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Restaurante João do Grão

2008/12/02

O Domingo é quase sempre (pelo menos sempre que possivel) dia de ficar por casa. Variando entre a cama e o sofá, lá se passa o dia entre receitas caseiras, chá ou café e bolinhos…

Mas quando há uma boa razão para sair não nos fazemos rogados e um almoço com bons amigos será senão a melhor, uma das melhores razões e como tal lá fomos nós. Ainda em casa lembrei-me da Susana já ter referido um restaurante ali pela Baixa de Lisboa onde se come bom bacalhau com grão. Ainda que tal referência não seja a típica frase para convencer quem procura um bom restaurante, os comensais são todos de boa barriga e melhor garfo e como tal bacalhau com grão lá no fundo sempre faz tocar o alarme.

10 minutos de automóvel (que o Metro implicava burocracias para as quais não tínhamos tempo) e já o carro estava estacionado no parque junto aos armazéns do Chiado. Meio passo sempre em frente atravessando a Augusta e já lá estamos na Rua dos Correeiros (antiga, mui antiga Travessa da Palha). Por aqui passo muitas vezes mas à hora de almoço sempre tenho quase sempre a impressão da comida para turista tal é a quantidade de solicitações porta-a-porta para que lá entre a provar as suas iguarias. Adiante. O caminho hoje está traçado: Restaurante João do Grão.

Porta entrada dá para entender à primeira vista que ali se come bem pelas fartas travessas nas mesas. Sala meio-cheia (Domingo na Baixa dá vontade de bater aos autarcas) e mesa para cinco. É logo ali e ainda mal sentados já lá está o pão e as costumeiras manteigas assim como o queijo fresco que é devorado entre a Patrícia e o padrinho.

A carta vem de seguida que aqui não se espera muito. Pratos do dia eram vários mas confesso não recordar. Sei de cor o que escolhemos. Foi pedido Cozido à Portuguesa, Açorda de Bacalhau e duas de Bacalhau Cozido com Grão ao fim e ao cabo foi essa a referência.

Quase sem darmos por ela estava já o serviço na mesa. O Cozido assustava só de ver tamanha travessa mas mais assustou com a referência de que era meia dose. Vieram de seguida as duas de Bacalhau que rivalizavam em tamanho com o Cozido. Por último chegou a Açorda que veio de marisco em vez de Bacalhau mas que prontamente se ofereceram a trocar. Não foi preciso, ficou.

O Bacalhau com grão é sobre o que melhor posso falar. Básico como se queria: Bacalhau, batata (pouca e ainda bem), grão, cebola picada e salsa qb. Boas postas, uma travessa mais fina e outra mais grossa com a sugestão de dividir. O grão grado e saboroso, cozido ao ponto e a cebola a dar o gosto. A dose satisfaz sobremaneira.

Sobre o Cozido à Portuguesa que mais haverá a dizer para além de estava bom? As carnes do costume e as verduras a condizer. Sobre a açorda que ainda provei, bem guarnecida de mariscos, sendo que os pedaços dos exemplares de maior porte foram postos no prato antes de tudo o mais e os mais pequenos vieram na mistura. Ainda sobrou.

O final foi de bolo de brigadeiro (confesso que já provei melhores que o chocolate é só por si uma ciência) para mim e mousse de chocolate (sem desapontar) para outro dos presentes. As senhoras à mesa dispensaram mais calorias.

Os cafés vieram e o garoto claro da praxe veio tal como foi pedido. Claro. Bastante claro.

Apreciação global: A voltar decerto e a experimentar mesmo a meio-dia de trabalho quando a tarde não o proibir.

Restaurante João do Grão
Tipo de cozinha: Tradicional Portuguesa
Preço médio: 15€
Morada:  Rua dos Correeiros 222-226, 1100-170 LISBOA
Telefone: +351 213424757
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito

Não encerra.

