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Garbo’s

2008/04/14

[O no-prato.com dá as boas vindas a um novo colaborador, Ricardo Silva, que segundo as suas palavras, gostava de ser “um daqueles tipos que vão comer a restaurantes e depois mandam uns bitaites. “]

Chamam-lhe “As Suecas”. “As Suecas” é um pequeno restaurante (cujo nome verdadeiro andará algures entre “Garbo’s”, “Garbo’s Bistrot” e “Garbo’s Gazebo”, dependendo se nos guiamos pela placa à entrada, o nome do restaurante no ‘guia’ da Casa da Guia ou uma simplificação do nome), que na realidade mais parece um quiosque grande (sim, sim, daqueles que vendem jornais) em pleno parque da Casa da Guia. Fica mesmo ao lado do “SushiGuia“. E sim, para quem conhece a área, tem uma esplanada bem sobre a falésia, daquelas onde apetece ficar horas numa noite quente de Verão, prolongando o jantar com umas bebidas frescas e boa companhia, a observar o recorte da costa da Boca do Inferno ou os barcos dos pescadores lá em baixo (ou, após umas pedaladas na ciclovia do Guincho num Domingo de manhã, a almoçar com vista directa para o azul do Atlântico). O restaurante (’bistro’? Não sei, confesso a minha ignorância no que respeita a estas nomenclaturas, pior ainda se for “Gazebo”) deve o seu nome informal (ninguém lhe chama “Garbo’s”, toda a gente o designa como “As suecas”) às cidadãs de origem nórdica que servem à mesa e que, para além de se distinguirem pela melena dourada, de vez em quando resolvem conversar numa língua pouco mais que gutural e absolutamente incompreensível para o comum dos mortais (salvo se falar sueco…).

Bem, e o que é que se come? Começando pelo início, deixem-me falar daquela pasta para barrar no pão que é absolutamente divinal e que costuma anteceder seja que género for de pedido. Eu não sei o que é aquilo (não se encaixa nas minhas definições típicas de manteiga, margarina, pasta de atum ou de sardinha), mas sabe bem! Depois podem sempre pedir-se umas entradas, que podem ir desde salada de rúcula até estranhas entradas com salmão (’salmão marinado com molho hovmäster’) ou ‘tostas skagen’ – um conselho, votem no exótico, salada de rúcula há em todo o lado!

O menu apresenta uma variedade de pratos, uns mais suecos que outros (acho que a ‘picanha completa’, a ‘bolognesa da casa’ ou a ‘moqueca de peixe’ não são invenções nórdicas), mas, normalmente, há duas ‘famílias’ de pratos que valem definitivamente a pena. As saladas costumam ser excelentes, quer sejam de ‘mozzarela com óleo de pesto’, de ‘bluecheese’ ou ‘grega’ (ou então essa salada de saladas que é a ‘da casa’, uma mistura de todas as outras). A outra grande opção costumam ser as pizzas! É natural que neste momento se estejam a perguntar “Mas este tipo vai comer pizzas para um restaurante com nome sueco?”. A resposta é “Sim! Porque são boas!” Na realidade, costumam ser deliciosas, bem simples, finas e estaladiças – normalmente, de comer e chorar por mais! Têm um outro pormenor: todas as pizzas têm nomes imediatamente associados à Suécia, seja personagens de histórias infantis, governantes históricos, jogadores de futebol, lojas de mobiliário, modelos,… (na realidade, tornou-se uma piada fácil dos meus amigos anunciarem que num determinado dia comeram ‘x’ – normalmente, uma pizza Helen Svedin…).

Para acabar, sobremesas! Aconselho a ‘Applecrumble com molho de baunilha’ ou os ‘kanelbullar’ (bolinhos de canela). Ou, se forem viciados em chocolate como eu, o ‘fudge de chocolate’.

Bom apetite!

Garbo’s
Tipo de cozinha: sueca (mas com umas valentes adaptações ao gosto nacional)
Horário: das 12h às 24h
Preço médio: 15€
Morada: Casa da Guia - EN 247 -Guia - 2750-374 Cascais
Telefone: +351 916744430 / +351 965357030
Pagamento: Numerário e cartões de crédito/débito

Sessenta Setenta

2006/09/06

O Sessenta Setenta é um restaurante no Porto.

Fica ao lado de um antigo convento [de Monchique], na rua de nome sugestivo [rua sobre o Douro], tal como o próprio restaurante, e que não decepciona [ainda que nao seja MESMO MESMO ’sobre’ o Douro], à qual se chega pela Rua da Restauração. Bem fácil, embora não pareça.

