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Foz Velha

2006/09/17

É um restaurante na zona tradicional da Foz do Douro, no Porto, e recomenda-se.

Desiludido na sua última visita ao Porto, dada a expectativa e o flop da visita ao ‘na moda’ Sessenta Setenta, do qual já se falou aqui, o Foz Velha soube como belíssima compensação.

É certo que não é tão trendy nem de design tão apurado.

Mas é certo também que — das visitas que fizémos — resultou no Foz Velha uma cozinha bem mais acertada…

É no entanto incerto que uma das melhores características do Foz Velha se mantenha: a belíssima vista para o mar, que ajuda também à fantástica luz natural em toda a sala durante o dia [estamos a falar de cerca de 500 m2], uma vez que está já em marcha uma qualquer construção mesmo em frente ao restaurante e a separar este do início da Avenida do Brasil e do mar, e mesmo que tal construção não ultrapasse a altura característica daquela zona, será mais que suficiente para cortar toda a vista para o mar [e claro, a luz…]. Em termos paisagísticos, será a morte do restaurante. Ironia do destino para uma casa cujo logotipo inclui um trevo da sorte.

Em termos gastronómicos, está bem e recomenda-se. Começámos por um champagne rosé oferta da casa [modas] e pães óptimos e fresquíssimos, ainda que apenas houvesse manteiga e bastante banal.

As opções eram desde logo duas: um menu de degustação ou um menu escolhido por nós.

As entradas soavam [e as provadas eram] apetitosas: as frias, açorda fria de sapateira com bacalhau marinado em azeite e coentros, molho de marisco e pesto de tomate; carpaccio misto de novilho e boletos com mousse de dois pimentos, folhas do campo, azeite trufado e lascas de queijo parmesão; terrina de cogumelos selvagens recheada com mousse de foie gras e molho de figos confitados; e rolinhos de crepes recheados de salmão aromatizado em especiarias com alcaparras e molho de aneto; as quentes, folhado de queijo de cabra com maçã confitada, frutos secos e dedução de whisky de malte; e creme de coentros com cremoso de queijo Serpa e crocantes de paiola de Barrancos.

Escolhemos a açorda, porque junta imensas coisas que gostamos [e pesto com marisco o que é estranho, mas resultou bem, ainda que não seja fácil] e o creme [que segundo me disse uma comensal exigente, estava divinal].

A antecipar estas entradas, o chef ofereceu à mesa um crepe de alheira, coberto com sésamo, que apenas ganharia em estar ligeiramente menos gorduroso [o resultado da fritura da massa de crepe].

Como prato principal, apetecia-nos peixe, mas a selecção não era por aí além para os nossos gostos: lombo de bacalhau braseado em lascas com as suas melhores ligações [batata a murro, pimentos, grelos e broa]; taco de pescada fresca com crocante de azeitonas pretas e molho de rucula [gratinado de batata, cenoura, e courgette]; tranche de robalo selvagem ao vapor recheado com “à Brás” de legumes e molho de caril; e filetes de polvo com migas regionais e molho aioli [migas: broa, couve galega, arroz e feijão frade]; crocante de bacalhau fresco com pêra confitada em manto de aipo e cenoura ao molho de funcho.

Já comentámos no Lorenzetti Come a pirosice ou novo-riquismo de alguns nomes [estilo ‘manto de aipo’, pelo que nos escusamos de repetir, mas apenas remeter…].

Acabámos por escolher [os dois, éramos dois à mesa] o mesmo: o polvo. A quantidade de migas excedia largamente a de polvo, o que não podia ter resultado melhor. E pior, o feijão estava frio, contrariamente aos restantes ingredientes das migas. Ainda assim, o polvo era tenríssimo e todos os ingredientes bastante bons.

Não pedimos carne e passámos a um ‘calmante’ oferecido pelo chef: um pequeno sorvete de maracujá que caiu lindamente.

Acabámos com queque de chocolate morno com gelado frutos silvestres e um prato com uma selecção de fruta fresca laminada, ambos bons.

