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As Salgadeiras

2008/08/19

Ali ao inicio do Bairro Alto, muito perto ainda do Camões, fica o Restaurante As Salgadeiras. Nas instalações de uma antiga padaria (ainda que em tempos idos o edifício fosse conhecido por lá estar estabelecida uma famosa casa de meninas para alegrar os homens de mar que atracavam por Lisboa), este restaurante apresenta-se mantendo uma traça antiga, com tijolo de burro à mostra e arcos de pedra dividindo os espaços. Visualmente agradável é também fácil gostar do espaço pela simpatia de quem nos recebe e atende. Pontos muito fortes para quem ainda não se sentou.

Começamos a noite com algo fresco. Duas caipirinhas. Convenhamos que, para acompanhar uma noite quente, a frescura de um gelo moído com a dose certa de cachaça e lima é algo de muito agradável. E aqui as doses eram bem, muito bem servidas…

O couvert era de bom gosto. Azeitonas, paté de atum, manteiga com ervas, muito bom queijo de Azeitão enfim, um couvert. Evitam-se as embalagens e agradecem os Clientes. Dá um toque de classe e casa que todos apreciamos.

A entrada escolhida foi a Alheira de Chaves com ovos mexidos tirada da forma, com a consistência certa e o sabor do enchido fazendo notar que é o que diz o nome e não os tantas vezes servidos ovos com alheira.

A comida veio precedida do vinho. Escolhemos ao copo que a oferta era variada. Ainda bem que está a pegar a ideia do vinho servido desta forma. Evita-se o sacrilégio de deixar bom néctar na garrafa e aproveita-se para a prova de alguns que pelo preço mais proibitivo não se iriam degustar tão cedo. Casa Burmester tinto. Ainda que o ano não nos ficasse de memória, o vinho ficou.

E eis que chegava à mesa o prato de peixe. Filetes de linguado em massa folhada com espinafres. Só a apresentação ganhava o prémio, fosse ele qual fosse. Não fingiam estar presentes os filetes entre o folhado e a verdura. Estavam mesmo. E frescos como às vezes não se encontram quando servidos a sós. Os espinafres na textura de esparregado faziam-lhes cama de luxo para a vista e para o paladar. A massa folhada estava no ponto, aquele em que não é seca nem está mole. Está como deve estar. Aliás, como tudo parece estar nesta casa.

O prato de carne encantou de igual forma. Pedido que estava o Espeto de Lombo em Pau de Loureiro de imediato veio à memória a triste cena do espeto pendurado, a pingar, e a ginástica necessária para por vezes de lá tirar proveito. O bom gosto da casa nota-se também nos detalhes e o lombo chegou no prato com todas as companhias do espeto mais os acompanhamentos laterais. Uma delicia ao olhar.

Da carne macia e saborosa à verdura cozida de leve e às batatas em feixe, estava tudo muito bom. De notar que as doses servidas, ainda que a decoração ocupe espaço no prato, são a ter em boa conta que ninguém fica com fome, muito pelo contrário.

Já dificilmente haveria espaço para a sobremesa mas a carta de nomes sonantes (do Fondue de Chocolate ao Leite creme com frutos silvestres) obrigava a uma pergunta: O que era o Manjar Conventual. Prontamente nos foi dito que… Era bom. Isso só por si é um indicativo mas assim que nos disseram que se tratava de Requeijão, açúcar e ovos não havia espaço mas para as dúvidas. Venha o Manjar Conventual que com a dieta nos preocupamos mais tarde.

Ainda a colher não tinha batido ao doce a segunda vez e já alguém nos questionava se estava bom tal eram as expressões à mesa. Referi que o que ali se passava era criminoso. Um verdadeiro crime não venderem o Manjar Conventual ao quilo para que connosco viessem logo um ou dois…

O final da refeição foi o costumeiro café e garoto bem clarinho e até ai, o serviço mostrou excelência. Não foi preciso pedir duas vezes nem houve má cara à prova. O garoto vinha tal como pedido e tínhamos ficado clientes. Garantidamente.

As Salgadeiras
Tipo de cozinha: Portuguesa
Rua das Salgadeiras 18 - Bairro Alto - 1200-396 LISBOA
Telefone: +351 213 421 157
Só servem jantares (encerra às Segundas-feiras)

Preço médio: 40€
Pagamento: Numerário / cartões
URL: http://www.as-salgadeiras.com

Água e Sal

2004/03/25

Foi com alguma tristeza que deparei com o Restaurante Del Uruguay (no Parque das Nações) fechado há já algum tempo, por motivos que ficam por saber. Um aviso na porta reencaminha-nos para um restaurante alojado no edifício do Oceanário. Confiante que iria encontrar o mesmo ambiente quente e as carnes cuidadosamente confeccionadas na “parrilla”, aventurei-me. O Água e Sal é amplo e requintado. A decoração prima pela sobriedade e pelo bom gosto e é dominada pelo tecto alto e pelas largas superfícies vidradas e espelhadas, mas a arquitectura geral não deixa de ser acolhedora e proporcionar alguns espaços mais recatados para uma atmosfera mais íntima.
A ementa oferece um conjunto variado de opções, das pastas e saladas às carnes e peixes grelhadas na parrilla. Estas últimas, infelizmente, ainda não conseguem chegar ao sublime carácter das parrilladas que o Del’Uruguay nos oferecia, especialmente ao nível dos temperos e das guarnições. É de salientar que os acompanhamentos para os grelhados se mostram um pouco limitados, especialmente para os gostos mais simples. As pastas são bem confeccionadas e saborosas e os pratos de peixe que fogem ao já citado grelhador de lenha são um regalo para os olhos e para o paladar.
As sobremesas não destoam de todo o conjunto e acompanham o requinte e o bom gosto com que somos presenteados (reflectido no preço também) e o serviço é eficaz e cordial, próximo do cliente sem se tornar intrusivo.
Pode ser ideal para jantares a dois, se não houver nenhuma despedida de solteiro ou festa de aniversário no mesmo dia. Convém pedir uma mesa num dos já citados espaços recatados quando se fizer a reserva, nesse caso.

Água e Sal
Tipo de cozinha: internacional
Preço médio: €20
Morada: Esplanada D. Carlos I - Oceanário de Lisboa - Parque das Nações - 1990-005 Lisboa
Telefone: +351 21 893 61 89
Fax: +351 21 893 61 87
Web: http://www.oceanario.pt/site/ol_ctexto_00.asp?localid=16
Email: aguaesal@iol.pt
Aceita Multibanco, Visa, American Express