Yasmin
O nome andava a saltitar por aí na lista dos restaurantes a experimentar. A morada parecia familiar e era. Mesmo ao lado do La Moneda (que já experimentámos e cuja história ficará para outra visita). A dois passos de um par de sítios onde apetece beber uns copos com os amigos - de uma sobriedade, competência e estilo diametralmente opostos aos trinta e tal anos de história da noite do Cais do Sodré (de um lado) e da insuportável geração morangos-com-açucar (não acredito que escrevi isto) que invade Santos (do outro lado). No meio está a virtude. Yasmin.
É pequenito, ali na esquina. Entra-se e fica-se com a impressão que merecia ali em cima uma mezzanine com um par de mesas mais recatadas (merecia). Gostámos do pormenor do olho indiscreto para a rua projectado em ponto grande na parede e com direito a peep show nos WC. Brilhante. Reparámos maravilhados na coerência e omni-presença do branding. Na louça, nos candeeiros, nas mesas, em quase tudo. E a mobília? Ui. Prémio de design já.
Depois dos olhos, os ouvidos. A música lounge, tudo a ver com o espaço. O serviço pausado e atento recomendava-nos os Dim Sum para a entrada (fiquei curioso com a sopa fria de melão e melancia) e entrava em cena o trio (guitarra eléctrica, contrabaixo e bateria) que pintou de jazz contagiante o resto da refeição.
Foi pena não haver cherne e não me apetecer o robalo (daqueles com nomes cheios de descrições e de floreados). De escolhas limitadas (a carta também é “curta”), fui contrariado para o javali com boletas grelhadas e espuma de morcela. Foi pena ter vindo mal passado - alguém explique a esta gente que comer carne de suíno mal cozinhada dá direito a ir para o hospital sem passar pela casa partida e sem receber os dois contos. Do outro lado da mesa, o wok de vegetais com gambas cheirava e sabia muito bem (imagino com vieiras). Ao todo, nota positiva tangencial, mas estamos abertos à sugestão de uma segunda volta. Um dia destes. Um menu de degustação, quem sabe?
À sobremesa, cannelonis de manga e limão com gelado de banana. Obras primas de engenharia - só vistas - e já agora, saborosas.
Deixa boa impressão, o Yasmin - pelo ambiente, pela simpatia e um bocadinho pela cozinha (para a próxima escolho outra coisa para comer). Carote sim, mas quem nos mandou experimentar os vinhos a copo quase todos? E fecha às 2, which is nice.
Yasmin
Tipo de cozinha: fusão
Horário: das 19h às 2h - fecha aos domingos
Preço médio: 30€
Morada: Rua da Moeda, 1A
1200-275 Lisboa (Cais do Sodré, Mercado 24 de Julho)
Telefone: 213930074 / 934782046
Web: http://www.yasmin-lx.com
Email: info@yasmin-lx.com
Pagamento: Cartões de crédito/débito e numerário
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22 Setembro 2006 12:41
O de vieiras não é preciso imaginar: peço sempre quando vou lá, o que acho que diz tudo. Força nisso. Mas os outros também são todos muito bons, ainda que [e disse-lhes isso] pudessem por menos açúcar ou bicarbonato, e menos picante. Disseram-que que quanto ao picante cederam aos consumidores portugueses. É o mercado, na rua da Moeda [e à frente de um mercado!]. Gosto muito de picantes, mas em pratos que o pedem, não necessariamente aqueles woks.
Recomendo também [até porque não tenho visto em restaurante nenhum em Lisboa ser ser em hotéis e mesmo assim é raro] o dim-sum, que satisfaz o apetite de pessoas que como eu gostam de ‘clepes’ e afins, mas que dispensam frituras. O dim-sum é cozido a vapor, numas caixas de bambú, envoltos em folhas de bananeira, acho que valia a pena explicar e precisar o facto de não ser fácil apanhá-los aqui.
Concordo que um dos pontos mais do Yasmin é o design [axcrescento o voto ao papel de parede:) que , se for mudando, garante a quebra de monotonia de modo bem fácil e sem ser preciso fechar o espaço por dias a fio].
Além disso o ser um espaço pequeno e familiar [sem ser, de todo, uma tasca nem um restaurante de autor] e ter boa comida, cuja ementa varia. Estacionamento fácil, vinhos fracos, atendimento simpático.
O ponto menos bom [concordo em absoluto e insisto MUITO neste ponto] é o preço. Por pouco mais vou à Bica ou pelo mesmo vou a outros de calibre ligeiramente superior, e recebo bastante mais em termos gastronómicos, incluindo os vinhos, para além de, do ponto de vista especulativo, ser um restaurante que ainda não tem nome, que acaba por contar no preço final.
O Yasmin tem a vantagem de ser um pequeno, discreto e gastronomicamente agradável spot. Às vezes [muitas] gosto de sossego. Mas sinto-me ligeiramente assaltado o que impede uma digestão tão sossegada como o jantar.