Solar dos Amigos

2008/12/01

Confesso que, neste momento, escrevo de… “pança cheia”. Ou seja, estou seriamente a ponderar a hipótese de que o meu jantar seja apenas um chazinho e umas torradinhas com pouca manteiga…

Há uns dias atrás, recebi um convite de uns amigos meus para ir almoçar ao “Solar dos Amigos”, ao pé das Caldas da Rainha, numa localidade chamada… Guisado (e que rivaliza com a mítica Carne Assada (ali para os lados de Sintra). Acho que ter aceite o convite foi uma óptima decisão, porque para além de um almoço em excelente companhia, descobri um restaurante onde tenho a certeza que vou voltar.

Não foi difícil de dar com o restaurante. Chegado a Guisado (sim, não resisto a repetir o nome da terra até à exaustão), é simples – é no centro do estacionamento caótico… Realmente, o restaurante mostra que a cozinha é boa e conhecida logo à entrada, com um magote de carros mal estacionados a ladearem a rua durante 200 metros e de pessoas a fazerem fila à espera de lugar. Recomenda-se, vivamente, que reservem mesa!

Entra-se para uma salinha pequena (há outra, maior e mais desimpedida, na continuação), atafuada de mesas, e dominada por uma enorme lareira, onde se vão assando chouriços, morcelas, bacalhau, porco, enfim, o que o freguês for pedindo, por entre paredes decoradas com posters de corridas de touros, pseudo-cabeças de touros, bandarilhas e canecas de barro! Pelo meio, lá nos sentamos numa mesa redonda, com banquinhos pequeninos. E começa a chegar o pão (delicioso e quente), o requeijão, o doce de abóbora (fabuloso!), uma morcela (esta foi a pedido, e valeu a pena) e um jarro de tinto da casa meio carrascão! Quem tinha dúvidas, rapidamente percebeu para o que ia – este almoço ia ser a perdição da minha (já condenada) dieta!

Olhou-se para a ementa e, quando íamos pedir os pratos, chegaram-nos duas informações: já não havia cabrito (o que é uma boa razão para lá voltar) e as doses completas davam para 5 / 6 pessoas (4 seria um número mais justo, mas, realmente, depende da ‘alarvidade’ dos convivas). Pediu-se uma de bacalhau campino (bacalhau com feijão e couve, em migas, dentro de um pão caseiro, de comer e chorar por mais) e outra de costeletas de novilho (que estavam um pouco passadas de mais) acompanhadas de batatas fritas, migas e arroz de feijão – excelente! Para rematar (e uma vez que já estávamos em condições de rebolar até casa, mas ainda tínhamos espaço para uma sobremesa), nada como uma ‘muito tradicional’ mousse de Oreo, que também não estava nada má – há alternativas bem menos originais, como a mousse de chocolate simples ou dupla (complementada com chocolate branco), a taça 3 sabores (envolvia pudim e chocolate e outro sabor qualquer), a de amêndoa (que era de… amêndoa), uma taça fantasia (nem perguntei), um ananás simples (bem pensado, para começarmos já a queimar as calorias extra)…

No final, um almoço bem passado! Pela companhia (mais uma vez), pela qualidade dos pratos (tenho a sensação que se fosse para qualquer dos outros da lista, como os diversos pratos de porco preto, também não tinha ficado nada mal servido), pela abundância de comida (esqueçam as mariquices da nouvelle cuisine ou de pratos de fusão, aqui as doses são mesmo brutais) e… pelo preço – 12 euros depois do que comi não me parece nada caro…

Solar dos Amigos
Tipo de cozinha: Cozinha Típica Portuguesa
Preço médio: €12-€15
Horário: Das 10h00 às 23h00. Encerra à quarta-feira (excepto se esta for feriado).
Morada: R. Principal, Guisado, Caldas da Rainha
Telefone: +351 262 877 135
Preço médio: €12-€15
Pagamento: numerário (não aceitam cartões)

As Salgadeiras

2008/08/19

Ali ao inicio do Bairro Alto, muito perto ainda do Camões, fica o Restaurante As Salgadeiras. Nas instalações de uma antiga padaria (ainda que em tempos idos o edifício fosse conhecido por lá estar estabelecida uma famosa casa de meninas para alegrar os homens de mar que atracavam por Lisboa), este restaurante apresenta-se mantendo uma traça antiga, com tijolo de burro à mostra e arcos de pedra dividindo os espaços. Visualmente agradável é também fácil gostar do espaço pela simpatia de quem nos recebe e atende. Pontos muito fortes para quem ainda não se sentou.

