição diz que o povo português é hospitaleiro e que gosta de receber bem. Aqui não se encontra a excepção. À conversa com um natural de Ponta Delgada, e apresentando os planos de visitar a costa norte de S. Miguel, a conversa foi interrompida com um sonoro “Se vão lá, tem que ir a Porto Formoso, ao Jorge!”. E assim fomos. Porto Formoso é uma pequena aldeia ligada à pesca como tantas outras e não foi difícil uma mão cheia de restaurantes na rua principal. E o Jorge? Perguntámos a um local pelo Jorge. E o Jorge era ali mesmo ao lado, o “Cantinho do Cais”. Só que tinha mudado “para outra freguesia, São Brás, um pouco mais acima” (sic). O “Cantinho do Cais” deixara de o ser o restaurante escondido junto ao cais e ganhara novas instalações condignas e merecedoras da fama.

Fomos recebidos pelo dono da casa, que nos serviu e com o qual trocámos algumas impressões sobre o seu espaço, sobre a recomendação que nos tinham feito e sobre a sua cozinha. O peixe e o marisco aqui são reis e a refeição deixou saudades. A sopa de peixe (obrigatória) para a entrada, umas lapas grelhadas divinais e depois o “molho de peixe”. O “molho” é uma curiosa mistura de ensopado com caldeirada e a dose gigante servida em tacho de barro e que por aqui é prato obrigatório. No intervalo, uma piscadela de olho a uma abrótea frita. A menção a “peixe frito” revolta alguns aparelhos olfactivos e gustativos, mas aqui houve uma honrosa excepção e comprovou-se que era apetecível e saboroso. Perante tal barrigada, a hipótese de provar sobremesa desaparecia rapidamente do horizonte, mas as queijadas (outro ex libris da casa) cairam mesmo muito bem.

Ambiente familiar, preço muito acessível, atendimento atencioso e, sem dúvida, o peixe fresquíssimo. Só chateia mesmo estar a 1500Km de distância…

Cantinho do Cais
Tipo de cozinha: tradicional (peixe)
Horário: Aberto todos os dias das 08h às 24h
Preço médio: 20€
Morada: R. do Ramal de S. Brás 9625-502 São Brás – Ribeira Grande
Telefone: +351 296 442 631
Pagamento: numerário, multibanco

Salpoente

2008/01/29

Para primeira aposta numa breve visita a Aveiro, não está nada mal: Com vista para o canal, virado para as salinas, um antigo armazém de sal restaurado e recuperado. A sala ampla e de decoração simples é dominada pelas enormes traves que apoiam o telhado, que deixa entrar a luz natural tornando o espaço bastante luminoso e apelativo.

O conjunto alargado de petiscos/couvert convidava quase a saltar um dos pratos principais, mas era difícil resistir aos restantes pratos da cozinha regional que é proposta, cuidadosamente compartimentada entre os peixes no tacho, peixes na grelha, mariscos, bacalhau e carnes. Provámos um Polvo à Lagareiro com Migas de chorar por mais, uma Massada de Peixe e um Arroz do Mar. E se tivesse sobrado apetite…

Em suma, uma refeição pomposa a um preço justo, um ambiente agradável e um atendimento simpático – não é todos os dias que alguém responsável se prontifica a mostrar o piso superior ainda desarrumado devido a um jantar de grupo na noite anterior, nos conta a história da casa e nos aconselha outros bons restaurantes na zona.

Salpoente
Tipo de cozinha: regional
Horário: Encerra ao Domingo ao jantar e à Segunda feira todo o dia.
Preço médio: 20€
Morada: Canal de S. Roque 83 – 3800-256 Aveiro
Telefone: 234 382 674
Fax: 234 425 210
Email: salpoente@sapo.pt
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito

Pezinhos na Areia

2007/10/13

Pezinhos na Areia 09092007 (2)A história repete-se um pouco por toda a parte em toda a costa portuguesa. Pequenos bares de praia a transformarem-se, sob a acção da gerência certa, em casos sérios de restauração. A zona de Castro Marim e Vila Real de Santo António sempre teve um tipo de turismo diferente do demais Algarve (à excepção de Monte Gordo, que é, na minha opinião, uma aberração desenquadrada e desproporcionada) e há um quarto de século atrás, nada fazia prever que a zona ocupada pelo parque de campismo da Praia Verde se tornaria tão selecta e requintada.

Eis o Pezinhos na Areia.