O edifício é todo em pedra, belíssima, com pequenas janelas sobre o Douro, mirando Gaia e os infindáveis cartazes e luzes piscantes das caves de Porto.

Entra-se por um simpático portão — antecedido por uma prudente carta e preçário — que antes do restaurante propriamente dito — em edifício autónomo — tem uma esplanada lateral ao Douro e com bar próprio [que na altura, uma noite de quinta, não estava a funcionar] ao ar livre, que deu jeito a Lorenzetti para um Romeo y Julieta que percebeu que viria a incomodar uns quantos comensais que ainda iam a meio.

Pensa pois o leitor, sobretudo o que já conhece Lorenzetti, que ‘com charuto’ a refeição foi muito boa [para completar] ou muito má [para compensar].

Nem uma coisa nem outra. As expectativas eram muito altas, dada a origem da tip dada a Lorenzetti, por uma ‘gourmet’ local, que se apressou a dizer que o 60 70 ainda não tinha clientela fixa e que valia a pena passar lá antes que passasse de moda e ficasse mau ou fechasse. Meu dito meu feito. Lá se desmarcou o clássico Bull & Bear e se partiu para novas aventuras.

E foi uma aventura. Amuse-bouche, nicles. Couvert, uma bola de manteiga manhosa e um pão pouco apelativo. Uma lista de vinhos razoável, felizmente com indicação dos anos e separação dos varietais. Mas apenas dois vinhos a copo, que não primavam pela excelência, a seguir a regra habitual [embora em Portugal, só o facto de ter vinho a copo já é de aplaudir].

Avançou-se com uma sopa de peixe, que no caso era um caldo [a fazer lembrar um provado no Frade dos Mares, em Santos, para esquecer] ao qual se acrescentaram dois mexilhões e umas minúsculas tranches do que parecia ser solha cozida ou um linguado raquítico.

Por estranho que pareça [mas a carta obrigou-nos a isso, e o apetite também] continuámos com peixe: um rodovalho sobre espargos e cebolinho. Algum excesso de sal, de resto regular, nada de outstanding.

Em desespero de causa, pedimos de sobremesa o que nos recomendassem. Uma recomendação não podia sair mal. Saiu. E foi a especialidade da casa. Um soufflé de Grand Marnier que como qualquer soufflé demora tempo, mas que neste caso demorou ‘horas’. E como foram bem passadas, não afectaram a ‘degustação’. Que foi terrível. O soufflé era suficiente minúsculo para se confundir com uma sobremesa parte de um ‘menu de degustação’ [juntando-se à vontade a mais 3 ou 4], a clara afundava tudo, o creme era inexistente e o Grand Marnier parecia ter sucumbido ao forno.

Um flop.

E temos pena, porque como é óbvio, somos viciados em comida. E apesar dos restaurantes da moda nem sempre serem os melhores restaurantes [style over content…], esperávamos mais. Somos capazes de voltar. Mas não será pela comida. Modernices.

Quem quiser ver o sítio, que é giro, pode ficar com as referências abaixo [mas recomendamos que peça um steak au poivre, que tinha óptimo aspecto e não pode falhar].

Sessenta Setenta
Tipo de cozinha: Mediterrânica [ma non troppo]
Horário: Segunda a sábado das 12h30 às 14h30 e das 20h00 às 01h00 [fecha aos domingos e ao sábado não serve almoço]
Preço médio: 25€
Morada: R. Sobre o Douro, 1 - A, Porto
Telefone/Fax: 223406093
Web: -
Email: -
Pagamento: Cartões de crédito, débito e numerário

Esplanada Furnas

2006/08/22

Deve ter começado tudo para aí há uns 25 anos. Lembro-me de naquele mesmo sítio haver um pequeno barraco pré-fabricado que vendia gelados, sumos e ocasionalmente a sandes de pão saloio a quem usava a zona das Furnas como destino do passeio de fim de semana.

Quem visita como eu a Ericeira há anos (e a própria casa) não pode ter deixado de reparar na curiosa mudança e evolução deste espaço. Sempre com o mar ali mesmo ao lado, cresceu e cresceu e foi adoptando as sucessivas esplanadas como espaço cativo do restaurante. Até porque a fama também crescia ao mesmo ritmo.