Começamos a noite com algo fresco. Duas caipirinhas. Convenhamos que, para acompanhar uma noite quente, a frescura de um gelo moído com a dose certa de cachaça e lima é algo de muito agradável. E aqui as doses eram bem, muito bem servidas…

O couvert era de bom gosto. Azeitonas, paté de atum, manteiga com ervas, muito bom queijo de Azeitão enfim, um couvert. Evitam-se as embalagens e agradecem os Clientes. Dá um toque de classe e casa que todos apreciamos.

A entrada escolhida foi a Alheira de Chaves com ovos mexidos tirada da forma, com a consistência certa e o sabor do enchido fazendo notar que é o que diz o nome e não os tantas vezes servidos ovos com alheira.

A comida veio precedida do vinho. Escolhemos ao copo que a oferta era variada. Ainda bem que está a pegar a ideia do vinho servido desta forma. Evita-se o sacrilégio de deixar bom néctar na garrafa e aproveita-se para a prova de alguns que pelo preço mais proibitivo não se iriam degustar tão cedo. Casa Burmester tinto. Ainda que o ano não nos ficasse de memória, o vinho ficou.

E eis que chegava à mesa o prato de peixe. Filetes de linguado em massa folhada com espinafres. Só a apresentação ganhava o prémio, fosse ele qual fosse. Não fingiam estar presentes os filetes entre o folhado e a verdura. Estavam mesmo. E frescos como às vezes não se encontram quando servidos a sós. Os espinafres na textura de esparregado faziam-lhes cama de luxo para a vista e para o paladar. A massa folhada estava no ponto, aquele em que não é seca nem está mole. Está como deve estar. Aliás, como tudo parece estar nesta casa.

O prato de carne encantou de igual forma. Pedido que estava o Espeto de Lombo em Pau de Loureiro de imediato veio à memória a triste cena do espeto pendurado, a pingar, e a ginástica necessária para por vezes de lá tirar proveito. O bom gosto da casa nota-se também nos detalhes e o lombo chegou no prato com todas as companhias do espeto mais os acompanhamentos laterais. Uma delicia ao olhar.

Da carne macia e saborosa à verdura cozida de leve e às batatas em feixe, estava tudo muito bom. De notar que as doses servidas, ainda que a decoração ocupe espaço no prato, são a ter em boa conta que ninguém fica com fome, muito pelo contrário.

Já dificilmente haveria espaço para a sobremesa mas a carta de nomes sonantes (do Fondue de Chocolate ao Leite creme com frutos silvestres) obrigava a uma pergunta: O que era o Manjar Conventual. Prontamente nos foi dito que… Era bom. Isso só por si é um indicativo mas assim que nos disseram que se tratava de Requeijão, açúcar e ovos não havia espaço mas para as dúvidas. Venha o Manjar Conventual que com a dieta nos preocupamos mais tarde.

Ainda a colher não tinha batido ao doce a segunda vez e já alguém nos questionava se estava bom tal eram as expressões à mesa. Referi que o que ali se passava era criminoso. Um verdadeiro crime não venderem o Manjar Conventual ao quilo para que connosco viessem logo um ou dois…

O final da refeição foi o costumeiro café e garoto bem clarinho e até ai, o serviço mostrou excelência. Não foi preciso pedir duas vezes nem houve má cara à prova. O garoto vinha tal como pedido e tínhamos ficado clientes. Garantidamente.

As Salgadeiras
Tipo de cozinha: Portuguesa
Rua das Salgadeiras 18 - Bairro Alto - 1200-396 LISBOA
Telefone: +351 213 421 157
Só servem jantares (encerra às Segundas-feiras)

Preço médio: 40€
Pagamento: Numerário / cartões
URL: http://www.as-salgadeiras.com