O atendimento é invulgarmente simpático e eficaz para um restaurante algarvio. O cliente está primeiro e é o cliente que determina se prefere um serviço rápido ou se prefere apreciar o que o envolve. Um snack ou algo mais elaborado. Os preços, sem serem exagerados, são adequados à qualidade da cozinha, ao cuidado dedicado ao cliente e a todo o ambiente que caracteriza o restaurante. A larga esplanada debruçada sobre a praia convida a um bom jantar entre amigos a apreciar o fim do dia e a degustar um bom vinho.

Recomendam-se as cataplanas e as pataniscas de camarão, pratos de uma ementa fixa pequena mas cheia de pontos fortes. A especialidade está mesmo no peixe fresco para grelhar (e que varia de dia para dia). Fora da hora das principais refeições, o restaurante não pára e servem-se refeições leves e aperitivos.

Absolutamente imperdível.

Pezinhos na Areia
Tipo de cozinha: Portuguesa
Horário:
Inverno (15/Fev a 31/Mai e de 15/Set a 10/Dez): 10h00 às 19h00
Verão (01/Jun a 15/Set): 11h00 às 02h00
Encerra de 10/Dez a 15/Fev
Preço médio: 30€
Morada: Praia Verde – 8950-414 Castro Marim
Telefone: 281513195
Fax: 281957551
Web: http://www.pezinhosnaareia.com
Email: geral@pezinhosnaareia.com
Pagamento: NÃO aceita cartões de crédito e débito

Arte & Sal

2006/08/30

Arte e Sal

Quem vem de Sines em direcção a Porto Côvo, passando pela praia de S. Torpes, perde decerto a conta ao número de restaurantes à beira da estrada. Este não pretende (pelo menos ainda) ser o princípio de uma análise cuidada ao como se come por ali. O restaurante já nos tinha sido recomendado. E naquele dia o critério de escolha foi “o que é que está aberto à segunda feira?”.

O Arte & Sal é uma sucursal do “Migas” (em Sines). Desconhece-se (ainda) os galões da casa original mas, tal como os restantes restaurantes atrás mencionados, a grande tendência do Arte & Sal (“Casa de Peixe” de cognome) é o peixe grelhado no carvão. Para além da variedade de escolha neste campo, há sempre a hipótese de embarcar pelo marisco ou num ou outro prato a lembrar que estamos no Alentejo (que bela açorda de ovas! que curiosas migas!). O prato mais popular parece ser no entanto… a picanha. Bem servida, com farto acompanhamento. A 100 metros do mar, ninguém nos tira a ideia que é sacrilégio.

Fomos muito bem atendidos. O ambiente é calmo e descontraído e o espaço amplo e iluminado. Convida a grandes jantaradas com os amigos depois de um dia de praia.

Arte & Sal
Tipo de cozinha: Peixes e mariscos
Horário: A cozinha encerra às 22.30. O restaurante fecha às quartas feiras
Preço médio: 20€
Morada: Praia de Morgavel – S. Torpes – 7520 Sines
Telefone/Fax: 269869125
Web: http://artesal.pt.vu/
Email: arte.sal@netvisao.pt
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Esplanada Furnas

2006/08/22

Deve ter começado tudo para aí há uns 25 anos. Lembro-me de naquele mesmo sítio haver um pequeno barraco pré-fabricado que vendia gelados, sumos e ocasionalmente a sandes de pão saloio a quem usava a zona das Furnas como destino do passeio de fim de semana.

Quem visita como eu a Ericeira há anos (e a própria casa) não pode ter deixado de reparar na curiosa mudança e evolução deste espaço. Sempre com o mar ali mesmo ao lado, cresceu e cresceu e foi adoptando as sucessivas esplanadas como espaço cativo do restaurante. Até porque a fama também crescia ao mesmo ritmo.

Existirão com certeza outros sítios na Ericeira onde se coma tão bom peixe (ou tão bem confeccionado) como nas Furnas, acredito. Pudera. Mas nenhum terá o enquadramento perante o mar como este. E é de peixe que se fala quando se aproxima da porta. O peixe (fresquíssimo!) que iremos ser servidos é logo ali escolhido, pesado, amanhado e deitado às brasas. Enquanto se entra e se petiscam as entradas (delicioso percebe, entre outros petiscos), há tempo para apreciar a vista soberba e a decoração feita de motivos marítimos. Talvez tenha perdido qualidades com os sucessivos alargamentos, o ambiente do Furnas. Os espaços abertos tornaram o restaurante vulnerável ao ruído das restantes mesas (e regularmente ao fumo de um charuto teimoso). Entretanto, chega o peixe. Escalado (cortado ao meio longitudinalmente) ou cuidadosamente arrancado às espinhas por um prestável colaborador. Acompanhamento minimalista (e não há mal nenhum nisso, basta o sal e um sábio a comandar a grelha). Uma delícia.