Existirão com certeza outros sítios na Ericeira onde se coma tão bom peixe (ou tão bem confeccionado) como nas Furnas, acredito. Pudera. Mas nenhum terá o enquadramento perante o mar como este. E é de peixe que se fala quando se aproxima da porta. O peixe (fresquíssimo!) que iremos ser servidos é logo ali escolhido, pesado, amanhado e deitado às brasas. Enquanto se entra e se petiscam as entradas (delicioso percebe, entre outros petiscos), há tempo para apreciar a vista soberba e a decoração feita de motivos marítimos. Talvez tenha perdido qualidades com os sucessivos alargamentos, o ambiente do Furnas. Os espaços abertos tornaram o restaurante vulnerável ao ruído das restantes mesas (e regularmente ao fumo de um charuto teimoso). Entretanto, chega o peixe. Escalado (cortado ao meio longitudinalmente) ou cuidadosamente arrancado às espinhas por um prestável colaborador. Acompanhamento minimalista (e não há mal nenhum nisso, basta o sal e um sábio a comandar a grelha). Uma delícia.

As sobremesas são interessantes, mas recorro teimosamente à tarte de maçã (quente) com gelado. Manias.

Convém marcar “consulta”, como diz a minha mãe. É que costuma estar cheio. Caro? Talvez. Mas é um preço justo a pagar pelo saber e pelo sabor colocados naquele peixe grelhado na brasa. E há carne? Há, mas ali é pecado.

Esplanada Furnas
Tipo de cozinha: Peixe e Marisco
Horário: 12h às 23h. Encerra à segunda feira
Preço médio: 25€
Morada: Rua das Furnas (por baixo do Parque de Sta. Marta, na marginal)
2655-295 Ericeira
Telefone/Fax: 261864870
Pagamento: Cartões de débito, crédito e numerário

Atira-te ao Rio

2006/03/06

A primeira visita ao “Atira-te ao Rio” foi feita sem prévio reconhecimento do terreno. O breve passeio pelo passeio marítimo de Cacilhas, pelo Ginjal e até restaurante era digno de um filme de terror. Casas e armazéns abandonados, falta de iluminação, um cenário medonho. Do outro lado do rio, caía a noite sobre Lisboa, e de Belém a Santa Apolónia.

Existe de facto uma alternativa, que passa pela área adjunta ao Elevador da Boca do Vento, ao qual se tem acesso pela Almada Velha e que é bem mais interessante e fotogénica. Recomendada.

O recinto é simples e o ambiente transporta-nos até ao Brasil. A comida e a bebida vão a reboque (picanha, muqueca, quindim e a saborosa caipirinha). As alternativas, caso necessárias, são também bastante saborosas (o ponto de referência é a lasanha de bacalhau, o perú alegre e o magret de pato). Caso o tempo permita, a esplanada está ali a um par de metros do Tejo e oferece uma vista desafogada sobre a frente ribeirinha de Lisboa.

Surpreendentemente, nem é muito caro.

Atira-te ao Rio
Tipo de cozinha: Brasileira e Internacional
Preço médio: 20€
Horário: 12h-16h, 20h-22h, encerra às segundas feiras
Morada: Cais do Ginjal, nº 69-70
2800-284 Almada
Telefone: 212751380
Fax: 212721810
Email: reserva@atirateaorio.pt
Web: http://www.atirateaorio.pt/
Pagamento: VISA, Multibanco, numerário

Di Casa

2005/12/09

Há dois restaurantes “Di Casa” em Lisboa - um na Avenida Infante Santo, e o outro no Centro Comercial Vasco da Gama. Ambos são muito bons (a comida é igual), mas o do Vasco da Gama tem muita luz natural e uma esplanada sobre o Parque das Nações, com o Tejo ao fundo.

Além do agradável ambiente e decoração, a verdadeira razão para ir ao Di Casa é mesmo a comida. Ao contrário das estereotipadas “pizzas” que se tornaram fast food, as pizzas do Di Casa primam pela simplicidade. Come-se uma pizza inteira sem se ficar cheio, pois a massa é fina (sem ser seca), o queijo e o tomate são em doses racionais, e os ingredientes frescos. Nada de cogumelos enlatados nem de invenções de fusão. Outro atractivo são os bifes - o filete Montalcinno (com carpaccio e rúcula) é de não perder. As massas também são boas, reduzindo-se também ao essencial. Nas sobremesas, não deixem de experimentar a mousse de chocolate branco.

Para quem não gosta de centros comerciais, não precisa de deixar de experimentar este restaurante - basta estacionar junto ao elevador mais junto à saída norte do parque de estacionamento, e chamar o elevador com o botão de cima de todos - este irá só chamar o elevador do lado direito, que os levará directamente ao terceiro andar (mesmo à entrada do restaurante) sem terem que passar por dentro do centro comercial.

Di Casa - Expo
Tipo de cozinha: italiana
Preço médio: 12€
Morada: Centro Comercial Vasco da Gama, 3º andar
Telefone: 21 892 22 90
Pagamento: VISA, Multibanco, numerário