Bebemos [a noite anterior no Twins assim o exigiu] água, simples água…

O balanço final foi genial, e uma conta bem em conta, uma vez que embora não tenhamos pedido menus de degustação, tendo pedido entrada, prato principal e sobremesa, foi tudo convertido em ‘menu’ de 20 e tal euros, o que que atendendo ao local, serviço, e qualidade e quantidade de comida, não foi nada desrazoável e mais barato do que em Lisboa.

Soubémos, mais tarde, que o chef foi o mesmo que abriu a Casa da Calçada, em Amarante, que saltou para os jornais com a rápida caça de uma estrela Michelin.

Não estávamos com apetite nem a circunstância a isso ajudava, mas o restaurante também oferece, como referido, menus de degustação [quarenta e tal euros, sem vinho], bastante famosos na cidade, e que mudam sazonalmente. Os actuais encontram-se sempre o site do restaurante e em Lorenzetti Come indicamos os que estavam disponíveis quando lá estivemos [um de seis e outro de nove pratos].

Recomenda-se e muito, inclusive pela possibilidade — que não afastamos — de perder-se a vista para o mar e a luz natural muito em breve!

Caso seja um almoço, porque não tomar o café, ou simplesmente ar, na óptima esplanada do Ourigo’s [o único pecado é o serviço lento e a falta de sumos naturais sem ser laranja], na praia do Ourigo, mesmo à frente do restaurante?

Caso seja um jantar, porque não acabar no Twins, ao custo de uma rápida e saudável deslocação a pé?

Foz Velha
Tipo de cozinha: Autor
Horário: 12:30 - 15:00 / 19:30 - 23:00 [até às 24:00 às sextas e sábados]
Preço médio: 30€
Morada: Esplanada do Castelo, 141, Foz do Douro, 4150-196 Porto
Telefone/Telemóvel: 226 154 178 / 918 818 147
Web: http://www.fozvelha.com
Email: mail@fozvelha.com
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Sessenta Setenta

2006/09/06

O Sessenta Setenta é um restaurante no Porto.

Fica ao lado de um antigo convento [de Monchique], na rua de nome sugestivo [rua sobre o Douro], tal como o próprio restaurante, e que não decepciona [ainda que nao seja MESMO MESMO ’sobre’ o Douro], à qual se chega pela Rua da Restauração. Bem fácil, embora não pareça.

O edifício é todo em pedra, belíssima, com pequenas janelas sobre o Douro, mirando Gaia e os infindáveis cartazes e luzes piscantes das caves de Porto.

Entra-se por um simpático portão — antecedido por uma prudente carta e preçário — que antes do restaurante propriamente dito — em edifício autónomo — tem uma esplanada lateral ao Douro e com bar próprio [que na altura, uma noite de quinta, não estava a funcionar] ao ar livre, que deu jeito a Lorenzetti para um Romeo y Julieta que percebeu que viria a incomodar uns quantos comensais que ainda iam a meio.

Pensa pois o leitor, sobretudo o que já conhece Lorenzetti, que ‘com charuto’ a refeição foi muito boa [para completar] ou muito má [para compensar].

Nem uma coisa nem outra. As expectativas eram muito altas, dada a origem da tip dada a Lorenzetti, por uma ‘gourmet’ local, que se apressou a dizer que o 60 70 ainda não tinha clientela fixa e que valia a pena passar lá antes que passasse de moda e ficasse mau ou fechasse. Meu dito meu feito. Lá se desmarcou o clássico Bull & Bear e se partiu para novas aventuras.

E foi uma aventura. Amuse-bouche, nicles. Couvert, uma bola de manteiga manhosa e um pão pouco apelativo. Uma lista de vinhos razoável, felizmente com indicação dos anos e separação dos varietais. Mas apenas dois vinhos a copo, que não primavam pela excelência, a seguir a regra habitual [embora em Portugal, só o facto de ter vinho a copo já é de aplaudir].