As sobremesas são interessantes, mas recorro teimosamente à tarte de maçã (quente) com gelado. Manias.

Convém marcar “consulta”, como diz a minha mãe. É que costuma estar cheio. Caro? Talvez. Mas é um preço justo a pagar pelo saber e pelo sabor colocados naquele peixe grelhado na brasa. E há carne? Há, mas ali é pecado.

Esplanada Furnas
Tipo de cozinha: Peixe e Marisco
Horário: 12h às 23h. Encerra à segunda feira
Preço médio: 25€
Morada: Rua das Furnas (por baixo do Parque de Sta. Marta, na marginal)
2655-295 Ericeira
Telefone/Fax: 261864870
Pagamento: Cartões de débito, crédito e numerário

Frade dos Mares

2006/07/27

Lorenzettinão se recorda de alguma vez ter escrito ‘mal’ de um restaurante. Numa quentíssima segunda-feira de Julho, Lorenzetti ia à festa do IV Aniversário do Estado Líquido. Antes, um jantar bem perto, por sugestão de uma amiga, que pacificou a eterna dúvida de onde jantar numa segunda-feira.

O Frade dos Mares não fecha às segundas. Maravilha.

Chegado ao local, ao lado do Refúgio [AKA Refúgio das Freiras, bar bem conhecido em Santos, pelas suas sessões de rock ao vivo], até porque é do mesmo dono, ao que parece, a primeira impressão foi muito boa.

Um espaço muito simples e muito eficaz, com um aspecto clean, como manda a moda, mas suficientemente acolhedor para não parecer um escritório ou uma casa de banho convencional.

Uma boa lista de pratos do dia [a especialidade da casa, como se percebe pelo nome, é o peixe] e uma mesa com boa pinta.

O couvert incluía uma broa razoável e uma pasta de chouriço [ou salpicão, linguiça ou semelhante], agradável, uma de manteiga com coentros e alho, e outra da qual não há memória. Ao lado, água, com a qual continuámos, já a antecipar muita sakeirinha no EL.

Depois de uma salada de polvo clássica, bastante razoável, pediu-se uma sopa de peixe, que fervia. Era um caldo peculiar, e Lorenzetti não confirma, mas admite que ou era caldo pré-preparado ou não sendo [até porque é um restaurante de peixe] tinha algo que o tornava menos comum, mas não mais agradável.

De seguida, um bacalhau com broa e uma corvina que serviu de recheio a uma boa massa folhada. O bacalhau, ressequido, era ainda mais seco pela broa, que não tinha uma única pitada de azeite. A corvina veio — pecado capital e que estragou o jantar — praticamente crua.

Pelo sim pelo não, a sobremesa veio de casa: um charuto que embora não tenha surgido como a cereja no topo do bolo, serviu [pobre tabaco] como uma compensação pelo fraco jantar.

Lorenzetti ficou muito decepcionado, até porque ia com muitas esperanças, alimentadas pela recomendação de uma amiga, pelo que leu em alguns locais e pela simpatia do lugar e voz grave e olhar penetrante da chefe de sala [!!].

Mas não convenceu e é pena, ainda que Lorenzetti admita regressar, na esperança que o jantar em causa tenha sido um desastre monumental e a excepção que confirma a regra. E a casa não se queixará de silêncio, pois com toda a simpatia, transmitiram-se à cozinha as nossas críticas.

Nessa noite, a salvação foi no Estado Líquido, onde não faltou o sushi all night long, com muito boas vibes.

Frade dos Mares
Tipo de cozinha: Portuguesa
Horário: 12:00-15:00 e 20:00-24:00. Encerra aos sábados ao almoço e aos domingos todo o dia
Preço médio: 20€
Morada: Av. D. Carlos I, 55-A
1200-647 LISBOA
Telefone/Fax: 213909418
Web:
Email: fradesdosmares@mail.telepac.pt
Pagamento: Cartões de débito e numerário