Avançou-se com uma sopa de peixe, que no caso era um caldo [a fazer lembrar um provado no Frade dos Mares, em Santos, para esquecer] ao qual se acrescentaram dois mexilhões e umas minúsculas tranches do que parecia ser solha cozida ou um linguado raquítico.

Por estranho que pareça [mas a carta obrigou-nos a isso, e o apetite também] continuámos com peixe: um rodovalho sobre espargos e cebolinho. Algum excesso de sal, de resto regular, nada de outstanding.

Em desespero de causa, pedimos de sobremesa o que nos recomendassem. Uma recomendação não podia sair mal. Saiu. E foi a especialidade da casa. Um soufflé de Grand Marnier que como qualquer soufflé demora tempo, mas que neste caso demorou ‘horas’. E como foram bem passadas, não afectaram a ‘degustação’. Que foi terrível. O soufflé era suficiente minúsculo para se confundir com uma sobremesa parte de um ‘menu de degustação’ [juntando-se à vontade a mais 3 ou 4], a clara afundava tudo, o creme era inexistente e o Grand Marnier parecia ter sucumbido ao forno.

Um flop.

E temos pena, porque como é óbvio, somos viciados em comida. E apesar dos restaurantes da moda nem sempre serem os melhores restaurantes [style over content…], esperávamos mais. Somos capazes de voltar. Mas não será pela comida. Modernices.

Quem quiser ver o sítio, que é giro, pode ficar com as referências abaixo [mas recomendamos que peça um steak au poivre, que tinha óptimo aspecto e não pode falhar].

Sessenta Setenta
Tipo de cozinha: Mediterrânica [ma non troppo]
Horário: Segunda a sábado das 12h30 às 14h30 e das 20h00 às 01h00 [fecha aos domingos e ao sábado não serve almoço]
Preço médio: 25€
Morada: R. Sobre o Douro, 1 - A, Porto
Telefone/Fax: 223406093
Web: -
Email: -
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

D’Oliva Al Forno

2006/07/04

Este é provavelmente o melhor restaurante de Matosinhos! Quem vai ao Porto tem obrigatoriamente que passar por aqui…

O espaço é um antigo armazém recuperado com muito bom gosto, decorado num ambiente cosmopolita onde saliento uma enorme parede de xisto, a iluminação suave, as enormes mesas, as cadeiras elegantes forradas em veludo que dão um toque de classe e a distinta garrafeira. Está subtilmente dividido em duas áreas, sala e balcão, este último para clientes onde o tempo é sinónimo de pressa.

A cozinha italiana é dominada por massas frescas e secas, onde o peixe não é rei. Pode no entanto optar por um suculento bife da vazia ou do lombo, com molho de Vinho do Porto, ou molho de Pimenta, acompanhados por batata assada a murro ou frita às rodelas, uma verdadeira iguaria.

Não deixe de fora as entradas, onde destaco o carpaccio de salmão. Aconselho vivamente as sangrias, de branco ou tinto, mas a minha escolha é sem duvida a de champanhe.

Ao som de chill out, que varia de intensidade de acordo com a hora, poderá saborear a uma refeição de intensos paladares.

O sucesso do Oliva? A cozinha requintada, os alimentos de qualidade, as pessoas bonitas que frequentam este espaço, a música selectivamente escolhida. Todos estes factores fazem desta casa o melhor sítio para reunir amigos.

Já fui diversas vezes e sempre bem recebida. O único ponto negativo? Fica a mais de 300Km de minha casa!

Se for ao fim de semana, reserve mesa, está sempre cheio.

D’Oliva Al Forno
Tipo de cozinha: Italiana
Preço médio: 30€
Horário: Encerrado à segunda feira ao almoço
Morada:Rua Brito Cunha, 354
4450 – 083 Matosinhos
Telefone: 229351005
Fax: 229350078
Web: http://www.doliva.net
Pagamento: Cartões de débito, crédito, numerário